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Teria completado exactamente 80 anos, se ainda se mantivesse entre nós. Falamos de Luís de Sttau Monteiro, um dos maiores ficcionistas e dramaturgos portugueses, nascido em Abril de 1926, em Lisboa.
Autor de vários romances, destacam-se no entanto os enredos e as personagens de ?Angústia para o Jantar, ?Um Homem Não Chora? e principalmente o premiado, mas também perseguido, ?Felizmente Há Luar!?.
No mês em que se comemora a liberdade, homenageemos também o escritor!
Voltaremos a encontrar-nos daqui a duas semanas. Até lá...
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Dossier Abril |
Nome: Luís Infante de Lacerda Sttau Monteiro
Nascimento: 3-4-1926, Lisboa
Morte: 23-7-1993, Lisboa
Ficcionista, autor dramático, encenador e jornalista português, formado em Direito, Luís Infante de Lacerda Sttau Monteiro nasceu a 3 de Abril de 1926, em Lisboa, e morreu, também nesta cidade, a 23 de Julho de 1993. De ascendência espanhola, viveu uma parte da adolescência em Inglaterra, onde o seu pai foi embaixador.
Nos anos 70 do século XX, desenvolveu actividade como jornalista, tendo colaborado com o Diário de Notícias e com o Expresso e, na década seguinte, dirigido Confidencial (1984) e colaborado como guionista de uma novela televisiva.
Iniciou a sua carreira literária com a narrativa Um Homem Não Chora, obra saudada como uma revelação da ficção portuguesa contemporânea, a que se seguiu um romance de grande êxito, Angústia para o Jantar, onde se salientam a "ironia, o gosto pela sátira, a distanciação emocional, o cinismo [...] e, no plano estilístico, a vivacidade dos diálogos." (FERREIRA, António Mega - "Um Homem e a Sua Obra", introdução a Angústia para o Jantar, Círculo de Leitores, s/l, 1986, p. VIII).
Situado numa segunda geração neo-realista, foi sobretudo pela sua obra dramática que viria a ser consagrado, recebendo com Felizmente Há Luar!, em 1962, o Grande Prémio de Teatro da Associação Portuguesa de Escritores. Essa peça histórica, que recorda a rebelião do general Gomes Freire de Andrade, foi proibida pela censura tendo sido representada no nosso país apenas em 1978.
As suas sátiras sobre a ditadura e a Guerra Colonial, fruto do seu espírito crítico e combativo, tornaram-no objecto de perseguição política, chegando mesmo a ser preso como quando publicou A Estátua e A Guerra Santa.
Embora levadas à cena por companhias estrangeiras, poucas peças de Luís de Sttau Monteiro foram representadas em Portugal antes do 25 de Abril, exceptuando-se As Mãos de Abraão Zacut, estreada em 1969 pela Companhia do Teatro Estúdio de Lisboa, sob a direcção de Luzia Maria Martins.
Homem essencialmente de teatro, Sttau Monteiro foi ainda autor de uma adaptação da novela O Barão, de Branquinho da Fonseca, e de várias traduções de autores dramáticos como Shakespeare ou Ibsen, que ele próprio levou à cena.
Bibliografia: Um Homem Não Chora, Lisboa, 1960; Angústia para o Jantar, Lisboa, 1961; Felizmente Há Luar!, Lisboa, 1961; Todos os Anos, pela Primavera, Lisboa, 1963; O Barão, Lisboa, 1964; Auto da Barca do Motor fora da Borda, Lisboa, 1966; A Guerra Santa, Lisboa, 1967; A Estátua, Lisboa, 1967; As Mãos de Abraão Zacut, Lisboa, 1968; Sua Excelência, Lisboa, 1971; E se For Rapariga chama-se Custódia, 1978; Crónica Atribulada do Esperançoso Fagundes, Lisboa, 1981
Como referenciar este artigo:
Luís de Sttau Monteiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2006. [Consult. 2006-04-18].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$luis-de-sttau-monteiro>.
No rescaldo da Segunda Guerra Mundial, o domínio colonial das potências europeias sobre territórios africanos e asiáticos começou a ser fortemente posto em causa, tendo-se formado um vasto movimento ideológico e político tendente a obter a independência daqueles territórios. Tal foi sendo conseguido, nalguns poucos casos, sem surtos significativos de violência; mas, na maioria das independências, prevaleceu o uso da força. Foi o caso da revolta dos Mau-Mau no Quénia britânico, e da prolongada e duríssima guerra da Argélia, por exemplo.
O último império a ser afectado foi o português, que perdeu a primeira parcela após uma guerra de curta duração em que as forças portuguesas estacionadas em Goa, Damão e Diu não puderam contrariar a invasão daqueles territórios por forças indianas, incomparavelmente mais fortes. Esta derrota serviu, contudo, para demonstrar dois factos importantes: a) Salazar privilegiaria sempre a vertente militar para resolver as questões de soberania que se lhe colocassem no âmbito colonial; de facto, ordenara a resistência a todo o custo, sem olhar aos sacrifícios materiais e humanos que isso acarretaria; b) a posição portuguesa no jogo da diplomacia mundial era débil e incapaz de mobilizar apoios em defesa de domínios coloniais, já que a própria Inglaterra, instada a honrar históricos compromissos de solidariedade em nome da secular aliança entre os dois países, se recusara a apoiar a posição do Governo português.
