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Túmulos do Egito Antigo

Para os egípcios os túmulos eram a "casa da eternidade", sendo os vestígios mais comuns ao longo do Nilo egípcio. De todos os períodos ficaram inúmeros túmulos, uns maiores outros mais pequenos, uns mais simples outros menos. Os lugares de enterramento dos Antigos Egípcios foram evoluindo ao longo dos tempos. Com efeito, os primeiros túmulos eram simples e modestos, com o passar do tempo começaram a ser feitos com tijolos e revestimentos externos, em seguida apareceram as mastabas, cujo desenvolvimento e evolução arquitetónica permitiram que se chegasse às pirâmides escalonadas e, por fim, às pirâmides lisas.
Junto do túmulo do rei encontrava-se uma "capela" para o culto, a qual era, por norma, pequena e onde os parentes do morto se podiam reunir e deixar as oferendas. Durante o Império Antigo, os túmulos das pessoas mais endinheiradas eram de construção maciça, grande e com vários compartimentos, além de serem decoradas com estátuas, relevos coloridos e inscrições várias. Foi durante esta época que se procedeu à construção das grandes pirâmides, de resto, este é o período de maior manifestação artística do Egito, muito devido à prosperidade económica e ao desenvolvimento político e económico conseguido graças à política de continuidade.
Os túmulos dos primeiros reis foram construídos com tijolos até que o rei Djoser da Terceira Dinastia (Império Antigo) introduziu algumas alterações importantes na construção. As primeiras pirâmides escalonadas surgiram com este faraó em Saqqara, feitas com blocos. O princípio subjacente à sua construção é o das mastabas, porém, esta pirâmide de degraus caracteriza-se por ser em pedra, maior do que as mastabas e assentar em degraus., como se fossem mastabas sobrepostas até se atingir a forma piramidal, de acordo com a conceção de Imhotep, mítico arquiteto do tempo de Djoser. Os progressos técnicos permitiram que na Quarta Dinastia surgissem as pirâmides lisas, como as que se vêm em Giza (Gizé), de Kafren (Quéfren), Menkauré (Miquerinos) e Khufu (Qéops).
As pirâmides lisas de Giza foram a forma de túmulo mais apreciada já que continuaram a existir até à XVIII Dinastia (começo do Império Novo, c. 1550 a. C.). As câmaras inicialmente não tinham qualquer tipo de decoração, mas com o passar do tempo começaram a ter inscrições e decoração. Ligado a cada pirâmide estava uma capela para o culto. As pirâmides são vistas como um bem do Egito e do povo egípcio, daí o grande valor simbólico que tinham.
Durante o Império Médio, os faraós tinham menos poder e assistia-se a uma certa degradação artística. Lentamente as pirâmides começaram a desaparecer e surgiram os túmulos funerários, os quais revelavam um novo conceito arquitetónico, maior pragmatismo visível no aproveitamento da encosta para a construção dos túmulos e maior axialidade.
Do Império Novo datam as grandes transformações. É um período marcado por muitos conflitos bélicos o que acaba por se refletir na própria arte. O objetivo principal dos faraós deste período é imitar tudo o que se fez no Império Antigo, contudo, estes não têm a mesma situação económica nem as mesmas condições favoráveis à prosperidade e desenvolvimento. Os túmulos construídos são escavados na terra, como se pode ver no Vale dos Reis, caracterizam-se por terem galerias largas e compartimentos muito ricos em decoração, inscrições, relevos e pintura mural.
Os locais de enterro estão localizados no lado Oeste do Rio Nilo, e não nas zonas com tendência para inundações, além disso, como os Egípcios acreditavam na vida para além da morte, os túmulos deveriam encontrar-se na zona onde o sol (Rè, ou Rá) se põe. As terras de cultivo, exíguas e estreitas, alagáveis na grande cheia do verão, deviam ser reservadas à agricultura, logo as áreas de sepultamento estavam no deserto ocidental limítrofe às zonas verdes do vale do Nilo.
Todos estes edifícios funerários pretendiam ser invioláveis, porém isso não acontecia. A evolução da construção relaciona-se também com a tentativa de manter estes espaços sagrados preservados e intactos.

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