Artigos de apoio

Torre de Palma

Inserida na categoria de villa (casa de campo, herdade) centrada em torno de peristilo (17,5 x 16,25 m), a pars urbana (parte urbana) de Torre de Palma ocupa uma área de cerca de 13 000 m2. As duas salas principais da residência, abertas para o peristilo, são pavimentadas por interessantíssimos mosaicos de excelente fabrico.
A primeira, de planta retangular (10,24 x 6,35 m), serviria de triclinium (sala de jantar). Apresenta, à entrada, o famoso friso das nove musas legendado com a inscrição "Scopa aspra tesselam ledere noli. Uteri f(elix)", ou seja, "Não estragues o mosaico com a vassoura dura. Felicidades". O mosaico ostenta ainda vários medalhões onde se inscrevem diversas figuras mitológicas e cenas da tragédia clássica.
A segunda sala, em tripla abside, é pavimentada, em grande parte, por um mosaico de cariz figurativo representando cinco cavalos. Os tons repartem-se pelo branco, cinzento, verde, amarelo, encarnado e preto. À entrada, uma faixa de 0,95 m de largura apresenta a parte central decorada por motivo losangular moldurado por friso de corda. Lateralmente, ornamentos em forma de cruz gamada, motivo que se vai repetir nos espaços quadrangulares entre os cavalos. As molduras onde se inscrevem os cavalos dispõem-se em X. Os cavalos dos quatro cantos são, pois, representados de perfil, ao passo que o cavalo central o é a três quartos. Um pormenor bastante interessante é o de ambos os cavalos do lado direito do mosaico exibirem o ferro do lavrador. O cavalo do canto superior apresenta a palma e o inferior um porco. Verifica-se que a Herdade onde estão estas ruínas ainda hoje se chama Torre de Palma e, facto curiosíssimo, a propriedade vizinha denomina-se Herdade do Bácoro.
Uma parte desta residência dispõe-se, ainda, à volta de um segundo peristilo de menores dimensões.
A fachada principal da casa encontrava-se virada para um grande pátio de formato trapezoidal e parcialmente porticado, à volta do qual se dispunham as instalações dos criados.
Afastadas do núcleo residencial erguem-se as ruínas de um edifício termal.
A ocupação desta villa foi longa, estendendo-se desde o século I d. C. à época visigótica, período em que parece inserir-se a basílica com o batistério, situada a norte da residência.
A Torre de Palma foi declarada Monumento Nacional pelo decreto 251/70, de 3 de junho.

1

2

3

4

5