Em 1961 abre-se um novo capítulo na história do Império colonial português. Dois acontecimentos marcam o início de uma guerra que durará 13 anos, até que o poder revolucionário saído do 25 de Abril de 1974 imponha um fim político ao conflito: 1) a 4 de Fevereiro, militantes do MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola) tentam tomar de assalto esquadras de polícia em Luanda, sendo repelidos depois de combates violentos em vários pontos da cidade; 2) em 15 de Março, a UPA (União das Populações de Angola, mais tarde denominada FNLA = Frente Nacional de Libertação de Angola) lança uma série de ataques mortíferos em zonas isoladas e desguarnecidas do norte da colónia, tentando erradicar a população branca. Estes dois movimentos, a que anos mais tarde se juntará a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), fruto de uma dissidência na UPA, conduzem uma luta de guerrilha que, após uma primeira fase de êxitos tácticos, se vê remetida à defensiva. A guerra em Angola não conhecerá nunca um vencedor claro nem um derrotado assumido.
Muito diferente é a situação na Guiné-Bissau, onde se encontra em campo uma única organização política, o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde), que não encontra rivais no terreno desde o início do conflito em 1963, beneficia de apoios logísticos eficazes nos países vizinhos, tem a simpatia dos governos do Terceiro Mundo com representação e influência na Assembleia Geral das Nações Unidas, consegue os êxitos tácticos suficientes para reunir uma assembleia de delegados em Madina do Boé, proclamar unilateralmente a independência e vê-la reconhecida por numerosos países em 1973.
Em Moçambique, a guerra é desencadeada em 1964 pela FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique), que tem de se confrontar não só com outras forças, menos estruturadas, no terreno, mas que enfrenta no seu seio dissidências de carácter étnico, que a enfraquecem. Tal como em Angola, a guerra nunca se decidirá claramente a favor das forças portuguesas, no plano militar, apesar de algumas operações de grande envergadura, desencadeadas particularmente pelo general Kaúlza de Arriaga. Tal como em Angola, o 25 de Abril irá encontrar a situação num impasse.
Na África, apenas os territórios insulares (Cabo Verde, São Tomé e Príncipe) ficarão imunes à guerra; na Ásia, Macau sofrerá de alguns momentos de instabilidade por influência da Revolução Cultural na vizinha República Popular da China e Timor só verá surgir os seus movimentos a favor da independência após o 25 de Abril de 1974.
Logo em 1961, Salazar formula numa frase lapidar a sua intenção de privilegiar a defesa do império, custe o que custar, enviando tropas para Angola, "imediatamente e em força", rejeitando toda e qualquer negociação, mesmo que Portugal se encontrasse "orgulhosamente só" a partir desse momento. Apesar de privilegiar a solução militar, introduzirá alterações no estatuto legal e social dos indígenas africanos, promoverá acções sociais para captar a simpatia das populações, abrirá as colónias ao investimento metropolitano e externo, procurará incentivar a emigração para África, desviando-a da França, para onde se dirigia de preferência naquele momento. A guerra, travada em três frentes, significará um investimento extremamente gravoso para as finanças do Estado português, provocará dissensões no seio do próprio Governo (golpe do general Botelho Moniz, em Abril de 1961), desgastará o moral das próprias forças armadas, retirará braços à produção em Portugal e provocará o isolamento do país na arena diplomática mundial (tanto nas relações multilaterais no seio da Organização das Nações Unidas como a nível bilateral). O seu balanço em termos humanos é trágico: mobilização de cerca de um milhão e quatrocentos mil homens, aproximadamente nove mil mortos e trinta mil feridos e ainda cento e quarenta mil ex-combatentes sofrendo de distúrbio pós-traumático do stress de guerra (isto sem esquecer as vítimas civis, de ambos os lados, obviamente em maior número entre as populações do teatro de guerra, mas que nenhum dos beligerantes alguma vez contabilizou).
Um dos maiores golpes diplomáticos contra as posições do Governo português será a audiência concedida a dirigentes dos movimentos das três colónias pelo papa Paulo VI, em 1 de Julho de 1970. Marcello Caetano, que sucede a Salazar na chefia do Governo, não encontrará também solução para o conflito, quer por meios militares quer por meios pacíficos. Será apenas por meios diplomáticos e políticos, por iniciativa do poder revolucionário instituído em 1974, que o conflito verá o seu termo.
Como referenciar este artigo:
Luís de Sttau Monteiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2006. [Consult. 2006-04-18].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$luis-de-sttau-monteiro>.
General português nascido em 1757, em Viena, e falecido em 1817. Seguiu a vida militar depois de ter vindo para Portugal aos 24 anos. Combateu em Argel (1784), na Rússia (1788), na Guerra do Russilhão (1790), na Guerra das Laranjas (1801) e na Guerra Peninsular, só deixando a carreira das armas após a derrota de Napoleão em 1814. Ligado aos ideais progressistas e membro da Maçonaria, foi acusado de participar na conspiração de 1817, o que lhe valeu a prisão e a forca nesse mesmo ano. Surge como personagem na peça de Luís de Sttau Monteiro Felizmente há Luar (1961).
Como referenciar este artigo:
Luís de Sttau Monteiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2006. [Consult. 2006-04-18].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$luis-de-sttau-monteiro>.
A obra
A peça em dois actos Felizmente Há Luar!, de Sttau Monteiro, publicada em 1961 e com a qual ganhou o Grande Prémio de Teatro da Associação Portuguesa de Escritores, foi suprimida pela censura da ditadura; representada pela primeira vez em 1969, em Paris, só chegaria aos palcos portugueses em 1978, no Teatro Nacional, encenada pelo próprio autor.
