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Televisão: elemento a abater ou a promover?







Televisão: elemento a abater ou a promover?
Se os jovens estudam no quarto, poderão ligar a televisão e o estudo não vai render. De resto, nunca deve haver uma televisão ligada no local de estudo.






Há quem use a televisão como um meio auxiliar de educação. Sabe tão bem dormir um soninho ao domingo de manhã enquanto os rebentos veem os desenhos animados! Há quem maldiga a TV pela violência que nela prolifera. De que lado está a razão? Ou não está de lado nenhum? Ou estará dos dois?

Confesso que tenho uma costela a pender para cada um dos lados da polémica. É verdade que também eu devo muitas horas de descanso dominical à "caixinha mágica". Parece-me que pedir mais horas de baby-sitting à dita cuja será já exagerar nos seus préstimos.
No que diz respeito à violência, acho que os pais se devem entregar à espinhosa missão de selecionar os programas que os filhos veem, embora sem fundamentalismos. Os critérios devem ser discutidos com os "rebentos", principalmente se já forem mais crescidos. Os aspetos a ter em conta poderão ser o conteúdo do programa e o seu horário.
TV no quarto: sim ou não?
Como mãe, nunca permiti que os meus filhos tivessem televisão no quarto. Como professora, este é um dos temas que tenho por hábito debater com os encarregados de educação e os alunos, em clima bastante informal e familiar, muitas vezes enriquecido por "comes e bebes". Os alunos gostam dos debates e é isso o que me vale! Quando a conversa chega à televisão, eles já não apreciam o conteúdo. Considero que várias consequências negativas advêm da existência de televisão no quarto:
1. Os pais dificilmente poderão controlar os programas que os filhos veem. Já não me refiro aos programas diurnos, mas sim aos noturnos, muitas vezes desadequados à sua idade.
2. As crianças poderão ver televisão até demasiado tarde, não dormindo o suficiente. A saúde e o rendimento escolar saem necessariamente afetados. No que diz respeito ao segundo aspeto, é fácil perceber que alguém que não repousa o suficiente tem muito mais dificuldade em se concentrar e prestar atenção às aulas e aos trabalhos escolares.
3. Se os jovens estudam no quarto, poderão ligar a televisão e o estudo não vai render. De resto, nunca deve haver uma televisão ligado no local de estudo, seja ele o quarto ou qualquer outro, já que é um poderoso fator de distração.
TV à mesa das refeições: sim ou não?
Mais uma vez me parece que a resposta deve ser "não". As refeições são, em muitas famílias, os únicos momentos em que todos se encontram. Há que os aproveitar ao máximo para que esse encontro seja efetivo e a família funcione como um coletivo de afetos. São os momentos em que se pode partilhar as pequenas alegrias e tristezas do dia que passou, em que se pode trocar impressões sobre assuntos de interesse comum, em que se pode falar de coisas importantes ou banais, mas falar e ser ouvido com interesse, prazer e carinho. Assim se pode contribuir para o desenvolvimento da confiança entre os elementos da família e fortalecer o hábito de conversar e de partilhar.

TV: aliado pedagógico?
A televisão, como os restantes meios audiovisuais, é um bom instrumento pedagógico. Sabemos o quanto as crianças aprendem através dela. Em muitas situações ela pode contribuir para facilitar a aprendizagem de matérias escolares. Eis dois exemplos:
1. Ver programas em línguas estrangeiras, de preferência sem legendas, pode facilitar a sua aprendizagem. De acordo com as idades e os gostos pessoais, existe, na TV por cabo, uma grande escolha: desenhos animados, filmes, programas musicais, programas desportivos, etc. Há canais falados em inglês, em francês e em alemão, a possibilitar a escolha da língua que se quer praticar. As vantagens que tal atividade pode trazer são várias. Saliento a melhoria da pronúncia, o alargamento do vocabulário, o treino da compreensão do que se ouve e a criação do hábito de pensar na língua estrangeira.
2. Nos canais nacionais, por vezes há programas interessantes e que se relacionam com as matérias estudadas nas escolas pelos jovens (peças de teatro ou filmes baseados em obras literárias, debates, documentários). Os pais podem estar atentos à programação e aconselhar os filhos a vê-los, acompanhando-os, se possível, nessa atividade. Os programas deste tipo, estranhamente, passam muitas vezes a horas absolutamente impróprias para consumo! Nesse caso, pode ser feita uma gravação, para um posterior visionamento.
Como conclusão, diria que a televisão não é um anjo nem um demónio. O adulto deve ser um mediador entre a televisão e os seus filhos, para que existam critérios e regras na sua utilização. Estes são, aliás, importantes em todos os aspetos da educação das crianças. O acompanhamento da criança pelo adulto enquanto vê determinados programas é também extremamente importante para possibilitar o diálogo sobre eles. Desta forma se poderá contribuir para o desenvolvimento do espírito crítico e de um sistema de valores, ao invés de se fomentar um consumo passivo de todos os produtos televisivos.











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