Artigos de apoio

Segunda Guerra Mundial

A Segunda Guerra Mundial foi gerada a partir dos erros e imperfeições do Tratado de Versalhes, pelos efeitos nocivos da crise de 1929 e pelo conflito ideológico em torno das rivalidades entre o fascismo, por um lado, e os regimes democratas e o comunismo por outro. Neste conflito à escala do mundo, foram utilizados meios de destruição nunca vistos, como a bomba atómica, numa verdadeira guerra total que teve graves repercussões a vários níveis.
Na Primeira Guerra Mundial as responsabilidades do conflito bélico foram, mais ou menos, repartidas pelos seus intervenientes, enquanto que na Segunda Guerra Mundial a responsabilidade é indubitavelmente atribuída às ambições imperialistas germânicas e japonesas. Com o desfecho da Grande Guerra, a Alemanha ficara numa posição bastante difícil, agravada pela imposição de ter de pagar as "reparações" da guerra e por sofrer diretamente os efeitos da crise de 1929. Este panorama crítico facilitou a adesão dos alemães ao programa político de Adolf Hitler. Este era um líder político carismático que exigia a revisão do Tratado de Versalhes, e tinha pretensões para além dos conceitos pan-germanistas. Hitler construiu um discurso, sedutor para muitos alemães, assente na proclamação da superioridade da raça ariana e num sentimento profundamente racista voltado, sobretudo, contra a população judaica.
A superioridade da raça e o antissemitismo eram justificados pelo direito que a Alemanha reclamava de "alargar o seu espaço vital" ("Lebensraum"), à custa de territórios de povos considerados inferiores da Europa Central e Oriental.
O Japão partilhava com a Alemanha esta ideologia imperialista. Desde a década de 30, o país encontrava-se sob a dominação do partido militar e procurava obter mercados para a sua produção em crescendo e facilidades comerciais. Além disso, pretendia igualmente alargar a sua rede de influências no Pacífico e na Ásia Oriental. Entre 1931 e 1932 anexou a Manchúria, e em 1937 ocupou-se da conquista da China, vindo a ameaçar as posições inglesas (Singapura, Malásia, Índia, ...) e americanas no Pacífico.
A Alemanha de Hitler, a Itália fascista e o império nipónico, apresentavam neste período regimes políticos com algumas afinidades. Em comum, tinham as preocupações militaristas e, sobretudo, a antipatia relativamente às potências saídas vencedoras na luta pela hegemonia dos oceanos.
A criação do eixo Berlim-Roma, a 1 de novembro de 1936, resultou das sanções impostas à Itália pela comunidade internacional, na sequência da Guerra da Etiópia de 1935. Àquela aliança veio a aderir, pouco depois, o Japão.
A Guerra Civil Espanhola, em 1936-1939, foi um dos "palcos" de ensaio da II Guerra Mundial (a par da Áustria, da Manchúria e, em menor grau, da Etiópia). Neste conflito, a Inglaterra, a França e a URSS mostraram-se mais inclinadas para a defesa da fação governamental republicana, enquanto a Alemanha e a Itália estavam claramente ao lado da fação nacionalista do general Franco, a quem concederam apoio militar, através do qual puderam testar as armas e experimentar táticas de guerra.
O líder alemão procurava absorver territórios por tradição germânicos (como a região dos Sudetas, na Checoslováquia), ao passo que o Ocidente Europeu, sobretudo a Inglaterra, estava como que "adormecido" e confiante numa política de concessões que mais não fez do que fortalecer a confiança da Alemanha.
A Inglaterra e a França só despertaram para o problema alemão quando Praga foi ocupada pela Wehrmacht (um exército terrestre alemão). Nesta altura, a URSS tentou uma aproximação com a Alemanha (Pacto Germano-Soviético de 23 de agosto de 1939), pois considerava a capacidade de resistência ocidental pouco consistente. Este facto permitiu a Hitler avançar para a guerra, sem temer entrar em combate em duas frentes.
A 1 de setembro de 1939, a Wehrmacht avançava sobre a Polónia, e a 3 desse mês a Inglaterra, e depois a França, declaravam guerra ao III Reich.
