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Eunice Muñoz

Atriz portuguesa nascida a 30 de julho de 1928, em Amareleja, no Alentejo. Proveniente duma família de atores amadores, aos cinco anos já pisava os palcos em diversas tournées familiares com a Companhia Mimi Muñoz. Após ter completado o magistério primário em Fornos de Algodres, decidiu partir para Lisboa para prosseguir uma carreira profissional. Amélia Rey Colaço reparou no seu talento e convidou-a a interpretar o papel de Isabel na peça Vendaval (1941), de Virginia Victorino, levada à cena no Teatro Nacional. Após ter contracenado com Estevão Amarante na opereta João Ratão (1941), voltou ao palco do Teatro Nacional para emocionar o público com a sua interpretação de Maria em Frei Luís de Sousa (1942). Em 1945, concluiu o curso do Conservatório com 18 valores, o que motivou o convite de Vasco Santana para trabalhar ao lado dele e de Mirita Casimiro na comédia musical Chuva de Filhos (1946). No mesmo ano, fez a sua estreia cinematográfica em Camões (1946), de Leitão de Barros, interpretando o papel da fidalga Beatriz da Silva. A sua estreia foi auspiciosa, tendo sido agraciada com prémio para melhor atriz do SNI. Em 1947, casou-se com o arquiteto Rui Couto. Continuou a fazer cinema, trabalhando em A Morgadinha dos Canaviais (1949) e Ribatejo (1949). Após protagonizar a peça João da Lua (1952), decidiu retirar-se da atividade artística, trabalhando durante os três anos seguintes como caixeira. Regressou aos palcos em 1957 com uma prestação significativa em Noite de Reis, de William Shakespeare. Durante os anos seguintes, o seu prestígio como uma das maiores atrizes teatrais nacionais consolidar-se-ia com brilhantes desempenhos em peças como Adorável Mentiroso (1963), de Jerome Kilty, Verão e Fumo (1966), de Tenessee Williams, Fedra (1967), de Racine, As Criadas (1972), de Jean Genet, Felizmente Há Luar (1978), de Luís de Sttau Monteiro, e A Casa de Bernarda Alba (1983), de Garcia Lorca. Mas a peça que a imortalizará é, sem dúvida, Mãe Coragem e Seus Filhos (1986), de Bertolt Brecht. Em Passa Por Mim no Rossio (1991), de Filipe La Féria, recriou de forma brilhante o ator Estevão Amarante com quem tinha trabalhado cinquenta anos antes. Já nos anos 80, voltou em força ao cinema, destacando-se a sua caracterização de Dona Estefânia em Manhã Submersa (1980), a adaptação do romance de Vergílio Ferreira, bem como as suas prestações em Repórter X (1987), de José Nascimento, Matar Saudades (1988), de Fernando Lopes, e Tempos Difíceis (1988), de João Botelho. Resistindo, inicialmente, a trabalhar em televisão, em 1993, decidiu aceitar o desafio de Walter Avancini e protagonizar para a RTP a telenovela A Banqueira do Povo, interpretando Dona Benta, uma personagem baseada na figura de Dona Branca, uma burlona condenada durante os anos 80 por fraude e corrupção. Encabeçando um elenco que compreendia nomes como os de Raul Solnado, Carmen Dolores, Jacinto Ramos, João Perry e Alexandra Lencastre, a composição de Muñoz foi elogiada por todos os quadrantes críticos, apesar dos medíocres índices de audiência. Seis anos depois, protagonizou, ao lado de Ruy de Carvalho, a telenovela Todo o Tempo do Mundo (1999), exibida na TVI. Continuou a trabalhar frequentemente em televisão, tendo feito uma pequena aparição na novela brasileira Porto dos Milagres (2001) e na telenovela nacional Coração Malandro (2003). A sua posição de destaque no meio artístico português levou a que fosse alvo das mais diversas homenagens, entre as quais merece destaque a atribuição do seu nome ao Auditório Minicipal de Oeiras, em fevereiro de 1997.
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