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Tratado de Arras
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Série de dois tratados de paz assinados no século XV (1435 e 1482).

O primeiro tratado resultou de um congresso reunido na cidade de Arras que pôs termo à guerra travada entre a França e os aliados Inglaterra e Borgonha. Após mês e meio de complicadas negociações, chegou-se a um impasse e a Inglaterra retirou-se. As condições que pretendia impor eram inaceitáveis e, após a morte do duque Bedford, o duque da Borgonha consentiu no prosseguimento das negociações sem a presença da Inglaterra. O duque Filipe, o Bom, para abandonar a aliança com a Inglaterra, pediu a intervenção do Papa, levando o monarca inglês Henrique VI a repudiar este ato, conduzindo à libertação do compromisso anteriormente acordado.

A 21 de setembro de 1435, a conclusão das negociações conduziu à assinatura do tratado de paz. Para a manter, Carlos VII fez importantes cedências: entregou a Filipe os condados de Macon e Auxerre; a castelania de Bar-sur-Seine, Luxeil, Crèvecoeur e Arleux no Cambrésis; Mortagne no Tournais; o condado de Ponthieu, Boulogne-sur-Mer, Saint Quentin, Courbie, Amiens, Abbeville e as castelanias de Péronne, Roye e Montdidier na Picardie. Quanto às povoações do Somme, a Coroa ressalvou a hipótese de as reaver mediante o pagamento de 400 mil escudos de ouro, o que não deixava de ser uma bela compensação para o duque.

Além disso, o monarca isenta Filipe, o Bom de lhe prestar homenagem em toda a sua vida, o que representava uma concessão de peso pois reconhecia o poderio da casa da Borgonha - o que, de qualquer modo, se justificava, pois fora graças ao apoio deste potentado senhorial que os ingleses se haviam apoderado da França. De facto, quando a Coroa sela esta aliança com o velho rival borguinhão, filho de João Sem Medo, o futuro é mais risonho para o lado francês e, pelo contrário, tudo muda, definitivamente, desfavoravelmente para o lado do rival do outro lado da Mancha. Ao fim e ao cabo, este tratado, o mais importante do reinado de Carlos VII, é a reconciliação do rei legítimo com o filho da vítima.

O segundo tratado assinado em Arras colocará fim a uma terrível guerra.

O casamento de Maria da Borgonha, filha de Carlos VII, o Temerário, com Maximiliano da Áustria deu azo a uma violenta guerra que terminou depois da morte da duquesa Maria e levou à conclusão o Tratado de Arras; este facto aconteceu a 23 de dezembro de 1482.

Por via do casamento entre o delfim com Margarida de Áustria, filha de Maria e Maximiliano, Luís XI garantiu importantes ganhos territoriais à custa do antigo Estado borguinhão, agora praticamente desmembrado; mas a paz de Arras não ratificou estes ganhos. Os flamengos não quiseram deixar Artois e o franco-condado ao rei de França senão como doação de Margarida. Se o casamento projetado não se realizasse, o dote deveria regressar a Maximiliano ou ao seu filho Filipe. Carlos VIII, viria, na realidade, a desposar Ana da Bretanha. Pelo Tratado de Senlis, de 23 de maio de 1493, concluído com Maximiliano, punha-se termo às questões pendentes depois de 1482. O Artois e o Franco-Condado escapavam à França e continuavam na esfera austríaca.

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Como referenciar
Tratado de Arras na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$tratado-de-arras [visualizado em 2026-06-27 02:57:09].

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