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teoria da organização

As organizações formais e complexas, específicas da modernidade e enquanto sistemas construídos pelos atores sociais, revestem formas históricas ao mesmo tempo semelhantes e dissemelhantes. Elas podem e devem ser estudadas na sua realidade complexa, a partir de diferentes ângulos disciplinares. Assim, todas as Ciências Humanas e Sociais se têm preocupado em estudar e em compreender o mundo das organizações. A história das diferentes teorias e escolas da organização, desde as clássicas (F. W. Taylor, H. Fayol, Max Weber), passando pela escola das relações humanas (Elton Mayo) e do comportamento organizacional (K. Lewin), até às perspetivas contingenciais (Lawrence e Lorsch, A. Chandler, Stalker e Burns), sociotécnicas (F. E. Emery, E. L. Trist) e estratégicas (M. Crozier e E. Friedberg), sem esquecer a perspetiva da cultura e da identidade organizacional (R. Sainsaulieu), é a história da busca incessante de lógicas e de modelos racionalizadores e compreensivos da ação organizada, ao mesmo tempo racional, estruturada em ordem a fins estabelecidos, como também informal, anárquica, não-racional e emotiva.
Como multidisciplinar que é, o estudo e as teorias das organizações poderão ser enquadradros por dois paradigmas fundamentais, para utilizar a linguagem de Kuhn, a saber, o paradigma estrutural-funcionalista e o paradigma crítico e radical.
O paradigma estrutural-funcionalista, sistematizado e desenvolvido na sequência da Sociologia parsoniana, privilegia a conceção da organização como um sistema racional, ordenado e integrado. A organização, na sua conceção sistémica e sincrónica, é vista como um "corporate group" (Max Weber), como uma "coletividade" (Parsons), como um "sistema cooperativo" (C. Barnard), ou então como um "sistema social" (Roethisberger; Dickson). O conflito, as contradições estruturais, a historicidade e as estratégias dos diferentes profissionais, como as lógicas do poder (Michel Crozier, H. Mintzberg), estão naturalmente desvalorizados no quadro deste modelo de análise.
Por sua vez, a perspetiva crítica (Chanlat; Séguin) coloca em destaque as contradições estruturais, os fenómenos de conflito e de tensão, a inadequação e a descoordenação funcional, bem como os aspetos políticos da organização, o poder, sem esquecer as mudanças sistémicas que perpassam, sobretudo hoje, as organizações.
O paradigma crítico e radical, como hipótese de análise social, sem esquecer a sociologia dialética, é sobretudo tributário dos homens que fizeram a Escola de Frankfurt, como H. Marcuse e J. Habermas.
A tentação clássica de se encontrar uma "boa" teoria da organização, "one best way" (Fr. W. Taylor), ou um modelo de racionalidade optimal e crescente, está definitivamente ultrapassada. A organização é uma estrutura sistémica, um quadro organizado e estável de meios adequados a fins (Max Weber), como um processo histórico e social no seio do qual os atores sociais desenvolvem as suas estratégias, negoceiam os seus interesses, constroem as suas identidades profissionais (M. Crozier, R. Sainsaulieu). O futuro da teoria organizacional aponta para a valorização dos processos de mudança, de adaptação contínua ao meio, de desestruturação da ação coletiva e de precariedade dos quadros normativos e formais. O "emagrecimento" organizacional, a desconcentração espacial, a flexibilização funcional e departamental estarão na ordem do dia. O paradigma da mudança e da não diferenciação funcional, como a valorização dos aspetos não racionais, será talvez uma hipótese mais operacional para orientar a compreensão das organizações.
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