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Torre de Menagem

Terras férteis, boas águas e excelente posição estratégica fizeram da cidade transmontana de Chaves um lugar cobiçado pelos diversos povos invasores do território nacional. Para proteger essas riquezas e a sua posição privilegiada, os povos pré-romanos ergueram um castro que seria ocupado pelos Romanos. A Aquae Flaviae romana foi importante na encruzilhada de vias terrestres do Norte peninsular, pelo que esta área recebeu novas e poderosas defesas.
Arrasada por Vândalos e conquistada por Suevos e Visigodos, Chaves teve pouco tempo para respirar tranquilamente e reerguer o seu burgo em paz. Com efeito, no século VIII chegava a invasão dos Árabes.
Algum tempo depois, partia do reino de Leão o primeiro exército cristão que libertaria esta cidade em 888, o que motivou a construção de novas fortificações. No entanto, a sombra do Islão fazia-se sentir sobre a cidade. Durante mais de dois séculos, Chaves foi tomada várias vezes pelas armas cristãs e outras tantas perdida para o mundo islâmico. A conquista definitiva aconteceu pela mão dos ousados irmãos e cavaleiros Rui e Garcia Lopes, recompensados por D. Afonso Henriques com a doação do governo da cidade e do castelo flavienses.
No tempo de D. Sancho I prosseguiu-se com as obras militares iniciadas sob o reinado de D. Afonso Henriques. Com D. Dinis levanta-se a monumental Torre de Menagem e uma outra cerca amuralhada.
Os tempos de pacífica convivência com os espanhóis eram frequentemente interrompidos por períodos de guerra. Na crise de 1383-85, o alcaide de Chaves alinhou pelo partido de D. Beatriz e de Castela, o que lhe valeu um cerco de quatro longos meses e a derrota às mãos dos portugueses comandados por D. Nuno Álvares Pereira. D. João I entrega ao condestável o senhorio desta praça-forte, transmitindo-o este por herança a sua filha e ao seu genro D. Afonso, conde de Barcelos e futuro duque de Bragança. D. Afonso faria da Torre de Menagem flaviense a sua residência particular, pelo que esta torre ficou conhecida por Albergue dos Duques de Bragança.
Durante as Guerras da Restauração, o Castelo de Chaves foi profundamente modificado e adaptado às técnicas modernas da pirobalística, levantando-se novas muralhas e várias fortalezas abaluartadas - caso dos fortes de S. Francisco e de S. Neutel.
Ainda assim, a parte central das defesas flavienses teimava em permanecer a Torre de Menagem ao tempo de D. Dinis. Com a expansão urbana de Chaves, foram demolidos largos trechos das suas muralhas.
De grande elegância estética e poderosa estrutura militar, a Torre de Menagem ergue-se no centro de uma elevação do burgo antigo, protegida pelas modernas cortinas defensivas seiscentistas e vigiando silenciosamente a planície que se estende em redor. A ampla praça de armas mostra o último reduto do castelo, constituído por um pano de muralhas arruinado e rasgado por uma porta que é protegida por balcão apoiado em mísulas. Dessa pequena cortina defensiva são ainda visíveis uma bela torre circular de flanco, apoiada em mísula espiralada e com o parapeito rasgado por troneira cruzetada. Novo balcão misulado sobressai num dos topos das muralhas.
No centro da pequena cidadela impõe-se a altiva massa quadrangular granítica da Torre de Menagem dionisiana. Acede-se ao seu interior por porta circular protegida por balcão misulado. O interior da antiga residência dos primeiros duques de Bragança é formada por amplos salões com abóbadas nervuradas, iluminados por portas e fenestrações ogivais. Atualmente, estas salas encontram-se adaptadas a um Museu Militar.
Exteriormente, a torre é encimada por parapeito protegido por balcões misulados e ameias piramidais, reforçada por pequenas e circulares torres angulares ameadas e com dispositivo de mata-cães.

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