Esta peça de estreia de Sttau Monteiro tem como cenário o ambiente político dos inícios do século XIX: em 1817, uma conspiração, encabeçada pelo general Gomes Freire de Andrade, que pretendia o regresso do Brasil do rei D. João VI e que se manifestava contrária à presença inglesa, foi descoberta e reprimida com muita severidade: os conspiradores, acusados de traição à pátria, foram queimados publicamente e Lisboa foi convidada a assistir...
No entanto, esta peça marca também posição, pelo conteúdo fortemente ideológico, como denúncia da opressão que se vivia na época em que foi escrita (1961), sob a ditadura de Salazar. O recurso à distanciação histórica e à descrição das injustiças praticadas no início do século XIX em que decorre a acção permitiu-lhe, assim, colocar também em destaque as injustiças do seu tempo.
Felizmente Há Luar! é um drama narrativo, dentro dos princípios do teatro épico, que descreve a "trágica apoteose" do movimento liberal oitocentista, em Portugal, e interpreta as condições da sociedade portuguesa do início do século XIX e a revolta dos mais esclarecidos, muitas vezes organizados em sociedades secretas, contra o poder absolutista e tirânico dos governadores e do generalíssimo Beresford.
A figura central é o general Gomes Freire de Andrade «que está sempre presente embora nunca apareça» (didascália inicial) e que, mesmo ausente, condiciona a estrutura interna da peça e o comportamento de todas as outras personagens. A acção desenvolve-se à volta desta personagem e da sua execução: da prisão à fogueira, com descrições da perseguição dos governadores do Reino, da revolta desesperada e impotente da sua esposa e da resignação do povo que a "miséria, o medo e a ignorância" dominam.
Gomes Freire, amado por uns e odiado pelos que temem perder o poder, é acusado de chefe da revolta, de estrangeirado e grão-mestre da Maçonaria, por ser um soldado brilhante e idolatrado pelo povo. Os governantes - Miguel Forjaz, Beresford e Principal Sousa - perseguem, prendem e mandam executar o General e os restantes conspiradores através da morte na fogueira. Para eles, aquela execução, à noite, constituía uma forma de avisar, de dissuadir outros revoltosos; para Matilde de Melo, a mulher do General, e para mais pessoas era uma luz a seguir na luta pela liberdade. O general Gomes Freire e mais onze companheiros, acusados de conspirar contra Beresford e o Conselho de Regência no poder, tornaram-se, pela sua morte trágica, nos grandes precursores do liberalismo português e permitiram denunciar a situação do povo que vivia na miséria e dependente das classes dominantes.
Em Felizmente Há Luar! percebe-se, facilmente, que a história serve de pretexto para uma reflexão sobre os anos 60, do século XX. Sttau Monteiro, também ele perseguido pela PIDE, denuncia assim a situação portuguesa, durante o regime de Salazar, interpretando as condições históricas que anos mais tarde contribuiriam para a "Revolução dos Cravos", a 25 de Abril de 1974. A agitação e a conspiração de 1817, em vez de desaparecerem com medo dos opressores, permitiram o triunfo do liberalismo em 1834, após uma guerra civil. Também as revoltas e oposição ao regime nos anos 60, de que foi exemplo a candidatura do General Humberto Delgado (em 1958), o assalto ao "Santa Maria" e a Revolta de Beja (1961), em vez de serem uma cedência perante a ameaça e a mordaça, fortaleceram a resistência que levou à implantação da democracia.
Simbologia
Em Felizmente Há Luar! há diversos símbolos que favorecem a compreensão da situação vivida e a esperança da liberdade:
A saia representa a feminilidade e a familiaridade, e, por ser verde, a fertilidade e esperança. Comprada em Paris (terra da liberdade), com o dinheiro da venda de duas medalhas representa a felicidade do passado. Colocada por Matilde no momento da execução, destaca a "alegria" do reencontro (da união entre o casal) e aponta um novo caminho de esperança e alento.
O título surge por duas vezes, inserido nas falas das personagens. Na expressão de D. Miguel, o luar permitirá que o castigo seja visto por todos e, por via do terror, garantirá a eficácia desta execução pública pelo efeito dissuasor. Nas palavras de Matilde, o luar irá alertar as consciências, levando o Povo a lutar pela liberdade, contra a tirania.
A fogueira simboliza, por um lado, a destruição (pelo menos, momentânea das esperanças), mas também a purificação e, pela luz que emite e energia que gera, o poder de luta para garantir a revolução.
A moeda de cinco réis simboliza a hipocrisia social, a forma como se acalma a consciência com uma esmola e é símbolo do desrespeito (dos mais poderosos em relação aos mais desfavorecidos). Quando Matilde a entrega ao Principal Sousa, a moeda é comparada às que Judas recebeu (moedas de traição com que se compram as almas).
Os tambores, símbolo da repressão, provocam o medo e prenunciam a ambiência trágica da acção.
Como referenciar este artigo:
Luís de Sttau Monteiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2006. [Consult. 2006-04-18].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$luis-de-sttau-monteiro>.
O concurso de televisão "A Visita da Cornélia" foi transmitido pela primeira vez em 1977 com a apresentação de Raul Solnado e esteve no ar na Radiotelevisão Portuguesa durante vários anos, sempre com boas audiências. O programa era gravado num teatro perante a presença de público.
Os concorrentes para participar no concurso tinham de o fazer em equipa e em grande parte das vezes eram famílias inteiras que apareciam. Depois tentavam superar uma série de provas apresentadas pelo actor cómico Raul Solnado. As provas eram constituídas por tarefas como, por exemplo, fazer uma representação teatral ou declamar poesia. Na prova de teatro era dado um texto às equipas concorrentes e depois cada uma delas representava essa pequena peça da maneira que entendesse. O trabalho da equipa era então avaliado por um júri formado por cinco pessoas, tido como muito rigoroso na apreciação das qualidades dos concorrentes. Vencia a equipa que somasse mais pontos no conjunto de todas as provas do programa.
