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Outubro 2004

Estimado utilizador

Voltámos!... Desta feita, no mês em que os dias, mais pequenos, se tornam frescos e dourados, os jardins se vestem de vermelho e as folhas se despedem das árvores. Regressarão os ventos mas também os grandes espectáculos de música, dança, cinema...
Escolhemos a arte dramática e, porque desejamos acompanhá-lo nesta nova temporada, apresentamos-lhe a História do Teatro. Mas, como sempre, colocamos à sua disposição outros "cenários"...

Bons espectáculos e até ao próximo mês!

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O que temos de novo

História do teatro

O Teatro até à Idade Média
O teatro é uma das mais antigas expressões artísticas do Homem, que sempre lhe dedicou espaços arquitectónicos notáveis, principalmente na Época Clássica e, depois, no Renascimento, até aos nossos dias. Pode ter nascido já no III milénio a. C., no Antigo Egipto, com as celebrações em torno dos momentos marcantes da figura do faraó, principalmente naquilo que o divinizava ou fazia dele senhor das suas terras e súbditos. Esta sacralidade vigorará na Antiguidade Clássica, quando se representavam as façanhas dos deuses, como Dioniso, ou tragédias e episódios da criação do Homem e do mundo. Recorde-se que o termo teatro para os Gregos, como para os Romanos, designava o espaço cénico e o espaço da assistência, o conjunto arquitectónico onde se desenrolariam géneros como o drama ou tragédia, a comédia, os enredos, etc.
A tragédia foi o género que mais cedo ganhou notoriedade, porque era considerado também o único representável, como renovação do indivíduo através da morte ou do sofrimento. Os maiores autores de tragédias foram os atenieneses do século V a. C. Ésquilo, Sófocles e Eurípides. Fatalista, heróico, musical também, convidativo à meditação e à filosofia, para Ésquilo era o coro o principal elemento cénico na obra teatral. Sófocles surgiu já como um tragediógrafo mais próximo do ideal do cidadão, conciliando poesia, política, ideais de cidadania e espírito atlético, numa versão mais humanizada da tragédia. Ambos os autores se mantiveram sempre dentro do cânone da tragédia, o que já não fez Eurípides, mais revolucionário e vanguardista, pois pretendia, por exemplo, desagrilhoar o indivíduo da religião e das instituições. Veio depois a comédia, com Aristófanes, por exemplo, mas como instrumento de sátira e crítica do mundo, de idealismo político e vivencial. Depois do século IV, surgiria a "nova comédia", com Filémon e Menandro, mais trivial e divertida, como fariam os Romanos com o grande Plauto, um criador de géneros cómicos, mas sempre crítico e reflexivo.
Na Índia, onde o teatro engloba também a dança, a expressão corporal e o canto, a representação servia principalmente para relatar epopeias e histórias das origens, num esplendor de expressões e sentimentos. A canção e a dança eram também importantes no teatro da China antiga. O argumento tinha pouca importância, valendo mais as cenas em si, com o seu movimento. No Japão, é de realçar o teatro de marionetas, frequente a partir do século XVIII.
No Ocidente, entretanto, com a queda do Império Romano, também o teatro desapareceu até perto do ano mil, altura em que surgiram os jograis itinerantes com as suas canções e enredos cómicos e satíricos. Mas o teatro religioso foi aquele que mais marcou a Idade Média, tendo tido a sua origem nos dramas litúrgicos em Latim, que eram talvez representados nas escolas catedralícias ou monásticas por mestres e estudantes. Os clérigos, nas grandes festas religiosas, representavam estes dramas nos santuários, o que é assinalado desde o século XI na Alemanha, França e Inglaterra. O século XI trará as línguas vulgares e o profano ao teatro medieval, nos adros das igrejas com actores laicos a representar. Estamos no tempo dos mistérios (temas do Antigo ou Novo Testamentos), dos milagres (das vidas de santos), dos autos, das moralidades (os temas mais recorrentes eram a morte, o desejo e a fé), dramas onde muitas vezes surgiram temas escatológicos e milenaristas (por exemplo, o Jogo do Anticristo, da Baviera do século XI, ou Esposo, drama francês do século XII). Recordem-se nomes como os do francês do século XV, Arnoul Gréban (o seu Mistério da Paixão demorava quatro dias a representar e tinha mais 35 000 versos!), ou de Duzentos, o também francês Rutebeuf, com o seu Milagre de Teófilo. A Idade Média também tinha "teatro" cómico, com as farsas. Em Portugal, surgiu, em finais do século XV e meados da centúria seguinte, o teatro de Gil Vicente, de gosto medieval mas, de certa forma, de temática profana já renascentista.

