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Crise Mundial dos Anos 70

Uma desregulamentação do sistema monetário internacional e dois choques petrolíferos (em 1973 e 1979) estiveram na origem de uma crise económica que, no início dos anos 70, travou o ritmo de crescimento nos países industrializados. O dólar americano, que servia de referência a todas as economias ocidentais desde a década de 40, foi desvalorizado a 15 de agosto de 1971 e perdeu a sua paridade relativamente ao ouro. Dois anos depois, no final de 1973, os países árabes membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), aumentaram quatro vezes o preço do petróleo no espaço de três meses, numa altura em que estavam em guerra com Israel, e nacionalizaram as instalações ocidentais. Entre 1979 e 1980, ocorre uma nova crise petrolífera. Com a queda da oferta, os preços do barril sobem para cima de 30 dólares, e o aumento desta fonte de energia tem graves repercussões nalguns setores industriais da Europa, que denotam uma nítida dificuldade em acompanhar os tempos, em especial a siderurgia, a construção naval e a química pesada.
A subida de preços arrasta o déficit comercial, e as atividades mais relacionadas com a utilização do petróleo, como por exemplo a construção automóvel, sentem mais de perto esta recessão económica. Deu-se também um agravamento da inflação, e a Europa entra numa fase denominada de estagnação, isto é, uma combinação de uma recessão com o aumento da inflação. Como resultado desta situação registam-se inúmeras falências e a crise das indústrias tradicionais que haviam estado na base do arranque da Revolução Industrial, como a siderurgia, a metalurgia, os têxteis e derivados destas.
O problema do desemprego, que no princípio dos anos 70 quase desaparecera, volta a afligir as economias europeias, mas desta vez é um desemprego muito focalizado: atinge essencialmente jovens sem formação especializada, mulheres, trabalhadores imigrantes e os operários das indústrias tradicionais. A taxa de desemprego na CEE (Comunidade Económica Europeia) chegou a atingir, em 1983, cerca de 10% da população ativa, o que é uma fasquia bastante elevada. Afetou principalmente o Reino Unido e a Itália.
Para agravar a crise, os trabalhadores imigrados, em luta pelos seus postos de trabalho, são vítimas da marginalização social e, em alguns países, são alvo de movimentos xenófobos, num período em que ressurgem as ideologias fascistas.
Analisando mais de perto, já no início da década de 70 se faziam sentir os sinais desta crise à escala mundial: a produção industrial estava a diminuir, verificava-se um aumento generalizado dos preços dos produtos, as taxas de desemprego estavam a subir e algumas indústrias como a siderurgia, a construção naval, a indústria têxtil, a construção automóvel e o setor dos transportes aéreos ameaçavam falir.
Contrariamente à grave crise de 1929, a de 1970 estava associada a uma alta de preços. Neste caso, houve a conjugação de uma estagnação com a inflação, o que provocou um aumento dos preços mas também uma subida dos salários e levou a uma proteção dos sistemas sociais nalguns países da Europa Ocidental; estes conseguiram afastar uma parte dos efeitos negativos desta crise através dos subsídios de desemprego e da manutenção do poder de compra.
A uma queda inicial do comércio internacional, seguiu-se um crescimento, compreensível porque o crash da bolsa americana em 1973 não teve graves repercussões na economia mundial como tivera o mesmo fenómeno no final da década de 20. Pode até dizer-se que alguns países ultrapassaram facilmente esta crise depois de 1973, pela reconversão da indústria conseguida através da transformação dos setores mais fragilizados por outros que suscitassem uma maior procura.
É do consenso geral que dois fatores concorrem para a explicação desta crise da década de 70. Por um lado, era evidente a desvalorização do dólar americano, para além da perda da sua paridade em relação ao ouro decretada pelo presidente Nixon em 1971; por outro, as crises petrolíferas de 1973 e 1979 conduziram a um aumento muito acentuado do preço do petróleo e este, consequentemente, dos bens de consumo.
A quebra da paridade do dólar americano e do ouro em 1971 alterou o sistema monetário internacional, que estava assente nos acordos de Bretton-Woods de 1944, a partir dos quais se fundou o FMI. A decisão tomada pelo presidente americano conduziu a uma flutuação das moedas mais significativas e a uma instabilidade no comércio internacional.
A importância da subida repentina dos preços do petróleo, e a sua descida de produção decretada pelos países da OPEP, aparentemente motivada pela guerra com Israel, foi exacerbada por alguns autores, mas não há dúvida que teve um grande peso nesta crise a partir de 1973, embora não seja a sua principal causa. Houve um aumento repentino do desemprego e da inflação, e os países atingidos por estes acontecimentos tiveram de diminuir o consumo de energia numa época de crise petrolífera, o que fez diminuir a procura.
O choque petrolífero precipitou esta crise mas não foi o seu motor, pois a debilidade deste setor já se vinha fazendo sentir desde a década de 60. Por outro lado, a tomada de posição da OPEP não se prendeu somente com a guerra israelo-árabe, mas também com fatores económicos: os países industrializados compravam esta matéria prima muito barata para a transformarem depois em produtos de elevado custo. Esta situação só podia ser invertida com um aumento dos preços da matéria prima e, consequentemente, das receitas da OPEP. Portanto, a motivação política escondia propósitos económicos. O aumento do preço do petróleo conduziu a um aumento da inflação, que provocou a redefinição das políticas económicas nos países industrializados.
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