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Cavaleiros Teutónicos

Em 1190, comerciantes das cidades de Bremen e Lübeck organizaram em Acre, na Terra Santa, um hospital de campanha para os soldados alemães pobres, doentes ou feridos em combate. Pouco tempo depois, cavaleiros de origem alemã fundaram nesta casa uma ordem hospitaleira, seguindo o modelo dos Hospitalários de S. João de Jerusalém. A nova ordem foi aprovada em 6 de novembro de 1191 pelo papa Clemente III. Esta, em 1198, tornou-se uma ordem militar, rival da do Templo, e especializada na luta contra os muçulmanos, que então eram designados pelos cristãos como "infiéis". Este novo carácter militar foi confirmado pelo rigoroso papa Inocêncio III em 1199, conferindo à nova milícia alemã a Regra dos Templários. Os cavaleiros "teutónicos" eram recrutados entre a nobreza alemã.
Em 1211, a ordem retira-se da Terra Santa. Funda então a cidade livre de Kronstadt (atual Brasov, na Roménia), na Transilvânia, atraindo para a região a colonização alemã, que ainda hoje perdura. Esta prática de fundações de castelos que rapidamente se tornam o centro de novas povoações pelos Cavaleiros Teutónicos será constante ao longo do século XII, desde a Estíria (Áustria), à Turíngia, na Alemanha Central, na Boémia e em outras regiões da Europa Central. No entanto, a tradição de fundar e manter hospitais e albergues não se perdeu na ordem.
A Ordem Teutónica assentará, a partir do século XIII, o seu desenvolvimento sobre dois vetores de orientação: um, de promoção da colonização alemã da Europa de Leste (o Drang Nach Osten, "avanço para Leste"); o outro, ligado ao anterior, de evangelização dos Eslavos. A quando da morte do grão-mestre Hermann von Salza (1212-1239), a Prússia e a Livónia (uma área que corresponde à região entre o nordeste da Polónia e aos países bálticos) tinham já sido conquistados pelos Cavaleiros Teutónicos. Em 1291, dá-se, contudo, um rude golpe nas ordens religiosas militares, a que não fugiram os Cavaleiros Teutónicos, e na Cristandade em geral: Acre, último reduto cristão na Terra Santa cai em poder dos muçulmanos, perdendo-se as últimas ligações desta com os cavaleiros.
Em 1309 a ordem reestrutura-se, passando o grão-mestre a residir em Marienburg, junto ao rio Vístula (na atual Polónia). Neste mesmo ano, a Pomerânia e a cidade de Dantzig (atual Gdansk, na Polónia) são definitivamente conquistadas pelos Teutónicos. O século XIV será, de facto, o período de apogeu da Ordem Teutónica, pois em 1410, com o desastre militar de Tannenberg, em que os seus cavaleiros foram vencidos pelo rei polaco Ladislau II Jagelão, o declínio do poder daquela milícia germânica começava. No fim do mesmo século, os seus senhorios resumiam-se já apenas à Prússia Oriental (atual nordeste da Polónia e região russa de Kaliningrad) e a uma parte da Livónia.
O século XVI será o tempo da agonia dos Cavaleiros Teutónicos. O último grão-mestre, Alberto de Brandemburgo, aderiu à Reforma Protestante em 1525, secularizando logo a ordem. A Casa de Brandemburgo, agora luterana, detém o domínio sobre a Prússia, que passa a ser seu ducado hereditário. Em 1809, a ordem foi totalmente suprimida por Napoleão na Alemanha, sobrevivendo apenas na Áustria, território onde se manterá a tradição dos cavaleiros teutónicos, já então mais hospitaleiros e assistenciais e menos militares. Esta dimensão será consolidada pelo decreto papal emitido por Pio XI em 21 de novembro de 1929 que transformava os Cavaleiros Teutónicos em uma ordem clerical composta por sacerdotes, irmãos e irmãs. Enfim, passavam a ser uma ordem unicamente religiosa, igual a tantas outras, o que permitiu que se salvasse e não conhecesse a extinção definitiva. Mas os ventos agrestes do nacional-socialismo (nazismo) alemão não foram bons para a renovada ordem teutónica, suprimida que foi pelos esbirros de Hitler em setembro de 1938 na Áustria e no ano seguinte na Checoslováquia. A ordem, apesar da situação difícil, conseguiu sobreviver na própria Alemanha ao ateísmo oficial nazi, relançando-se mesmo depois do fim da Segunda Guerra Mundial, contando hoje cerca de cem religiosos sacerdotes, alemães ou austríacos na sua maioria. Os seus membros, apesar de clericalizados, mantém uma aura da velha tradição teutónica, irrepreensivelmente visível nos costumes e principalmente na indumentária. O hábito religioso dos cavaleiros mantêm ainda a capa branca com uma cruz negra orlada do lado esquerdo da mesma, caindo sobre o peito aquando apertada ao pescoço. Esta cruz teutónica está na origem da célebre "cruz de ferro" das forças armadas alemãs, ainda em uso.

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