Entre 1940 e 1941, a II Guerra Mundial entrou na sua primeira fase, denominada "Guerra Relâmpago" ("Blitzkrieg"), na qual a Alemanha dispunha de preciosas vantagens: uma forte unidade de comando, um líder carismático próximo do povo, uma já longa e eficiente propaganda, um exército bem apetrechado e bem treinado que lançou ataques relâmpago, a partir de tanques e da sua aviação. Esta "blitzkrieg" consistia no bombardeamento aéreo intensivo dos objetivos e no avanço rápido da infantaria, protegido pelas eficazes e velozes divisões blindadas - "Panzer".
A França não tinha capacidade de resposta a um ataque deste tipo, uma vez que não conhecia uma unidade política; estava ainda presa a táticas antigas e não dispunha de um exército e de uma aviação tão poderosas como os alemães. Como reflexo desta obsolência tático-militar refira-se o facto de Paris basear a defesa numa estática e ultrapassada linha defensiva concebida para um conflito como o da I Guerra Mundial: a "linha Maginot".
No espaço do mês de setembro de 1939, a Polónia foi invadida e dividida entre a Alemanha e a União Soviética, sem que a França tivesse tido sequer hipótese de reagir. Entretanto, a URSS atacava a Finlândia, que se revelaria um "osso duro de roer" e inconquistável. Agora as atenções da guerra estavam voltadas para a Escandinávia. Os alemães ocuparam de seguida a Dinamarca (num só dia!), e atacaram a Noruega em abril de 1940, obrigando à retirada dos seus inimigos em junho de 1940. Fechavam assim o Atlântico Norte e o báltico aos ingleses e soviéticos, para além de acederem ao ferro nórdico, tão importante para a indústria de guerra.
A 14 desse mês, a cidade de Paris foi tomada pelas forças alemãs, e o governo de Pétain pediu o Armistício, assinado a 22 de junho, numa altura em que os alemães tinham chegado já à fronteira com a Espanha. Apenas a França meridional (à exceção da Aquitânia) ficou livre dos alemães. Na linha Maginot, nem sequer se chegou a disparar um tiro, pois os alemães contornaram-na através da invasão das neutrais Bélgica e Holanda, o que surpreendeu a França e indignou o mundo. A chamada "drôle de guerre" ("guerra de brincadeira") revelou-se extremamente amarga para os franceses. A 10 de julho a Itália juntou-se à Alemanha, e a Inglaterra estava cada vez mais isolada, sobretudo, depois da queda da França. No entanto, sob a forte liderança do Primeiro Ministro britânico Winston Churchill, erguia-se a resistência. Esta beneficiou de uma aparente derrota que consistiu na célebre e dramática retirada de Dunquerque, à primeira vista um desastre para os Aliados, mas que permitiu a reorganização das forças em solo britânico. Logo então se verificou a mobilização e apoio da nação inglesa; na retirada, a grande operação "Dínamo", foram utilizados todos os meios navais possíveis e os cidadãos ingleses participaram usando os seus barcos de recreio para evacuar as tropas.
Hitler não pode invadir a ilha, num primeiro momento, mas procurou continuar a desafiar a sua moral, através de constantes bombardeamentos.
Na "Batalha de Inglaterra", travada entre agosto e novembro de 1940, muitas cidades inglesas, sobretudo as do sul, foram destruídas mas, apesar disso, a Luftwaffe (a força aérea alemã) fracassou no seu intento. Os ingleses contavam com a sua superioridade marítima, e no verão desse ano foram abastecidos com material de guerra vindo da América do Norte. Além disso socorreram-se de um novo invento militar extremamente eficaz e ainda não possuído pelos alemães: o radar, que surpreendeu Hitler e os seus generais.
Na Líbia os italianos lutavam com os ingleses enquanto as potências do Eixo se ocupavam da reorganização da Europa segundo as suas conveniências políticas. Mussolini queria mais protagonismo do que o que lhe era concedido, e por essa razão decidiu atacar a Grécia em 28 de outubro de 1940; só que, tanto na Grécia como na Líbia, teve de pedir auxílio aos alemães.
Ao mesmo tempo que o Afrikakorps do general Rommel chegava então a África, em fevereiro de 1941, a Jugoslávia era invadida pelas divisões blindadas de von Kleist; pouco depois, as de List invadiram a Grécia e Creta. Nestas operações manifestou-se, mais uma vez, a capacidade inventiva da máquina de guerra alemã: falamos da intervenção das tropas aéro-transportadas, que já tinham tido imenso sucesso e efeito surpresa na Holanda e Dinamarca. Com a II Guerra Mundial pela primeira vez na história dos conflitos bélicos eram utilizados paraquedistas.
