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sinédoque

Figura de retórica, para muitos autores indistinta da figura da metonímia, ou considerada como um tipo de metonímia na qual se exprime uma parte por um todo ou um todo por uma parte (Moscovo caiu às mãos dos alemães), o singular pelo plural (quando o Gama chegou à Índia), o autor pela obra (estou a estudar Pessoa), a capital pelo governo do país ("Washington decidiu enviar tropas para o Iraque"), uma peça de vestuário pela pessoa que o usa (um vestido negro surgiu pela porta), etc. Na verdade trata-se da inclusão ou contiguidade semântica existente entre dois nomes e que permite a substituição de um pelo outro. Na literatura, abundam sinédoques com fins estéticos de provocar o inusitado nas expressões escolhidas:

"Que da Ocidental praia Lusitana" (para designar Portugal)
(Camões, Os Lusíadas, I, 1)

"Vós, ó novo temor da Maura lança" (para designar os exércitos mouros)
(Camões, Os Lusíadas, I, 6)

"Mas já o Príncipe Afonso aparelhava
O Lusitano exército ditoso
Contra o Mouro que as terras habitava" (para designar os exércitos mouros)
(Camões, Os Lusíadas, III, 42)

"Despois, na costa da Índia, andando cheia
De lenhos inimigos e artefícios" (para designar os navios)
(Camões, Os Lusíadas, III, 42)
Como referenciar: in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [consult. 2014-12-21 01:09:03]. Disponível na Internet: