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Movimento iconoclasta

Movimento religioso que definia como idolatria qualquer veneração das imagens de Cristo, da Virgem e dos Santos. Perturbou profundamente o Império do Oriente (Bizâncio) nos séculos VIII e IX.
Em 716, a dinastia Heráclida perde o poder em Bizâncio, depois de crises sucessivas desde o derrube do poder de Justiniano II em 695. Àquela dinastia sucede a dos Isáuridas, fundada por Leão III. Esta restabelece o curso normal no Império Bizantino, reorganizando-o face à ameaça árabe e búlgara. Mas durante o reinado de Leão III (717-741) ocorrerá, a partir de 726, um conflito político-religioso que abalará a vida bizantina durante aproximadamente um século: o iconoclasmo.
Politicamente, mais não é do que uma reação do poder imperial contra o crescente poder das comunidades monásticas e dos seus líderes espirituais, que beneficiavam com a anarquia resultante da decadência heráclida. Como os monges exploravam a piedade e a superstição do povo crente através das imagens (ícones) - representações de Cristo, da Virgem e dos Santos - os imperadores, escudando-se no pretexto de lutarem contra uma idolatria em crescendo e de empreenderem um retorno do cristianismo às origens, proíbem o culto das imagens, julgando, deste modo, desferir um golpe contra os monges.
Às perseguições então perseguições ferozes levadas a cabo por Constantino V e Leão IV, seguiu-se um período de estabilidade e calma no tempo de Irene, que soube perscutar nesta crise uma ameaça à unidade interna do Império Bizantino e um enfraquecimento em relação ao exterior. Com Leão V (813-820), contudo, o movimento iconoclasta reacende-se, intensificando-se a violência anti-monástica com Miguel (820-829) e Teófilo (829-842), que não fez jus ao nome, segundo os monges. O iconoclasmo foi uma manifestação típica do césaro-papismo bizantino (concentração de poderes temporais e religiosos na figura do imperador), tendo sido veementemente condenado e repudiado no Ocidente, para além de ter aberto o caminho para a rutura entre Constantinopla e Roma, principalmente em questões espirituais.
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