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transformações sociais

A Sociologia, que, desde os seus primórdios (com Saint-Simon e Comte), se ocupa do estudo das transformações sociais, adquire com Marx uma conceção revolucionária da transformação. Marx, em plena metade do século XIX, distingue, na evolução do capitalismo, dois tipos de transformação: um progressivo, de desenvolvimento das forças produtivas, outro revolucionário, provocado pela contradição entre o desenvolvimento das forças produtivas e o sistema institucional.
Nas sociedades modernas, a "revolução" tem o sentido da instauração da transformação social. A noção de "revolução" exprime o modelo moderno da experiência histórica, direcionada para um futuro novo. O conceito de "revolução" (e também o de "emancipação") vai, assim, passar do domínio político-jurídico limitado para o domínio social. A revolução designa, desde o século XIX, o processo de uma transformação que poderá ser aplicada ao domínio social, à industrialização ou à transformação tecnológica, para além do seu uso no campo político. Passa, portanto, a designar transformações políticas e sociais decisivas, assim como inovações cientificamente importantes. Fala-se da revolução do proletariado, da revolução cultural chinesa, da segunda revolução industrial, de uma revolução tecnológica, etc.
À conceção revolucionária, os evolucionistas opuseram uma conceção progressiva das transformações. Spencer encara a transformação como um processo do simples ao complexo, do homogéneo ao heterógeneo, da passagem das sociedades de tipo "militar" às sociedades de tipo "industrial". Durkheim não adere à teoria evolucionista, mas mantém a ideia da passagem à complexidade, a transformação da solidariedade mecânica em solidariedade orgânica.
Evoluções, revoluções e mutações constituem, pois, diferentes formas de transformações sociais.
Desde os anos 70 do século XX que uma sociologia "dinâmica" (Balandier) se afasta do paradigma estruturalista (Lévi-Strauss, 1958), para se dedicar ao estudo das transformações sociais; esta sociologia das transformações sociais encontra-se nos trabalhos de Balandier e de Touraine. A descolonização, a formação de novas nações, os movimentos revolucionários, são matéria de estudos sociológicos. Balandier estuda as condições da descolonização em África e as transformações do sistema político-económico colonial até à autonomia política. Touraine desenvolve uma teoria dos "movimentos sociais".
A ação política pode ser entendida como o tipo de ação cujo objetivo é a realização de transformações sociais, conferindo-se uma importância central aos conflitos e às relações de poder e de dominação. Frequentemente também o estudo das transformações sociais está ligado ao estudo do desenvolvimento económico. Hoje, a Sociologia tem tendência a admitir uma pluralidade de causas e de tipos de transformação social; esta pode, aliás, ser entendida como a adaptação a condições que estão elas próprias em transformação. Com efeito, dada a multiplicidade das transformações (políticas, militares, institucionais, económicas, culturais, das condições de trabalho, do consumo ou ambientais), os estudos sociológicos começam a ter em linha de conta a diversidade de causas (os conflitos, as crenças, as transformações demográficas, científicas e técnicas, ou ideológicas).
Nas sociedades europeias e norte-americanas contemporâneas, deparamos com transformações que se prendem com a extensão do modo de vida urbano que afeta a classe camponesa, com a extensão do teletrabalho, com o reforço das identidades étnicas, com o desenvolvimento de novas tecnologias e novos meios de informação e comunicação, etc.

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