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verosimilhança

Termo de origem latina (verus que significa verdadeiro e similitudo, semelhança) com o qual se denomina um princípio da estética clássica que provoca efeito visual, no leitor ou espectador, devido à natureza mimética das obras.
O conceito de verosimilhança surge na Poética de Aristóteles na qual se defende que compete, ao historiador, abordar o verdadeiro e, ao poeta, o possível. Este conceito relaciona-se com o de mimesis ou imitação das ações dos homens, o que cria no público um reforço da credibilidade, do que é possível acontecer. Para Aristóteles, é de "preferir o impossível que persuade ao possível que não persuade." (Poética, 1461b). Segundo o poeta Horácio, as obras devem ser ficções imaginadas mas próximas da verdade, pois só assim poderão proporcionar prazer ao leitor.
No entanto, a conceção da realidade e dos modos e métodos, com que ela deve ser representada, difere nos vários movimentos literários. No Renascimento e até ao Neoclassicismo, a mimesis e a verosimilhança são uma questão importante na poética. O termo verosimilhança surge pelos teóricos do século XVII em substituição do termo "possível" de que fala Aristóteles. Em nome da credibilidade poética, os neoclássicos reprovam o maravilhoso barroco, a complexidade e o inverosímil, procurando incutir na literatura uma lógica racionalista. O Classicismo procura incluir na literatura, não o particular, único e insólito, mas o geral, o universal, o intemporal e o verdadeiro. No Naturalismo ou Realismo Socialista, a verosimilhança estava associada à noção de que toda a obra de arte deve constituir uma cópia fiel, um reflexo da realidade, tal como esta se apresenta. No Romantismo, a abordagem mimético-realista da obra de arte é anulada por um desejo de liberdade criativa e imaginativa, mantendo contudo a coerência e a lógica interna.
De mencionar ainda que Todorov, na sua obra Poética, afirma que, para Aristóteles, o verosímil "não é uma relação entre o discurso e seu referente (relação de verdade), mas entre o discurso e aquilo que os leitores consideram verdadeiro". Nesse sentido, Todorov afirma que esta perspetiva de verosimilhança vem introduzir um terceiro discurso na obra, o discurso de cada um dos indivíduos da sociedade, o da "opinião comum".
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