Alguns dos elementos do júri já eram figuras conhecidas do grande público, como Paulo Renato, Luís de Sttau Monteiro e Maria Leonor, mas outros ficaram famosos graças ao programa. Tal sucedeu com Maria João Seixas e Jorge Calado.
Mas, assim como os elementos do júri, também alguns dos participantes ganharam fama a nível nacional. Um dos casos mais conhecidos foi o da família Pitum, que apareceu várias vezes no concurso para somar pontos e vencer, destacando-se, entre eles, o pai, graças ao seu humor imaginativo. Outros concorrentes que se tornaram famosos foram o jornalista e escritor Fernando Assis Pacheco e José Fanha. Este último transformou-se em argumentista de séries cómicas de televisão depois de se ter destacado em "A Visita da Cornélia" como poeta e recitador.
Para além das provas e tarefas a desempenhar pelos participantes, o programa tinha também momentos de humor, onde Raul Solnado contracenava com a boneca da Vaca Cornélia.
Já nos anos 90, a RTP tentou recriar o espírito do concurso apresentando "A Filha da Cornélia", mas não obteve sucesso.
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Luís de Sttau Monteiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2006. [Consult. 2006-04-18].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$luis-de-sttau-monteiro>.
Autoria: Luís de Sttau Monteiro
Data de publicação: 1961
Local de publicação: Lisboa
Vários aspectos situam a segunda obra ficcional de Luís de Sttau Monteiro, apesar das nítidas ligações a uma leitura ideológica da realidade político-social em que o autor se situa, de acordo com António Mega Ferreira, num segundo momento da ficção neo-realista: por um lado "a grande novidade de Angústia para o Jantar, para lá de um inventário algo sumário [...] dos mecanismos e representações mentais de uma média e alta burguesia [...] reside na mesma impiedosa condenação de uma mediocridade desculpabilizante que procura nas "desigualdades à partida" o alimento da sua própria impotência", ao mesmo tempo que para essa novidade contribui a deslocação da localização social do narrador situado agora "no seio da classe dominante" (FERREIRA, António Mega - "Um Homem e a Sua Obra", introdução a Angústia para o Jantar, Círculo de Leitores, s/l, 1986, pp. XVI-XVIII). Com Angústia para o Jantar, Luís de Sttau Monteiro abre, assim, "depois de Eça de Queirós, depois de Joaquim Paço d'Arcos, um novo processo contra os meios mundanos da sociedade portuguesa. Tal como os seus precursores, ele é, digamos, um "filho pródigo", que está à vontade nos mesmos ambientes que impiedosamente denuncia. Tal como eles, ele é essencialmente um realista, um crítico de costumes, relegando para segundo plano os fundamentos espirituais e psicológicos do Homem. Diferentemente nos processos literários, Sttau Monteiro utiliza o estilo reportagem, com um mínimo de descrição ou de análise. Neste aspecto, é discípulo da escola norte-americana, sobretudo da corrente cujos representantes são Hemingway, Saroyan, Dorothy Parker: a arte literária centraliza-se no diálogo" (QUADROS, António, cit. in Introdução a Angústia para o Jantar, Círculo de Leitores, s/l, 1986, p. XXX). Por outro lado, ao nível da composição, o romance situa-se no contexto do nouveau roman, da experimentação no domínio do romance, obtida aqui por uma constante alternância e contraposição entre o discurso directo e o monólogo interior.
A novela começa com o habitual jantar mensal, entre dois amigos, Gonçalo, oriundo de uma família rica e António, filho de um oficial da marinha, que estabelecem um diálogo a propósito da condição familiar de cada um. Este diálogo, que permite perceber as desigualdades sociais entre os dois amigos, é extremamente irónico e contundente, acabando com uma altercação entre ambos.
Assentando na narração de acontecimentos banais e dos vícios que enformam a vida social lisboeta, o narrador faz desfilar um conjunto de personagens que se vão cruzando entre si, devido a situações pouco lícitas.
Adaptada ao teatro, esta obra obteve grande sucesso de palco, denunciando "sem dó nem piedade" uma série de preconceitos e ilusões que davam forma à sociedade dominante da época.
Como referenciar este artigo:
Luís de Sttau Monteiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2006. [Consult. 2006-04-18].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$luis-de-sttau-monteiro>.
