sistema imunitário
Cada ser humano está sujeito a todo o momento a uma enorme variedade de micropredadores. O nosso meio é povoado por uma multidão de micróbios, bactérias, protozoários, fungos e vírus, dos quais muitos são patogénicos. Contudo, as infeções são relativamente raras e geralmente de duração limitada. Sabe-se, também, que algumas doenças se contraem uma única vez na vida (sarampo, varicela, rubéola, etc).
Quando o organismo que sofreu a infeção ficou protegido contra o agente responsável, diz-se que ficou imunizado. Isto acontece porque o organismo possui um conjunto de defesas constituídas pelos órgãos e células do sistema imunitário. O seu estudo constitui a imunologia, ciência que se encontra em plena evolução.
As barreiras de proteção do organismo podem ser franqueadas acidentalmente (ferida, picadela) ou naturalmente (ao nível do aparelho respiratório e digestivo). Nestas circunstâncias, o organismo desencadeia as suas defesas internas.
A inflamação é geralmente o primeiro sinal aparente de infeção. A inflamação apresenta quatro sintomas quase sempre em conjunto: vermelhidão, calor, inchaço (edema) e dor. Estes sinais são devidos à ação de substâncias químicas, das quais algumas são produzidas pelos tecidos lesados, denominados mediadores da inflamação. Estes mediadores estimulam as células do sistema imunitário para produzir anticorpos - proteínas - que bloqueiam as moléculas estranhas de uma maneira altamente específica.
Qualquer substância estranha que estimula a produção de anticorpos denomina-se antigene. As bactérias, vírus, etc., contêm proteínas nas suas membranas ou cápsulas externas que atuam como antigenes quando entram no organismo. Estes provocam a formação de anticorpos que reagem com elas, inativando-as.
O sistema imunitário é constituído por células que estão disseminadas por todo o corpo, principalmente concentradas nos tecidos linfoides, que incluem o timo, o baço, os nódulos linfáticos, a medula óssea, as adenoides e as amígdalas. As células predominantes no sistema imunitário são os linfócitos, que circulam no sangue e na linfa. Os linfócitos são acompanhados na sua ação pelos macrófagos, grandes células fagocitárias derivadas dos monócitos.
Os linfócitos são de dois tipos: linfócitos B (ou simplesmente células B) e linfócitos T (ou simplesmente células T). Os dois tipos de linfócitos atuam em cooperação com os macrófagos, mas podem ter respostas imunitárias diferenciadas.
Os mecanismos que o organismo utiliza para desencadear uma resposta adaptada ao antigene são complexos. Beneficiando dos programas recentes da biologia celular e molecular, a imunologia vai, pouco a pouco, descobrindo os segredos destes mecanismos.
O sistema imunitário neutraliza e elimina os elementos estranhos graças a defesas muito elaboradas, cujos mecanismos não são perfeitamente conhecidos. Não surpreende, assim, que um sistema tão complexo esteja sujeito a desregulações difíceis de tratar. É o caso das alergias, fenómeno muito vulgar em que o organismo reage de uma maneira muito viva contra antigenes, a maior parte das vezes inofensivos. Noutros casos, o desfuncionamento corresponde a respostas insuficientes, a dita imunodeficiência (a SIDA, por exemplo). Algumas imunodeficiências existem desde o nascimento, outras são adquiridas ao longo da vida, principalmente quando o próprio sistema imunitário é alvo dos micróbios.
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