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Dos Loucos Anos 20 à Crise de 1929-1933

A partir de 1919 os Estados Unidos da América reafirmaram a sua hegemonia no setor industrial mundial, numa altura em que a Europa passava por uma crise motivada pela desvalorização da moeda, o aumento de preços e a deterioração dos conflitos sociais, em grande medida consequências da Primeira Guerra Mundial.
A crise com que os EUA se debateram meses após o fim da guerra foi ultrapassada com o aumento da procura, tanto interna como externa. Este crescimento económico saldou-se por um incremento do volume das exportações e uma forte diminuição das taxas de desemprego proporcionada pelo desenvolvimento da indústria.
O crescimento do consumo nos Estados Unidos foi possível por influência direta do aumento salarial e pelo incremento dos rendimentos provenientes da agricultura.
No início da década de 20 esta tendência de crescimento económico inverteu-se devido a uma alteração conjuntural resultante da junção de três fatores: efeitos da especulação na Bolsa instigados pela especulação económica de 1919; agravamento da inflação e forte tendência de desvalorização da moeda na Europa e diminuição da procura de produtos americanos por parte dos mercados europeus.
Esta quebra conduziu à descida de preços nos EUA, a qual se manteve até 1926, e significou uma redução da produção industrial. Esta crise incidiu essencialmente na indústria têxtil, mas alastrou-se a outros setores vitais da indústria, como a metalurgia, e fez-se sentir também na agricultura.
As economias americana e europeia foram afetadas pelo aumento das taxas de desconto, de 6% para 7%, e pela diminuição do crédito. Para as grandes companhias, a obtenção de capitais era conseguida através da redução dos stocks e dos preços praticados. Estas medidas tiveram resultados negativos nas empresas de menor envergadura, que se viram impossibilitadas de competir com aquelas.
O volume das importações europeias diminuiu, pelo facto de a Europa se ter tornado dependente do crédito americano. Entre 1920 e 1921 as taxas de desemprego dispararam e os salários desceram drasticamente. A crise na Europa atingia em especial a França e a Inglaterra; contudo, em 1922 as nações industrializadas como a Alemanha, o Japão e os Estados Unidos ultrapassaram os anos menos bons. Neste panorama de recuperação económica destacava-se a América do Norte, que mais tarde, em 1929, assegurava 44% do total da produção industrial mundial.
Aproximadamente em 1925 estava praticamente completa a reconstrução da Europa devastada pela Primeira Guerra Mundial. O nível de vida das pessoas melhorara e as cidades reanimavam-se, com uma panóplia de atividades culturais e de lazer, próprias de uma nova era de prosperidade.
Este período ficou conhecido como os "loucos anos 20", um período em que se cultivava o gosto pela moda, pela música, pelo espetáculo e pelo desporto. Contudo, esta prosperidade não era tão efetiva quanto parecia. O desemprego era ainda uma realidade; o protecionismo económico adotado por muitos governos travava o desenvolvimento económico; a inflação continuava a afligir a economia; a supremacia americana era nociva para os outros países; as especulações bolsistas atraíam investidores; a superprodução ameaçava a agricultura, sobretudo as regiões de monocultura; e a distância entre o capital e o trabalho era abismal.
Nas eleições presidenciais, de 1921, o vencedor foi o candidato republicano Warren G. Harding (1921-1923). No início dos anos 20 a América assistia a um anómalo desenvolvimento da indústria. O Presidente Harding morreu logo em 1923, dois anos depois de ter assumido a presidência. Apesar de se ter descoberto que alguns dos seus colaboradores mais próximos eram corruptos, a chefia da nação foi entregue ao seu vice-presidente e sucessor, Calvin Coolidge (1923-1924-1929), que saiu vitorioso nas eleições de 1924.
Passados quatro anos, as eleições presidenciais foram disputadas entre o candidato republicano Herbert C. Hoover e o candidato democrata Alfred E. Smith. Os resultados eleitorais foram mais favoráveis a Hoover, devido ao prolongamento de uma conjuntura de prosperidade e ao facto de o seu opositor ser católico romano e ser claramente contra a lei da proibição decretada nos Estados Unidos. Outro problema com que a América se debatia era o da imigração massiva de gentes de outros continentes.
Nos anos 20 o Congresso norte-americano reverteu a tendência tradicional da imigração, passando a ser muito mais restrita a entrada de imigrantes. Duas leis de 1921 e 1924 reduziram consideravelmente a emigração europeia.
Nos círculos laborais este período que medeia entre 1920 e 1932 foi muito marcado pelo declínio das uniões sindicais e pelo incremento do unionismo industrial. Esta tendência culminou na formação do Comité para a Organização Industrial (Committee for Industrial Organization) em 1935, que em 1938 se constituiu como o Congresso das Organizações Industriais (Congress of Industrial Organizations).
O assunto mais controverso deste período (1920-1932) dizia respeito à Proibição (Prohibition) ou ''Lei Seca''. Nos Estados Unidos havia um movimento que proibia a manufatura e comercialização de bebidas alcoólicas. Este movimento nasceu no século XIX e no século XX foi ratificado pela 18.a Emenda à Constituição americana.
Esta proibição provocou um movimento paralelo clandestino de fabricantes caseiros e um ambiente de violência instaurado pelos gangsters. É o "período de Chicago", uma época que marca o imaginário americano, e mesmo mundial, tornando célebres homens como Al Capone, Frank Nitti ou Scarface Black, líderes de poderosos bandos.
Em 1929 uma comissão liderada pelo procurador-geral George W. Wickersham tentou pôr cobro a esta situação. Nos resultados apresentados por Wickersham chegou-se à conclusão que as leis proibitivas impostas pelo governo eram um fracasso, uma vez que estas não surtiam o efeito desejado.
A par destas conclusões, a opinião pública americana parecia afastar-se das leis restritivas. Em fevereiro de 1933 o Congresso aprovou uma nova lei. A 21.a Emenda à Constituição concedia o controlo da transação das bebidas licorosas de volta aos Estados. Em dezembro desse mesmo ano a Emenda era ratificada pelos Estados, integrando assim a Constituição.

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