Em 100 Anos de Teatro Português (Porto, ed. Brasília, 1984, p. 12), Luiz Francisco Rebello considera, ao periodizar a evolução do teatro português contemporâneo, quatro momentos sócio-politicamente distintos, com inevitáveis repercussões sobre a arte cénica contemporânea: um período pré-republicano, entre 1881 e 1910; um período de vigência da república democrática, entre 1910 e 1926; o período de ditadura, entre 1926 e 1974; e, o período pós-revolucionário. Entre o fim de século e o início do século XX, a produção teatral, continuando tendências firmadas desde o naturalismo, faz coexistir a revivescência do drama histórico com as primeiras incursões pelo teatro simbolista e com um drama de costumes que frequentemente ainda se ressente, nas inflexões melodramáticas, da influência do drama romântico, dominando, então, o panorama teatral autores como D. João da Câmara, Marcelino Mesquita, Lopes de Mendonça ou Júlio Dantas. A este período, marcado também por tentativas de renovação do teatro, como a fundação do "Teatro Livre", continuada no projecto do "Teatro Moderno", segue-se, durante a República, um período em que proliferam o drama de costumes, a comédia de situações, o drama rural, o drama psicológico e o drama histórico, particularmente aplaudidos por uma plateia burguesa. Sob a censura e sofrendo a concorrência do cinema e da rádio, foram raras as companhias que conseguiram granjear certa longevidade, vendo-se frequentemente obrigadas a desistir dos seus projectos por falta de recursos. Entre as iniciativas que marcaram a renovação do teatro português durante o regime salazarista, destaca-se a fundação, por António Pedro, do Teatro Experimental do Porto; a fundação, em 1946, por Luiz Francisco Rebello, Vasco Mendonça Alves e Gino Saviotti, do Teatro Estúdio do Salitre, ou a fundação do Teatro Estúdio de Lisboa por Luzia Maria Martins. Este período é marcado, a nível dos conteúdos teatrais, pela conjugação de uma intenção de crítica social com a influência, desde meados do século, do Teatro do Absurdo e da dramaturgia de Beckett, Brecht ou Ionesco, a que acresceria, na década de 60, a de Jean Genet e de Peter Weiss. Entre os autores que mais se distinguiram, na segunda metade da época contemporânea, pela qualidade e quantidade da sua produção dramática, contam-se, entre outros, os nomes de António Pedro, Jaime Salazar Sampaio, Augusto Sobral, Helder Prista Monteiro, Luis de Sttau Monteiro, Luiz Francisco Rebello e de Bernardo Santareno.
A 22 de Março, comemora-se o Dia do Teatro Amador e, a 27 do mesmo mês, o Dia Mundial do Teatro.
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Luís de Sttau Monteiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2006. [Consult. 2006-04-18].
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As canções de resistência ou canções de protesto, consideradas após a revolução de Abril de 1974 como canções de intervenção, são constituídas por poemas e músicas de denúncia de um presente de repressão e surgem como luta por um mundo melhor. Sem finalidade comercial, recorrendo, com frequência, à balada e com acompanhamento à viola ou à guitarra, possuem uma mensagem universalista, livre de qualquer constrangimento social.
Se olharmos as grandes revoluções, houve sempre escritores, músicos, pintores e escultores, na sua génese, a provocar a consciência para aceitar a mudança. Fernando Namora, em Sentados na Relva afirma que "A arte era o nosso veículo de protesto; impunha-se que os romances e os poemas que escrevíamos fossem a voz desses homens cujo grito não era ouvido, fossem o registo de uma realidade iníqua que urgia denunciar e resgatar."
Na base das canções da resistência, estiveram, muitas vezes, poemas que exprimiam o sentimento de um povo oprimido, com a esperança da liberdade. Em alguns países, constituem, sobretudo, canção de protesto de movimentos pacifistas e anti-belicistas.
Nas grandes contestações ao longo do século XX estiveram, igualmente, os artistas. Poetas como Rimbaud, dramaturgos como Bertold Brecht ou Sttau Monteiro, e compositores e intérpretes de inspiração country como Woody Guthrie marcaram uma geração que fez da arte o seu combate. Muitos recordam ainda o folk-rock americano com as mesmas inquietudes que caracterizavam o rock'n'roll e o pop. Basta recordar Joan Baez ou Bob Dylan com as suas guitarras e as baladas de Zeca Afonso ou Adriano Correia de Oliveira.
Em Portugal as canções da resistência assumem uma função social e política desde o princípio dos anos 60, nomeadamente com a eclosão da Guerra Colonial em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau. Muitos foram os poetas que encontraram a palavra exacta para esse momento. Mesmo aqueles que, aparentemente, não entraram na denúncia do regime, fizeram músicas onde a revolta se sente presente. O guitarrista Carlos Paredes, por exemplo, que considerava a música, antes de tudo, como um acto de amor, toca, frequentemente, no meio dos amigos, com cantores como Adriano Correia de Oliveira ("Que Nunca Mais", com textos de Manuel da Fonseca e arranjos de Fausto) e Carlos do Carmo ("Um Homem no País", com letras de José Carlos Ary dos Santos), ao lado de poetas como Manuel Alegre ("É Preciso Um País") ou incentivando e procurando entender as experiências sonoras de músicos mais jovens.
Pela consciência social que a arte podia formar, muitos destes poetas, compositores e intérpretes viram os seus discos censurados pelo Estado Novo: Adriano Correia de Oliveira, José Afonso, Luís Cília, Manuel Freire, José Mário Branco, José Barata Moura, Sérgio Godinho, Carlos Alberto Moniz, Maria do Amparo, Teresa Paula Brito, Fausto, Carlos Paredes e muitos outros.
Como referenciar este artigo:
Luís de Sttau Monteiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2006. [Consult. 2006-04-18].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$luis-de-sttau-monteiro>.
Militar português, 9.º Conde da Feira, nascido a 1 de Novembro de 1769 e falecido a 6 de Novembro de 1827, entrou para o exército em 1785, como cadete no Regimento de Peniche. Promovido a alferes em 1787, a capitão em 1791 e a major em 1793, tornou-se ajudante de ordens do general Forbes, combatendo no Rossilhão e na Catalunha. Em 1800, foi nomeado governador e capitão-general do Pará, Brasil, (para onde não chegou a partir). Em 1808 foi promovido a marechal de campo e em 1812 a tenente general.
Apoiou Beresford na reorganização do exército português, embora assumindo posições cada vez mais críticas sobre a influência do general britânico.
Com a revolução de 1820, abandonou o seu lugar na Regência, mas recebeu o título de conde da Feira.
