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vitral
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A origem do vitral - composição decorativa feita com vidraças coloridas - em Portugal remonta ao periodo de vigência da arte gótica e está associada às construções dos mosteiros e sés desta fase artística. Aqui eram utilizadas simbolicamente as vidraças multicolores das amplas aberturas como "paredes translúcidas". A cor e a luz estabeleciam, no plano espiritual, a íntima comunhão de Deus com os homens.
A fragilidade das matérias constitutivas do vitral - os painéis de vidro e o chumbo que os ligava - contribuiu para a escassez de vitrais anteriores ao século XV. A nível europeu, a arte do vitral expandiu-se entre os séculos XII e XV pelos territórios da Alemanha, França, Inglaterra e Flandres, influenciando a arte portuguesa através da importação dos seus modelos, técnicas e artistas.
Uma carta de privilégio passada por D. Afonso V em 30 de março de 1446 testemunha a primeira referência ao ofício de vidreiro em Portugal. Trata-se do mestre vidreiro Guilhelme, em atividade no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha. Contudo, os mais antigos vitrais da Batalha inscrevem-se no primeiro quartel do século XV.
Vitral decorado com motivos religiosos
Pormenor de um vitral português
O desleixo dos homens e o desgaste do tempo contribuíram para a escassez de exemplares da magnífica e frágil arte do vitral em território nacional. Os vitrais sobreviventes apresentam uma datação entre o século XV e o século XVI, procedendo-se, nos séculos seguintes, à sua conservação e restauro.
O núcleo mais numeroso e valioso encontra-se ligado ao Mosteiro da Batalha, espalhando-se um pouco por todas as aberturas e janelas desta magnífica obra-prima do gótico nacional. Do século XV restam alguns nas janelas laterais do corpo da igreja, nas bandeiras das janelas da Sala do Fundador e no janelão da fachada principal. Aqui trabalharam artífices como mestre Guilhelme, o alemão mestre Luís, João Rodrigues e o flamengo mestre João.
No século seguinte existe notícia da continuidade deste último mestre flamengo, para além do francês Pero Picardo e de uma geração portuguesa, os mestres Taca (pai, filho e neto), que dominaram a arte do vitral da Batalha durante 79 longos anos. Sobressaem aqueles que decoram as frestas da capela-mor da igreja, bem como o janelão da Sala do Capítulo, datado de 1514.
Os temas mais recorrentes que decoram os vitrais da Batalha inscrevem-se no universo religioso bíblico, em figuras de santos, motivos heráldicos das famílias reais portuguesas e motivos geométricos e fitomórficos, pintados com mestria e equilíbrio de cor e desenho.
No entanto, a arte do vitral não se esgota no acervo artístico do Mosteiro da Batalha. Por descrições e documentos coevos tem-se conhecimento que outros templos religiosos de Portugal possuíram vitrais de grande valor artístico, nomeadamente na Abadia de Alcobaça, na Sé e na Igreja de S. Francisco, em Évora, para além do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, do Convento de Cristo de Tomar, do Convento de Jesus de Setúbal, etc. Nalgumas dessas empreitadas destaca-se o nome de Francisco Henriques, famoso artista flamengo com notável produção no Sul de Portugal.
Vestígios da arte do vitral subsistem na Igreja Matriz de Viana do Alentejo, aludindo os seus fragmentos, reconstituídos neste século por Ricardo Leone e datáveis da primeira metade do século XVI, às figuras de S. Pedro e de S. Paulo. De Santa Clara de Vila do Conde é o pequeno vitral ostentando as armas dos Menezes, senhores de Cantanhede, e com provável datação da segunda metade do século XV, atualmente guardado no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto. Finalmente, o acervo do vitral em Portugal reconstitui-se com alguns fragmentos coloridos de uma janela da capela-mor do Convento de Jesus de Setúbal, neles constando a data de 1539.
Nos finais do século XVI, a arte do vitral entrou num periodo de acentuada decadência, tanto na Europa como em território nacional. O seu tempo terminara e o gosto dos homens levou à marginalização de uma das linguagens mais eloquentes das artes decorativas.
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vitral na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$vitral [visualizado em 2026-06-09 20:06:03].
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