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tipificação

Para Simmel, a compreensão pela tipificação é um a priori da possibilidade da sociedade. O conhecimento que os indivíduos têm uns dos outros é uma condição da vida social e também do conhecimento sociológico.
Na mesma linha de pensamento, Alfred Schütz considera que o mundo social está estruturado por atividades e significações e que o sociólogo acede ao estudo deste mundo a partir do conhecimento comum e da própria familiaridade que tem com este mundo. Ora, uma das características do conhecimento comum é a tipificação. O conhecimento comum é, de facto, organizado de forma "típica": "o que é experimentado na perceção atual de um objeto é transferido [...] sobre qualquer outro objeto semelhante, percecionado somente quanto ao seu tipo" (Schütz).
Como Schütz faz questão de explicitar, os atores empreendem uma atividade de tipificação do mundo social, sobretudo através da linguagem. Há, portanto, uma relação estreita entre tipificação e conceptualização. O conhecimento comum organiza as experiências ou os conhecimentos segundo o modo da tipificação: "Como Husserl [...] o demonstrou com brio, todas as formas de reconhecimento e de identificação, mesmo as dos objetos reais do mundo exterior, estão baseadas no conhecimento generalizado dos tipos destes objetos ou na maneira típica como eles se manifestam". Desta forma, a reserva de conhecimentos de que dispomos é constituída por um sistema de tipos, ordenados, por sua vez, por um sistema de pertinência. "É o sistema de pertinência - diz Schütz - que determina o sistema de tipos que organiza a reserva de conhecimentos de que nós dispomos." O sistema de tipos funciona como um dispositivo de interpretação, porque remete o que é estranho (e constitui um problema ou um tema - pertinência temática) ao que é familiar (pertinência interpretativa que se orienta por tipificações).
Como Peter Berger e Thomas Luckmann sublinham: "A realidade da vida quotidiana contém esquemas tipificadores em termos dos quais os outros são apreendidos, sendo estabelecidos os modos como "lidamos" com eles nos encontros face a face. Assim, apreendo o outro como "homem", "europeu", "comprador", "tipo jovial", etc." Vemos os outros como tipos de atores e esperamos que se comportem de forma típica; como observa Schütz, "quando eu deito uma carta na caixa do correio, espero que pessoas desconhecidas, designadas de carteiros, ajam de modo típico, ...".
A tipificação das ações permite as expectativas, funcionando, ao mesmo tempo, como esquema de interpretação.
Weber analisa os conceitos sociológicos como tipos ideais. Estes conceitos (como o conceito de capitalismo, por exemplo), que são construções, permitem apreender e compreender as relações sociais na sua singularidade, sem descrever propriamente toda a complexidade empírica.
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