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Sóror Violante do Céu

Sóror Violante do Céu era uma freira dominicana que na vida secular se chamava Violante Montesino. Professou no convento de Nossa Senhora do Rosário da Ordem de S. Domingos em 1630.
Aos 17 anos, celebrizou-se ao compor uma comédia para ser representada durante a visita de Filipe II a Lisboa. Também se dedicou à música como instrumentista, tocando, como consta, harmoniosamente harpa.
Todavia, foi sobretudo na poesia que se distinguiu, sendo hoje reconhecida como um dos expoentes máximos da lírica barroca em Portugal.
Conhecida pelos meios culturais da sua época como Décima Musa e Fénix dos Engenhos Lusitanos, cultivou a vertente conceptista do Barroco, que assentava, essencialmente na construção mental e na elegância da subtileza, exibindo um estilo muito mais intelectualizado do que o admitiria o preconceito sentimentalista feminino. Profundamente entrosada no espírito da Fénix Renascida, exibe nas suas composições uma dialética idealista que procura concretizar o impossível, transformar a morte na vida, a tristeza na alegria.
Intelectualizou ainda escolasticamente alguns temas líricos, nos quais revela muitas vezes alguns acentos de sinceridade, como é o caso dos versos que dedica a um incógnito Silvano:Se apartada do corpo a doce vida,Domina em seu lugar a dura morte,De que nasce tardar-me tanto a morteSe ausente da alma estou, que me dá vida?Não quero sem Silvano já ter vida, Pois tudo sem Silvano é viva morte,Já que se foi Silvano, venha a morte,Perca-se por Silvano a minha vida.Ah! Suspirado ausente, se esta morteNão te obriga querer vir dar-me vida,Como não ma vem dar a mesma morte?Mas se na alma consiste a própria vida,Bem sei que se me tarda tanto a morte,Que é porque sinta a morte de tal vida.
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