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Tensões Israelo-Árabes desde 1948

O conflito entre a comunidade israelita e a árabe radicou na divisão do território da Palestina, decretada pela Organização das Nações Unidas a 29 de novembro de 1947. A ideia subjacente a esta medida era a repartição deste território, até sob a autoridade inglesa, em dois Estados independentes: um Estado Israelita e outro Palestiniano.
Esta tomada de decisão era sustentada pela necessidade de criar uma pátria para os hebreus, facto que, apesar de justificado historicamente, colidia com os interesses da população árabe, que considerava, de forma intransigente, a Palestina como o seu território, não obstante ali se ter instalado uma comunidade minoritária de judeus a partir do final do século XIX (motivada pelas teorias sionistas de Theodor Herzl, jornalista húngaro de ascendência hebraica e ativista do direito a um "Lar Judaico" na sua terra ancestral, Israel).
Pela divisão da ONU, cerca de 55% deste território foi cedido aos judeus, uma comunidade que representava um terço do total da população desta região. Esta ação desencadeou uma vaga de violência entre israelitas e muçulmanos, que disparou com o desrespeito das determinações da ONU por parte dos hebreus, dando início à anexação de territórios em nome da garantia de um "espaço vital e seguro": do Sinai, da Faixa de Gaza, da Cisjordânia, de Jerusalém Oriental e dos montes Golan. Os protestos da comunidade internacional não foram atendidos pelo jovem Estado de Israel que tornou impossível, logo à nascença, uma coabitação pacífica com as comunidades árabes.
O regresso à Palestina era um sonho antigo, acalentado por muitos judeus espalhados pelo mundo, desde a Península Ibérica e Norte de África à Europa de Leste e Central, sem esquecer os EUA. Este sonho foi reavivado com a publicação de uma obra da autoria do referido Theodor Herzl (1860-1904), intitulada "O Estado Judaico", onde era proposta a criação de um Estado Judaico na Palestina.
Este livro conduziu à criação do movimento sionista, ou seja, um movimento plurinacional ("Sionismo Internacional") defensor do estabelecimento do Estado judaico na Palestina, impulsionador de uma considerável vaga migratória de Judeus para aquela região a partir do final do século XIX.
Com este movimento migratório deu-se um acentuado crescimento da população judaica na Palestina, pois esta área exercia uma forte atração sobre os judeus oriundos de países como a Polónia, a Alemanha ou a Rússia, no período compreendido entre as duas grandes guerras, fugidos da crise económica e do clima de instabilidade social persecutória em que esses países viviam.
Esta imigração de judeus não agradava aos árabes, que, como se disse, reprovavam veementemente a criação de um Estado Judaico na Palestina. Para fazerem vingar a sua posição, não se coibiram de recorrer a atos terroristas, aos quais os judeus respondiam com o aumento da violência na região, o que resultou no crescimento da instabilidade nesta área do globo.
Perante esta situação, a Inglaterra e a França, as potências tutelares desta região desde a Primeira Guerra Mundial, pediram a intervenção da ONU para resolver o conflito. A Assembleia Geral da ONU, chamada a intervir, decidiu dividir a Palestina, em 1947, em dois Estados, permanecendo o Estado Judaico sob a tutela da comunidade internacional.
Os países árabes não aceitaram esta resolução. No entanto, o seu descontentamento não impediu a retirada dos ingleses a 15 de maio de 1948, e, simultaneamente, a proclamação do Estado de Israel. Os problemas fronteiriços são frequentes desde a fundação deste novo estado, que instala colonatos agrícolas, para reforçar principalmente a fronteira norte com o Líbano e junto à Faixa de Gaza, a sul.Os palestinianos, descontentes com a formação do Estado Israelita e auxiliados pelos vizinhos árabes, atacaram Israel, dando início a uma Guerra de oito meses, que culminou com a assinatura de um armistício favorecendo o móvel estado hebraico. O Egito passou a ocupar a Faixa de Gaza, a Jordânia ficou com a administração da Cisjordânia e da Transjordânia, enquanto Israel aumentou o seu território pela ocupação de Jerusalém, dos Montes Golan e do Sinai. Apoiado pelas potências europeias e pelos EUA, com o fim de resolver o bloqueio egípcio ao Canal de Suez e a onda de violência crescente criada pelos países árabes, Israel inicia a Campanha do Sinai, em 1956, que assinala o início de uma série de violentos conflitos armados com os árabes. Perante o aumento da propaganda árabe, a unificação dos exércitos árabes e o bloqueio egípcio do Canal de Suez, Israel, com o apoio secreto da França e da Grã-Bretanha, ataca a 29 de outubro de 1956 os seus vizinhos árabes, conquistando a cidade egípcia de Gaza e parte da Península do Sinai. Em março de 1957, a zona ocupada por Israel passa para as mãos de forças multinacionais da ONU.A população muçulmana, atingida pela guerra, refugiou-se em países árabes e viu os seus bens serem confiscados pelos judeus. Estes refugiados organizaram então a FATAH, em 1958, e a OLP, em 1964, duas organizações árabes apostadas na destruição de Israel e na manutenção de uma guerra de guerrilha. A primeira integrou-se na OLP, tendo-se separado uma fação de "duros" e radicais terroristas apoiados por regimes árabes totalitários, como a Líbia e o Iraque.
A violência entre as duas comunidades não cessou entre as décadas de 50 e 70, levando repetidamente à guerra, nomeadamente em 1956, 1967, e 1973.
Entre 5 e 10 de junho de 1967 ocorre a Guerra dos Seis Dias, conflito armado durante o qual Israel destrói a força aérea árabe nas suas próprias bases militares (Egito, Síria, Iraque e Jordânia). O general israelita Moshé Dayan ocupa os Montes Golan e a Península do Sinai; Israel declara-se imediatamente na posse dos novos territórios, além de pôr sob a sua autoridade cerca de 60 000 árabes da Margem Ocidental do Jordão.Ainda a 6 de outubro de 1973, o Egito e a Síria atacam de surpresa os Montes Golan e a zona do Canal de Suez, durante a celebração em Israel da festa do Yom Kippur. Os israelitas ficam em choque, mas contra-atacam dois dias depois, chegando a quase 100 km do Cairo e a cerca de 50 km de Damasco. O cessar-fogo é assinado a 24 de outubro, com o estabelecimento de uma força de paz das Nações Unidas nos Montes Golan.Depois dos Acordos de Camp David, em finais da década de 70, parte dos territórios da Península do Sinai foram devolvidos ao Egito. Persiste, porém, ainda a presença militar no Sul do Líbano com cerca de 40 000 soldados sírios instalados.
Estes conflitos atingiram maiores proporções ao arrastar a intervenção das duas maiores potências mundiais do tempo: a União Soviética, que apoiava os países Árabes, e os Estados Unidos, manifestamente pró-israelitas devido ao poderoso "lobby" judaico-americano (mais de quatro milhões).
Na década de 90 assiste-se a uma lenta aproximação das duas fações apoiada pela comunidade internacional. Registe-se, sobretudo, o reconhecimento por parte de Tel-Aviv, a capital política, do direito à formação de um estado árabe sob a égide da O.L.P., liderada por Yasser Arafat.
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Como referenciar este artigo:
Tensões Israelo-Árabes desde 1948. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-05-21].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$tensoes-israelo-arabes-desde-1948>.
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Tema(s): História, Ciências Sociais e Humanas, Religião e Mitologia
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