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sistemas sociotécnicos

A denominação deve-se aos desenvolvimentos teóricos da corrente sociotécnica levados a cabo por investigadores ligados ao Tavistock Institute de Londres, entre os anos 50 e 70 do século XX, que centram as suas análises nas implicações da mudança tecnológica no que respeita à relação entre o subsistema técnico e o subsistema social. O primeiro comporta o grau de automatização e de mecanização, a unidade de operações, a escala espácio-temporal do processo produtivo, as características da matéria-prima, o grau de centralização das tarefas e as características do espaço físico. O segundo refere-se às características das tarefas e das funções, aos sistemas de recompensa, às relações de supervisão e às características da cultura organizacional. As sucessivas investigações-intervenções, em especial de Ken Bamforth, Eric Trist e Emery nas minas de carvão inglesas, conduziram à tese fundamental da metodologia dos sistemas sociotécnicos: a eficácia do sistema de produção depende sobretudo do modo como o sistema social reage às imposições e constrangimentos do sistema técnico. Esta corrente, herdeira dos princípios da Escola das Relações Humanas e das Teorias Motivacionistas, assim como dos desenvolvimentos da cibernética, ao considerar a organização como um sistema autorregulado, dependente das suas interações com o meio exterior, propõe a adoção de metodologias participativas que partam do diagnóstico do sistema social. A metodologia proposta destaca a necessidade de participação e de aprendizagem contínua e, nesse sentido, opõe-se à metodologia da gestão científica. As características da metodologia sociotécnica consistem em considerar o processo de trabalho como um sistema composto por partes interdependentes, dar relevo ao grupo, privilegiar os mecanismos de autorregulação internos e informais do grupo, considerar o indivíduo como algo complementar à máquina e reforçar o enriquecimento das funções. A grande inovação está na adoção da organização do trabalho em grupos semiautónomos (grupos compostos de 8 a 10 pessoas responsáveis por uma parte do processo de trabalho e detentores de margens de autonomia elevadas), com o objetivo de potenciar a participação e a flexibilidade. O conceito de sistemas sociotécnicos veio revelar-se central na sociologia do trabalho, ao nível das metodologias de mudança e participação organizacionais, que se expandiram a partir dos anos 70 um pouco por toda a Europa, de onde se destacam as experiências da Volvo, na Suécia. Está também na origem do conceito de sistemas antropocêntricos.

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