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poluição dos rios

A poluição é a contaminação do meio ambiente pelos desperdícios humanos. Não é fácil chegar-se a acordo sobre o que é a contaminação, pois diferentes pessoas podem considerar este problema segundo pontos de vista muito diversos. O nível social desempenha um papel importante quando se procura determinar o que é ou não é aceitável para o meio ambiente.
Através dos séculos, os humanos foram desenvolvendo uma atitude de conquista relativamente aos bens naturais.
Entre os bens da natureza, a água é uma substância essencial à vida.
O ser humano pode subsistir com 5 litros de água por dia. Algumas populações nómadas da zona sariana conseguem-no durante longos períodos de tempo. Contudo, tendo em conta os aspetos de higiene pessoal e doméstica, calcula-se que são necessários, no mínimo, 40 a 50 litros de água por pessoa. A isto teremos de juntar a água necessária para a agricultura e para a pequária. O total, em determinados países e regiões, representa um consumo diário que pode atingir os 1000 litros por habitante.
Sabe-se que as águas doces (rios, lagos, etc.) do planeta em condições de utilização são cada vez menos, em virtude de a sua qualidade diminuir, de dia para dia, por causa da poluição. O problema da alteração das águas doces por contaminação é já conhecido há muito tempo. A poluição da água dos rios iniciou-se nos primeiros dias da civilização. Os humanos foram sempre atraídos para junto dos cursos de água, que lhes garantiam água para beber e para as suas atividades, tais como a irrigação dos campos e a criação de animais. Consequentemente, as primeiras civilizações, como a da Mesopotâmia (região situada entre os rios Tigre e Eufrates) e a da China antiga (rios Amarelo e Yangtse), desenvolveram-se ao longo de grandes rios.
Os rios são poluídos pela contaminação de lixos orgânicos, incluindo as excreções humanas e dos animais, e resíduos agrícolas resultantes da decomposição das plantas. Com o aumento da população e a aparição da atividade industrial, a poluição dos rios e lagos não cessou de aumentar.
Em 1961, a Organização Mundial de Saúde deu a seguinte definição relativa à poluição das águas doces: "Um curso de água considera-se poluído logo que a composição ou estado da água são direta ou indiretamente modificados pela atividade humana, de tal maneira que a água se presta menos facilmente às utilizações que teria no seu estado natural". Esta definição inclui também as modificações das propriedades físicas, químicas e biológicas da água que a podem tornar salobra (não potável) ou não utilizável para consumo nas atividades domésticas, industriais, agrícolas, etc.
O grau de poluição das águas pode ser calculado a partir da necessidade bioquímica de oxigénio, que se determina pelo peso (por volume unitário da água) de oxigénio dissolvido utilizado no decorrer dos processos biológicos das bactérias aeróbias contidas na água. Os seus valores variam entre cerca de 1 mg/l, nas águas naturais, e os 300-500 mg/l, nas águas domésticas não depuradas. Se a concentração de substâncias poluentes aumenta consideravelmente, a sua degradação esgota o oxigénio dissolvido na água, podendo produzir a morte de muitos seres aquáticos. A partir deste momento, as bactérias aeróbias, que, em condições normais, mantêm o seu poder auto-depurador da água, são substituídas por bactérias anaeróbias que contribuem para a putrefação da água.
Embora a poluição da água possa ser acidental, a maior parte das vezes resulta de escoamentos descontrolados de origens diversas. As principais fontes poluidoras são:
- as águas residuais urbanas, que contêm os resíduos coletivos resultantes da vida quotidiana. O seu volume está em aumento constante, chegando em certas cidades a atingir os 600 litros por habitante e por dia, o que significa cerca de 50 quilos de substâncias secas e sólidas por habitante e por ano;
- as águas de origem industrial, que são a principal fonte de poluição das águas dos rios. A maioria das unidades industriais utiliza água em quantidade variável nos diferentes processos de fabrico. Os principais fatores poluentes são o petróleo, o carvão, as indústrias químicas e as que utilizam como matéria-prima a celulose;
- a poluição de origem agrícola, proveniente essencialmente de certos produtos utilizados na agricultura, como os adubos, inseticidas e dejetos de origem animal.
A lista dos produtos poluentes das águas dos rios e lagos de um país compreende centenas de substâncias. A sua diversidade aumenta com as múltiplas combinações químicas em que participam. Entre os produtos orgânicos mais conhecidos encontram-se os ácidos gordos, ésteres, aminoácidos, detergentes aniónicos e aminas. Entre os compostos inorgânicos encontram-se numerosos sais dissolvidos no estado iónico: sódio, cálcio, potássio, nitratos, cloretos, bicarbonatos, fosfatos e sulfatos.
O poder de biodegradação da água é enorme, mas, se a concentração de substâncias orgânicas e químicas ultrapassa certos limites, as águas não a podem regenerar pela ação das bactérias. A vida desaparece e os rios e lagos transformam-se em gigantescos esgotos.
Os resíduos industriais lançados nos rios provocam verdadeiras hecatombes nas comunidades aquáticas, sendo particularmente notados os seus efeitos sobre os peixes.
Pode verificar-se que numerosas substâncias ácidas, sulfuretos, amoníaco, etc., paralisam as reações biológicas provocando a morte de seres vivos. O aumento de temperatura da água, que implica um aumento do consumo de oxigénio, pode ameaçar seriamente toda a vida aquática. A utilização intensiva de água pela indústria (siderúrgica, do papel, etc.) amplia todos os dias este perigo.
Entre os elementos poluentes da água suscetíveis de provocar efeitos tóxicos no organismo, podemos citar os nitratos e os produtos fluorados que, embora sendo essenciais na prevenção da cárie dentária, se se encontrarem em concentração elevada podem provocar a fluorose crónica. São também poluentes das águas dos rios metais tóxicos como o arsénico, o selénio, o chumbo e o cádmio.
Os pesticidas desempenham um papel muito importante na poluição das águas continentais e são muito nocivos para os seres vivos. São ainda causa de poluição os hidrocarbonetos, os detergentes aniónicos (que entram na preparação de detergentes sintéticos) e a radioatividade resultante de resíduos radioativos.
A poluição da água dos rios, sob o ponto de vista sanitário, constitui um problema cada vez mais preocupante para todos os países.

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