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Sikhs

Os Sikhs constituem uma importante fração do povo djat, misturada provavelmente com antigos sudras de uma casta ínfima. Os Sikhs (discípulos), no início uma seita religiosa, foram durante quase um século uma verdadeira nação militar. Hoje não conservam no Punjab mais do que os seis principados de Djind, Faridkot, Kapurtala, Kalsia, Nabha e Patiala.
A religião ou seita dos sikhs é, de todos os credos da Índia, a que mais vivamente tem contestado o bramanismo hindu, maioritário e dominador no país.
O fundador dos Sikhs, Nanak, nasceu em 1469, catorze anos antes de Lutero: as tradições referentes à primeira etapa da sua existência apresentam-no constantemente submergido na meditação e dotado de um absoluto desprezo por tudo o que o rodeia, até que foi objeto de um manifesto chamamento de Deus, para expor e pregar ao mundo uma nova doutrina. Demonstrando que o hindu e o maometano não diferem entre si em matéria de religião, empreendeu uma série de peregrinações aos quatro pontos cardeais e fez a quinta e última visita alegórica aos siddhs (santos) de Gorakhnath. Nestas peregrinações (segundo a lenda) chegou até aos confins da moderna Índia; a sua pregação era intensamente monoteísta e dirigida principalmente contra as pretensões da casta sacerdotal.
Antes da sua morte (1538), Nanak designou seu sucessor Angad, que inventou o alfabeto gurmuki e ampliou o Granth (hino hindu). Amar Das, seu sucessor, reorganizou propriamente a seita e desenvolveu as suas doutrinas. Entre outras coisas, reformou os ritos bramânicos relativos aos matrimónio, proibiu as peregrinações e outras práticas extravagantes e obteve de Akbar a concessão de um terreno onde erigiu o Amrita Sara (tanque da imortalidade), na localidade de Amritsar, e deu início à construção de um templo.
Ardjun Mall, filho de Amar Das, teve um desentendimento com o governo de Lahore, acabando por ser detido numa cadeia, onde acabou por morrer, em 1606, envenenado. Este facto levou os Sikhs a deixarem de ser uma seita inofensiva para se tornarem guerreiros fanáticos.
A seita dos Sikhs é essencialmente monoteísta e, ainda que não negue as inumeráveis divindades do panteão hindu, não fomenta o seu culto e adoração mas condena-os. Os Sikhs professam uma espécie de culto, ou pelo menos veneram, da vaca, tal como os hindus; mas são carnívoros e desprezam a maior parte das cerimónias hindus na preparação dos alimentos. A religião sikh fracassou na sua campanha de abolição do sistema de castas. O próprio Nanak empreendeu a tarefa de condenação deste sistema, tendo pregado que Deus não avaliava o mérito dos homens pela casta a que pertenciam, mas sim pelas obras que praticavam.
Os Sikhs debatem-se ainda hoje com a dominação indiana dos seus territórios, no Norte do País: o Panjab e Caxemira, que se estendem pelo Paquistão, país com que têm, todavia, melhores relações e apoio contra Nova Deli. A questão dos Sikhs é um dos problemas do governo indiano, devido à feroz resistência ao domínio de Nova Deli e à sua luta pela independência, sendo também um dos "pontos-quentes" da sua relação com o governo muçulmano de Islamabade (Pasquistão, muçulmano). Muitos têm sido os conflitos e atentados, mas o problema está para durar.

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