Entre 1941 e 1942 o Eixo avançou; todavia, os planos de Hitler foram alterados. A Guerra Relâmpago não lhe dera a conquista da Inglaterra e as relações com a URSS, entretanto, tinham-se destabilizado, a ponto da Alemanha invadir o seu ex- "aliado", na "Operação Barbaroxa", iniciada em junho de 1941, atrasada por dois meses devido a problemas nos Balcãs.
O sucesso inicial pertenceu às forças hitlerianas, que em setembro de 1941 cercaram Leninegrado (atual S. Petersburgo) e tomaram Kiev a 19 de setembro. O general von Block saiu vitorioso nas batalhas do cerco de Minsk e em Bialystock, e, seguidamente, nas de Viazma-Briansk. Em outubro, chegava às portas de Moscovo.
A Wehrmacht, exausta e esgotada, retirou-se então para retemperar as suas forças, mas quando retomou as operações foi surpreendida pelo rigoroso inverno russo. Esta campanha revelou-se num extremo fracasso para os até aí sempre vitoriosos exércitos alemães. A ação do célebre "general inverno" e a resistência das tropas soviéticas, foram decisivas para a derrota nazi a leste. Os exércitos alemães, profundamente desgastados e dizimados, foram obrigados a retirar. A primeira grande derrota de Hitler ecoou por toda a Europa, onde crescia o sentimento de revolta das populações contra o invasor e a esperança renascia. Criava-se, entre os alemães, principalmente os militares, o terrível espetro negativo da "Frente Russa", um castigo para muitos soldados que levavam apenas "bilhete de ida" ...
Em 1941 a Inglaterra era favorecida por uma lei norte-americana votada pelo congresso, a lei de empréstimo-arrendamento, que permitiu o envio de material para a Europa, imediatamente colocado ao serviço da Inglaterra; nesse mesmo ano, os americanos aprovavam um plano de auxílio à URSS. A 14 de setembro de 1941, num navio de guerra no Atlântico, foi assinada a Carta do Atlântico, entre a Inglaterra e os Estados Unidos da América, um documento onde eram propostos os objetivos da guerra e do pós-guerra por parte dos Aliados. Nesta fase dos acontecimentos o presidente norte-americano, Roosevelt, não tinha o apoio da opinião pública americana, que era contra a entrada do seu país na guerra. No entanto, esta posição mudou radicalmente com o ataque japonês a Pearl Harbor, que fez entrar os EUA na II Guerra Mundial (7 de dezembro de 1941); a 11 de dezembro, a Itália e a Alemanha declararam guerra aos Estados Unidos, numa altura em que a URSS adotava uma posição de neutralidade no conflito do Extremo Oriente.
Nesta área, o Japão já tinha tomado o Sudoeste Asiático e ameaçava a Austrália. A ofensiva apenas foi contrariada pela batalha de Midway (ilhas a norte do Hawai), em junho de 1942, em que os americanos vencem e travam o avanço nipónico, mudando o curso da guerra do Pacífico. Com estes acontecimentos terminava, segundo os especialistas, a fase vitoriosa do Eixo. A partir de então, a guerra entrava naquilo a que vulgarmente se designa "o equilíbrio de forças", um período que a longo prazo se revelará decisivo no percurso do conflito.
O ano de 1942 foi um bom ano para o Eixo. Em julho de 1942 a Wehrmacht lançou uma nova ofensiva, conquistou a Criméia, chegou ao Cáucaso (região petrolífera) e ao Volga (minas de carvão e ferro abundantes), enquanto o Afrikakorps se aproximava do Cairo. Começava a crescer o prestígio do comandante Erwin Rommel, encarado por todos (alemães e adversários aliados) como um superdotado e protegido pela sorte. A tal ponto que o comando Aliado publicou diversas ordens de serviço onde se referia, expressamente, que aquele a quem chamavam "a raposa do deserto", era um militar como outro qualquer e passível de ser derrotado - como viria a suceder. O Reich estava a interferir no Médio Oriente, instigando a revolta das populações árabes contra os ingleses e, juntamente com o Irão, atacava a Índia britânica, também fustigada pelos japoneses, que dominavam a leste, a colónia inglesa de Burma (hoje Myanmar ou Birmânia). Mas estas vitórias quase se podem considerar o "canto do cisne" do avanço das forças totalitárias.
Nesta altura a batalha também evoluia no Atlântico para um conflito naval que se travava mesmo antes da entrada oficial dos Estados Unidos na guerra. A ação dos submarinos do Almirante Doenitz, (no fim da guerra, por uns dias, ainda sucedeu a Hitler), os terríveis "U-Boat" (U2) foi avassaladora, afundando milhões de toneladas, entre navios de guerra e de transporte. Mais uma vez a tenacidade da resistência aliada, reforçada com a entrada dos americanos no conflito e o desenvolvimento de novas armas (como as cargas de profundidade) e táticas navais, foi decisiva para os aliados levarem a melhor. A "limpeza" dos mares, até aí infestados de submarinos germânicos, foi decisiva para a manutenção e intensificação de linhas de abastecimento entre a Europa (mais propriamente entre as ilhas britânicas e as bases americanas dos Açores) e a América do Norte.
O "raid" japonês a Pearl Harbor desorganizou momentaneamente a máquina bélica norte-americana. Contudo, os EUA recuperaram bem com uma rápida readaptação da indústria de guerra, a qual prontamente recompensou as perdas sofridas. Este país assumiu a partir de então o papel de "arsenal" das potências aliadas.
O Exército Vermelho continuava a lutar, ao mesmo tempo que os aliados passavam ao contra-ataque bombardeando as cidades ocupadas numa Europa dominada pela Alemanha. Esta nação era forte mas revelava fragilidades: a carência de matérias-primas e de mão de obra eram as mais evidentes. Para as resolver, os nazis aplicaram uma política repressiva nos países ocupados, explorando os seus reclusos e obrigando à deportação de milhares de pessoas para diversos campos-de-trabalho. Contudo, o objetivo não era apenas este. Os nazis praticaram uma politica racista, perseguindo ciganos e sobretudo judeus, em especial no leste da Europa. Os vários milhões de pessoas deportadas não foram levadas para campos-de-trabalho; foram conduzidas para os tristemente célebres campos de morte - Auschwitz, Dachau, Treblinka, entre outros - onde foram pura e simplesmente exterminadas.
Do outono de 1942 a 1945, a vitória passou a estar ao alcance dos Aliados. Terminara a fase do equilíbrio de forças e contenção no avanço territorial germânico e iniciava-se a última etapa do conflito: o avanço aliado. A 23 de outubro de 1942 o general Montgomery iniciou uma contra ofensiva britânica no Egito, perseguindo as forças italianas e germânicas que se refugiaram na Tunísia. Depois de El Alamein, "Monty" dominava o Norte de África. Para além do génio militar deste general bem como do seu congénere norte-americano Patton, que derrotou os italo-alemães na batalha de Kesserling, o VII exército aliado beneficiou do desgaste do material alemão e do corte no envio de reforços por parte de Berlim. Rommell, entretanto, é enviado para a França, onde terá a seu cargo a supervisão da defesa da barreira atlântica alemã ("a muralha do Atlântico") contra a eminente invasão aliada.
Em novembro, as tropas anglo-americanas desembarcaram no Norte de África francês, de onde partiu o ataque de Itália. No final de 1942, o Exército Vermelho lançou uma operação ofensiva no Volga, onde as forças germânicas comandadas por Von Paulus resistiram até ao limite das suas forças, vindo a capitular a 2 de fevereiro de 1943. Neste contra-ataque soviético, deu-se a célebre batalha de Estalinegrado (hoje Volvogrado, S. Petersburgo), confronto decisivo e tristemente emblemático da II Guerra Mundial. De 25 de agosto de 1942 a 2 de fevereiro de 1943, os alemães ocupantes (depois da ofensiva sobre o Cáucaso) sofreram um duro cerco dos soviéticos, perante o qual capitulam, deixando um rasto de cerca de 300 000 soldados seus mortos. Rebentava um verdadeiro escândalo e mau-estar entre os comandos alemães: pela primeira vez, um general alemão, von Paulus, aceitava render-se ao inimigo. Hitler chamar-lhe-ia "traidor". O cerco a Estalinegrado foi mesmo considerado um dos episódios mais dramáticos da guerra. A população soviética, abandonada à sua sorte, sofreu horrores nunca vistos. Conta-se que, para sobreviver, muitos soldados foram levados a alimentar-se com carne humana, dos familiares que pereceram vítimas das balas alemãs, do frio e da subnutrição ou mesmo de soldados.
Nesse ano o Eixo perdia em todas as frentes. No Pacífico, os americanos conquistam Guadalcanal, e estavam a preparar uma grande ofensiva. Entre o inverno e a primavera, o Exército Vermelho prosseguiu a sua marcha, recuperou Rostov em fevereiro de 1943, Kharkov em agosto; Donetsk e Kuban em setembro, Smolensk a 25 de setembro e Kiev a 6 de novembro.
A 24 de julho, Mussolini tinha caído nas mãos dos seus inimigos, na sequência do desembarque dos Aliados na Sicília a 10 de julho de 1943, enquanto a Alemanha persistia em resistir. Mussolini fora preso pelo rei, mas de seguida foi libertado pelas SS, enquanto a Itália continental era ocupada pela Wehrmacht.
A 9 de setembro de 1943, os Aliados desembarcaram em Itália, em Anzio, onde encontraram uma forte resistência. Só a 4 de junho de 1944 conseguiram tomar a cidade de Roma depois de conquistarem o reduto nazi de Monte Cassino, cerco que também ficou célebre tal foi a destruição e mortandade atingidas. Na tomada de Itália, os franceses entraram de novo em grande força no conflito com um contingente das F.F.L. (Forças Francesas Livres).
Após o encontro entre os líderes das potências aliadas, o presidente norte-americano F. D. Roosevelt, o primeiro Ministro britânico Winston Churchill e o secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética (P.C.U.S.) José Estaline, efetuado na Conferência de Teerão (Irão) entre novembro e dezembro de 1943, os ingleses e americanos prepararam uma ofensiva militar decisiva para o desfecho deste conflito - o desembarque na Normandia. Esta operação, de nome de código Overlord, dirigida sob o alto comando do general Dwight Eisenhower, foi preparada ao longo de meio ano.
A Alemanha tentava aguentar a situação militar e manter o moral, mas a guerra começava a escapar do seu controlo. Na primavera de 1944, os russos desenvolveram uma nova grande ofensiva no vale do Dniepre. Tomaram Odessa, a Criméia e Sebastopol, invadindo depois a Roménia e a Bulgária.
Entre 1944 e 1945, a guerra entrou numa fase que conduziria à derrota total das forças tripartidas do Eixo. A 6 de junho de 1944 (dia D, ou J, de jour para os franceses), as forças conjuntas inglesas e americanas desembarcaram na costa da Normandia, onde se instalaram, para depois penetrarem na linha defensiva alemã de Avranches a 30 de julho, que exploraram bem, até à entrada em Paris a 25 de agosto, passando depois para o Somme, Aisne e Marne. O segundo desembarque das forças aliadas, desta feita franco-americano, efetuou-se na Provença a 15 de agosto, permitindo a libertação de Toulon e de Marselha (na França Livre, mas dominada pelos nazis), duas importantes bases navais. À medida que se desenrolavam estes acontecimentos, ações de guerrilha (da Resistência e dos "Maquisards") tentavam destabilizar as forças germânicas, na retaguarda.
Era, por assim dizer, o prolongamento de uma das facetas mais heroicas da guerra: a da resistência nos países ocupados. O grande episódio desta "guerra da noite" desenrolara-se por toda a França onde o "maquis" (designação de um género arbustivo típico do sul de França, onde se localizavam os redutos dos resistentes "maquisards") protagonizou a chamada "batalha do rail", desorganizando e sabotando o sistema de transporte e abastecimento das tropas alemãs, através de comboios, bem como fornecendo informações vitais aos comandos aliados. Entre os mártires desta "guerra", citem-se, entre tantos, os nomes de heróis como Jean Moulin ou o historiador Marc Bloch.
Mas este movimento não se resumiu à França. Em todos os países houve quem não receasse perder a vida pela liberdade pegando em armas contra o invasor e, neste processo, destacaram-se os militantes dos partidos de esquerda. A título de exemplo veja-se o caso da Jugoslávia, cuja resistência ficou, quase em exclusivo, a dever-se aos guerrilheiros do general croata Tito (Jozip Broz). A Wehrmacht entretanto retirava-se para as fronteiras alemãs, mas Hitler depositava as suas esperanças na utilização de uma nova arma: as bombas V1 e V2, usadas em 1944 no bombardeamento das cidades inglesas, a partir de bases na Noruega e na ilha de Helgolândia.
Depois de alguns sucessos na contraofensiva das Ardenas, os alemães foram travados pelos norte-americanos. Na região renano-alsaciana, os franceses ocupavam Estrasburgo em setembro, mas só acabaram com a bolsa de resistência alemã de Colmar em fevereiro de 1945.
A frente oriental parecia estar estável, mas o Exército Vermelho preparava a sua última grande ofensiva, concretizada a partir de 12 de janeiro de 1945, quando tomou Varsóvia, Cracóvia, Lodz e, em fevereiro, Budapeste e Poznan.
A partir de fevereiro de 1945, a guerra chegava ao interior das fronteiras da Alemanha. Os alemães, estupefactos, foram batidos pelos russos em Torgau, ponto de encontro das duas frentes aliadas, no Elba, a 25 de abril de 1945. Em Berlim, uma cidade cercada, Hitler foi informado da morte de Mussolini, enforcado em Milão por resistentes italianos a 28 de abril. Nesta altura, o líder nazi havia-se refugiado num "bunker" na capital do Reich. A guerra estava perdida. Passados dois dias Hitler pôs termo à sua vida, juntamente com a sua companheira Eva Braun (casados oficialmente havia poucos dias); e o novo governo foi formado pelo almirante Doenitz, que pediu o final das hostilidades. O cadáver de Hitler nunca foi descoberto, provavelmente por se ter transformado em cinzas depois de cremado pelos seus esbirros. Já Goebbels, ministro da Propaganda, sua mulher e oito filhos, que se tinham suicidado, foram queimados, mas os corpos ainda foram encontrados reconhecíveis.
A 2 de maio, Berlim era oficialmente tomada pelos soviéticos, no mesmo dia em que as tropas alemãs eram derrotadas definitivamente na Itália. A capitulação dos alemães foi assinada a 8 de maio. Em conformidade com as determinações acordadas na Conferência de Ialta de fevereiro de 1945, a Alemanha foi então dividida em zonas de ocupação.
No Pacífico, a Guerra ainda não tinha terminado. Os americanos tinham desembarcado nas Filipinas em setembro de 1944, tomaram Manila em fevereiro do ano seguinte e destruíram a quase totalidade da frota japonesa na batalha naval de Okinawa em 6 e 7 de abril de 1945, às "portas" do Japão. No arquipélago filipino, como também na China, os Japoneses criaram campos prisionais medonhos que não ficam atrás dos dos nazis em requintes de crueldade.
A guerra aqui parecia continuar porque o Japão ocupava ainda a Indonésia, a Indochina, uma parte da China e algumas ilhas no mar Amarelo e da China Meridional. Para pôr um ponto final nesta situação, o presidente americano mandou lançar duas bombas atómicas sobre o Japão, uma em Hiroxima a 6 de agosto de 1945, e uma segunda em Nagasáqui a 9 de agosto do mesmo ano (um saldo imediato de mais de 120 000 mortos). Estes dois atos levaram à capitulação dos japoneses, assinada a 14 de setembro de 1945, no couraçado americano Missouri, estacionado na Baía de Tóquio. Do lado americano, estava o general Douglas McCarthur, o comandante-chefe das forças aliadas no Pacífico e que havia coordenado a guerra nesta zona desde a invasão japonesa das Filipinas no início de 1942.
A II Guerra Mundial fez cerca de sessenta milhões de mortos, metade dos quais civis. Para além da destruição de vidas humanas e da destruição massiva de quase todas as estruturas produtivas europeias, este conflito mundial provocou a derrocada dos valores da civilização ocidental, questionados por esta onda de violência sem precedentes. Era muito difícil superar este terrível clima de terror, que culminou com a utilização da mais destruidora de todas as armas, a bomba atómica, ainda hoje polémica, e conheceu o horror dos horrores com a "Solução Final" nazi que foi o Holocausto (Shoah, entre os judeus).
Com o final da guerra a tragédia não acabou; havia aproximadamente 20 milhões de deslocados, que levantavam questões de repatriamento; a economia da Europa estava arrasada; e os países de Leste dominados pelas forças hitlerianas passaram a estar sob o domínio de regimes totalitários de esquerda, centrados na URSS de Estaline, um líder brutal também.
O Mundo estava agora dividido entre dois fortes polos de influência, os Estados Unidos e a União Soviética. Os povos colonizados começavam a reivindicar a sua libertação e a Alemanha deixava de ser um estado coeso, dando lugar a duas nações: a República Federal da Alemanha (Ocidental) e a República Democrática Alemã (leste).

1

2

3

4

5