Luís de Sttau Monteiro fez de D. Miguel Forjaz personagem na sua peça de teatro Felizmente Há Luar!. Primo de Gomes Freire, é um governante prepotente, assustado com transformações que não deseja, corrompido pelo poder, vingativo, frio, desumano, calculista. Inteiramente dedicado aos seus ideais, D. Miguel assume como missão o combate por um modelo de sociedade à luz dos valores do patriotismo e da noção de Estado, assente nos pilares tradicionais da monarquia absolutista; da defesa de uma sociedade estratificada, com papéis sociais distintos; da recusa de uma sociedade regida por princípios como liberdade e igualdade; da concepção de um poder político autocrático.
Representante da Nobreza na Regência, assume o papel principal na acusação do General Gomes Freire pois receia que o prestígio, inteligência e capacidade deste lhe retirem a projecção a que está habituado e coloquem em causa o seu lugar na Regência.
Como referenciar este artigo:
Luís de Sttau Monteiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2006. [Consult. 2006-04-18].
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"Felizmente Há Luar!", de Luís de Sttau Monteiro: o escritor e a obra
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Literatura portuguesa: do início até ao final do século XX, os acontecimentos mais marcantes da Época Contemporânea da literatura nacional
Filme dramático português realizado em 2005 por Marco Martins e interpretado por Nuno Lopes, Beatriz Batarda, Miguel Guilherme e Ana Bustorff, entre outros. A produção foi de Paulo Branco e o argumento foi da autoria do realizador, inspirando-se no caso real do desaparecimento do menino Rui Pedro, em 1998, de 11 anos. Aliás, o filme é dedicado à mãe do Rui Pedro, Filomena, que colaborou activamente com o realizador.
A acção desenrola-se no momento em que passam 193 dias sobre o desaparecimento da pequena Alice, de 4 anos. O pai, Mário (Nuno Lopes), actor de teatro, passa todo o seu tempo livre a entregar folhetos sobre o desaparecimento da filha e a visionar cassetes de vídeo com filmagens das ruas de Lisboa na tentativa de apanhar algum sinal que o conduza ao paradeiro de Alice. A mãe, Luísa (Beatriz Batarda), não tem a mesma força, rendendo-se a uma funda melancolia. Mas o centro do filme é mesmo a figura paterna: Mário entrega-se todos os dias a um ritual obsessivo que o impede de cair na depressão. Levanta-se, faz o mesmo percurso que fez quando levou Alice pela última vez ao infantário, vai entregar panfletos com a fotografia da filha e o número de telefone, depois vai substituir as cassetes das câmaras que tem instaladas em diversos locais da cidade (alguns só possíveis com generosas cumplicidades). À noite, depois de representar a peça ironicamente cómica em que trabalha, instala-se em casa em frente a um painel de monitores perscrutando algum sinal da sua Alice no meio da multidão anónima que passa nas ruas. Um dia, através do reconhecimento de um casaco azul igual ao que Alice tinha vestido quando desapareceu, pensa ter encontrado um sinal do seu paradeiro. Coloca-se então outro dia no mesmo local em que filmou essa criança, mas depois de a seguir acaba por deixá-la escapar sem conseguir chamá-la. A situação repete-se, mas a criança não se revela a sua filha.
Obra de estreia do seu realizador, Alice é pungente e retrata uma realidade muito dolorosa dos nossos dias. Filmado em tons azuis, que acentuam o anonimato e a mecanização do território urbano, o filme contou com excelentes interpretações de Nuno Lopes (indicado para representar Portugal nos "Shooting Stars" - iniciativa europeia destinada a promover as revelações ao nível da interpretação cinematográfica) e Beatriz Batarda, assim como com uma belíssima banda sonora da autoria de Bernardo Sassetti.
Muito elogiado pela crítica, venceu, entre diversas outras distinções o Prémio Regards Jeunes, da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2005; foi nomeado para o Prémio Fassbinder de Revelação nos Prémios do Cinema Europeu; ganhou o Prémio da Crítica Internacional, atribuído pela Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica, e o Prémio de Melhor Fotografia concedido pela Associação Argentina de Autores de Fotografia Cinematográfica; e ainda o Prémio para Melhor Filme, atribuído na XIII edição do Festival Caminhos do Cinema Português, em Abril de 2006.
Como referenciar este artigo:
Luís de Sttau Monteiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2006. [Consult. 2006-04-18].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$alice,2>.
Durante o regime do Estado Novo, sobretudo entre 1973 e 1974, os diferentes sectores da massa populacional empreenderam na clandestinidade acções contra o governo. A classe operária foi uma das mais enérgicas nesta luta, entrando em greves sucessivas os pescadores, os agricultores, os trabalhadores de transportes, os operários da indústria, entre outros, sendo as revoltas mais acesas nas regiões do Ribatejo e do Alentejo (o número de participantes ascendeu a cerca de cem mil). Por outro lado, o movimento democrático tinha claros objectivos políticos e arranjava formas de actuar, fosse na clandestinidade fosse de forma aberta, e de recrutar apoiantes. Este movimento constava não só de trabalhadores mas também de intelectuais, médicos e professores, que causavam constantes agitações e criticavam o governo por meio da escrita e da música, apesar da censura, tendo inclusivamente surgido nesta altura a Associação Portuguesa de Escritores. Os jovens eram igualmente um sector entusiasta e que se encontrava sempre na linha da frente na reivindicação dos seus direitos e da liberdade de manifestação. De facto, quase todas as pessoas tinham familiares ou amigos próximos a combater na cruenta guerra colonial, que se arrastava semeando mortes e parecia infrutífera e destituída de sentido. Deste modo, a revolta preparada pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) teve um total apoio por parte do povo, insatisfeito com as condições sociais, políticas e económicas do país e no dia 25 de Abril de 1974 saiu à rua secundando e aplaudindo as acções dos militares. Foi sobretudo este suporte total por parte da população que colocou o regime do Estado Novo perante uma situação incontestável e sem retorno. Para alguns analistas políticos, o papel do povo na própria acção da revolução e na sua preparação foi, no entanto, relativamente reduzido, considerando que a sublevação revolucionária foi uma empresa exclusiva e autónoma das Forças Armadas e foi quase nenhum o contacto entre os militares e os partidos da oposição (Partido Comunista e Partido Socialista). Para outros, se a base operacional e o arranque foram de cariz militar, já o processo revolucionário teve que ser popular, como foi, pois sem o apoio imediato e o entusiasmo do povo, dificilmente o movimento não teria passado de uma bravata de alguns jovens oficiais. A pressão do povo e dos seus partidos mais representativos, na esfera política da "esquerda", foi essencial, completando o MFA, que coordenou política e militarmente numa primeira fase, assegurando a passagem do poder para os representantes do povo, ainda que sem eleições.
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Luís de Sttau Monteiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2006. [Consult. 2006-04-18].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$poder-popular-no-25-de-abril>.
Um dos doze apóstolos de Jesus Cristo, Judas era filho de Simão. Segundo reza a história bíblica, acreditada durante séculos, esteve presente na Última Ceia, de onde saiu, no entanto, para executar a sua traição, vendendo Cristo por 30 moedas aos seus inimigos. Para que estes reconhecessem Jesus entre os apóstolos, Judas traíu-O com um beijo. Desesperado pelo remorso, acabaria por se enforcar.
Em 2006, porém, outros dados foram revelados. Estudos feitos após a conclusão do restauro, tradução e análise de um manuscrito encontrado no Egipto, em finais dos anos 70, conduziram à forte suspeita que esse documento é o próprio Evangelho de Judas e que, de acordo com o que aí está escrito, Judas não terá traído Jesus, mas sim terá sido incumbido por Ele da difícil tarefa de o entregar aos romanos para que fosse sacrificado.
Esta descoberta veio abalar "a verdade" secular conhecida até então e gerar polémica entre os mais crentes.
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Luís de Sttau Monteiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2006. [Consult. 2006-04-18].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$judas-iscariotes>.
Político e governante israelita, Ariel Sharon nasceu a 27 de Fevereiro de 1928, em Kfar Malal, em Israel. Com apenas vinte anos, durante a guerra da independência de Israel de 1948, comandou uma companhia de Infantaria. Em 1953 fundou e liderou uma unidade especial de comandos que procedia a operações de retaliação e, três anos depois, comandou um corpo de pára-quedistas que combateu na campanha do Sinai. A partir de 1958, e durante quatro anos, foi comandante de Infantaria e, ao mesmo tempo, frequentou um curso de Direito na Universidade Hebraica de Jerusalém. Formou-se em 1962 em Leis e Estudos do Médio Oriente.
Ariel Sharon desempenhou, entretanto, diversos cargos de comando militar, tendo participado em 1967 na Guerra dos Seis Dias.
Em Junho de 1972 retirou-se do Exército, mas regressou no ano seguinte para comandar, na Guerra de Yom Kippur, uma divisão que atravessou o Canal de Suez. Ainda em 1973 foi eleito para o Knesset, o parlamento israelita, que abandonou um ano depois para passar a desempenhar funções de conselheiro de segurança do primeiro-ministro Yitzhak Rabin.
Em 1977 voltou a ser eleito para o Knesset e foi indicado para ministro da Agricultura pelo partido Herut. Posteriormente, de 1981 a 1983, foi ministro da Defesa, cargo que desempenhou enquanto decorreu a guerra no Líbano. Nessa altura, contribuiu para desmantelar estruturas terroristas da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) que operavam no Líbano. Entretanto, a nível de política externa alcançou, em 1981, pela primeira vez um acordo de cooperação estratégica com os Estados Unidos da América. Abandonou o cargo em 1983 depois de ter sido acusado por uma comissão governamental de ser indirectamente responsável por um massacre de palestinianos ocorrido em Setembro de 1982, num campo de refugiados de cristãos libaneses. Contudo, manteve-se no governo como ministro sem pasta. Esteve nessa situação durante dois anos, até que lhe foi entregue a tutela do Ministério da Indústria e Comércio. Em 1985 alcançou um acordo de comércio livre com os Estados Unidos. Em 1990 passou a ministro da Habitação e Construção, cargo em que esteve dois anos e durante o qual fomentou a construção de 144 mil apartamentos, para receber imigrantes russos provenientes do colapso da União Soviética. Em 1992, saiu do governo e voltou ao parlamento, onde serviu nos comités de Defesa e dos Negócios Estrangeiros. O regresso ao governo aconteceu em 1996, para ser ministro das Infra-estruturas Nacionais, cargo que acumulou com a pasta dos Negócios Estrangeiros a partir de 1998. Neste período, manteve contactos com líderes norte-americanos, europeus, palestinianos e árabes para tentar fazer avançar o processo de paz.
Em Maio de 1999, foi reeleito para o Knesset e liderou o Partido Likud depois da demissão de Benjamin Netanyahu e, em Fevereiro de 2001, venceu as eleições em Israel, tendo sido nomeado primeiro-ministro. Em Janeiro de 2003, depois de serem anunciadas eleições antecipadas para o parlamento israelita, Ariel Sharon foi incumbido pelo presidente a formar um novo governo.
Três anos mais tarde, Ariel Sharon sofreu um acidente vascular cerebral e entrou em estado de coma. Como a lei prevê um prazo de cem dias antes que o primeiro-ministro possa ser declarado inapto para desempenhar o cargo, passou a exercer funções o seu assessor Ehud Olmert. A 11 de Abril de 2006, findo o prazo legal previsto, Ariel Sharon foi declarado inapto e Ehud Olmert designado oficialmente primeiro-ministro pela maioria dos membros governamentais.
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Luís de Sttau Monteiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2006. [Consult. 2006-04-18].
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Doença infecciosa do aparelho respiratório causada por um vírus Influenza (A, B ou C), membro da família ortomixoviridae.
A primeira referência aos sintomas da gripe terá sido feita por Hipócrates, cerca de 412 a. C., enquanto que os registos sobre a primeira pandemia gripal datam de 1580.
As diferentes classes de vírus subdividem-se em diferentes tipos, responsáveis por quadros sintomáticos diversos. Assim, enquanto que os vírus A (encontrados quer no ser humano quer em animais) e B (normalmente exclusivo dos seres humanos), em constante circulação e mutação, têm sido os responsáveis pelas epidemias e pandemias, o C está geralmente associado a casos menos frequentes e isolados.
Todos os anos surgem epidemias de gripe, com gravidade e extensão variáveis. Surtos localizados aparecem cada 1 a 3 anos e as pandemias costumam aparecer com intervalos de 10 a 15 anos. São exemplos destas últimas a gripe "espanhola" (1918-1920), que matou cerca de 40 milhões de pessoas, e as gripes "asiática" (1957-1958) e "de Hong-Kong" (1969-1970), responsáveis por mais de 4 milhões de mortes. O vírus H5N1, do tipo A, autor da chamada gripe "das aves" - assim designada por, durante muito tempo, pensar-se ser exclusiva desta classe -, foi isolado pela 1.ª vez em 1961, mas só em 1997 foi isolado num ser humano, em Hong Kong. Ainda nesse ano e nessa cidade, foram noticiadas as primeiras infecções num elevado número de galinhas e, posteriormente, num grupo alargado de pessoas residentes no território.
À medida que a população vai contactando com os vírus Influenza, vai-se imunizando. Os novos surtos surgem como resultado da capacidade dos vírus modificarem os seus antigénios de superfície. Deixam assim de ser reconhecidos pelo sistema imunológico do organismo, o que possibilita a replicação vírica (processo de reprodução vírica que provoca o seu aumento) e a expressão exuberante da doença.
A gripe é caracterizada pelo início abrupto de cefaleias, febre, arrepios, dores musculares, mal estar, tosse e rouquidão. Nas formas não complicadas, a recuperação acontece em 2 a 5 dias e, na maioria das vezes, quase completamente em menos de uma semana. Os problemas mais graves resultam das complicações secundárias: a pneumonia (vírica, bacteriana ou vírica com sobre-infecção bacteriana) é a mais frequente, mas também podem surgir complicações extra-pulmonares (a síndroma de Reye, a miosite, a rabdomiólise, a encefalite e a síndrome de Guillain-Barré são as mais comuns). Estas complicações são as mais frequentes e as que têm maior gravidade, sendo muitas vezes fatais nos chamados grupos de risco: crianças, idosos, portadores de doenças crónicas cardíacas, respiratórias, endócrinas ou debilitantes, e imunodeprimidos (indivíduos com diminuição das defesas naturais por doença infecciosa como a SIDA, por doença auto-imune que causa disfunção do próprio sistema imunitário ou por medicamentos com esse efeito secundário, como os corticosteróides ou quimioterápicos antineoplásicos).
O diagnóstico é feito pelo quadro clínico que surge num contexto epidémico e pode ser confirmado pelo isolamento e caracterização do vírus nas secreções nasofaríngeas ou expectoração. A caracterização antigénica do vírus não se usa como rotina clínica mas apenas com intenção de caracterizar a difusão da infecção e determinar o tipo de vacina a desenvolver (o aparecimento de uma nova estirpe obriga, por exemplo, ao desenvolvimento de uma nova vacina).
O tratamento é feito com medidas inespecíficas de suporte geral destinadas a tratar os sintomas. Não há ainda nenhum medicamento antivírico eficaz. A identificação e tratamento precoce das complicações contribui para reduzir a morbilidade e a mortalidade associadas a esta situação.
A medida mais eficaz no combate à infecção é profiláctica. Estirpes víricas mais frequentes no ano anterior e cuja expansão se preveja para uma determinada área geográfica são identificadas, inactivadas e administradas à população em risco. A Organização Mundial de Saúde recomenda a sua administração a todas as pessoas com mais de 6 meses de idade com doença pulmonar ou cardiovascular crónica, residentes em lares ou instituições, a indivíduos com mais de 65 anos de idade, trabalhadores de saúde, diabéticos, doentes renais ou imunodeprimidos. A imunidade surge 10 a 15 dias após a injecção da vacina. A vacinação é um processo que se acredita ser seguro e eficaz para evitar a infecção por estes agentes. Nos grupos de risco atrás definidos, deve ser feita anualmente em Setembro/Outubro.
Numerosos agentes infecciosos podem estar na origem de infecções de tipo gripal (febre, rinite, coriza, faringite, pneumonia e diarreia). Ao contrário da gripe, estas infecções são benignas e curam espontaneamente ao fim de alguns dias. A vacinação anti-gripal não é eficaz em relação a estes agentes. É por isso importante distinguir o conceito popular de gripe da verdadeira gripe.
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