O Teatro do Renascimento às Luzes
O Renascimento, de facto, foi a idade de ouro do teatro europeu. Apesar das limitações ao profano que o Concílio de Trento logo em 1548 tentou impor, o teatro perdeu a sua quase exclusiva componente sacra da Idade Média. Assumiu-se cada vez mais como "teatro popular", mas já mais "profissionalizado", com a comédia separada da tragédia e com os autores a ganharem importância e independência criativa. O carácter sacro não se perdeu, porém, principalmente em Espanha (com os seus autos sacramentales). A comédia ganhou novo alento na Itália, graças à influência do folclore, assistindo-se ao apogeu da commedia dell´arte, com a Pulcinella ou o Pantalone, que influenciaria imenso vários autores, como, por exemplo, Molière. O teatro "nacional" desenvolveu-se, principalmente em Inglaterra e Espanha, evocando as memórias antigas e os feitos e grandezas do passado, misturando o mundo da cavalaria com os clássicos redescobertos. Isso mesmo pode ver-se em Shakespeare, um autor do seu tempo e dos tempos antigos, com o seu Falstaff, por exemplo.
Os adros das igrejas eram entretanto substituídos por novos "palcos", mais profanos, mais concorridos e com públicos mais diversificados: da estalagem às praças, das feiras aos salões reais. Aparecem as companhias, os géneros, os guarda-roupas e cenários, e até lucro com os bilhetes das peças, por via de investimentos importantes, mecenato ou actores particulares (reis, famílias...). Os grandes autores deste teatro renascentista foram, para além de Shakespeare, Lope de Vega e Marlowe, Beaumont, Fletcher ou Ben Jonson, entre outros.
O teatro não mais deixou de ganhar em fulgor e redescoberta, apurando-se géneros como a comédia, principalmente, graças a autores como Marivaux e Beaumarchais, em França, ou Goldoni, em Itália. A ópera, uma das grandes paixões do século XVIII, conferiu ainda mais força ao teatro. A tragédia, que evoluiu mais para o drama e para o melodrama, declinou nos séculos XVII e XVIII, pois mantinha ainda um profundo sentimento social e religioso. A tragédia heróica, de Corneille ou Racine, será uma excepção a esse declínio.
Na segunda metade do século XVIII, com Voltaire, o teatro adapta-se à sua época, simplificando-se cenicamente, em relação à ópera, principalmente. Se o repertório é ainda o do século XVII, de Racine, Shakespeare, Molière, dos espanhóis, os espaços são já diferentes, mais apropriados e dignificados cenicamente, tanto em teatros como em palácios ou abadias imperiais (como Einsiedeln, dos Esterházy). Entretanto, o século XVIII verá nascer dois novos géneros, a comédia sentimental, com o irlandês Steele, e a tragédia doméstica, com o inglês Lillo.

O Teatro do Romantismo à actualidade
O Romantismo irá, no entanto, pôr de lado os cânones barrocos e rococós, conformistas e desadaptados aos novos tempos. O teatro romântico ganhou notoriedade com figuras como Victor Hugo (Hernâni), Zorrilla (D. Juan) ou Rostand (Cyrano), para além dos alemães Goethe e Schiller. Se os primeiros revisitam valores antigos, figuras alegóricas e folclóricas, sob uma nova roupagem nacionalista ou exemplaridade, os segundos partem para a procura do Homem em se conhecer a si próprio. O teatro romântico chegou também à Rússia, com Pushkin e o seu Boris Godunov. Em Portugal, destaca-se o mais notável exemplo de teatro romântico: Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett (1843).
Surgirão, depois, o Realismo e o Naturalismo, em finais do século XIX, com Ibsen, Tchekov ou Strindberg, Galsworthy e O´Casey. O indivíduo libertava-se de amarras morais e éticas desadequadas aos novos tempos e à condição humana, rompendo com determinismos estáticos e inertes, valorizando-se como ser social. O Expressionismo, de certo modo anti-realista em termos de teatro, surge no primeiro quartel do século XX, baseado na valorização cénica como modo de reprodução de ideias, na mecanização da sociedade e no repensar da importância do subconsciente e da interioridade psíquica do indivíduo. A Alemanha foi o país onde o Expressionismo teve maior força, com autores como Werfel, Kaiser ou Toller.
No Teatro Contemporâneo, cujo início pode coincidir com a Primeira Guerra Mundial, há que recordar a comédia social, criticamente mordaz mas divertida, como se vê em Somerset Maugham, Molnar e o magistral Bernard Shaw, com as suas figuras-tipo em confronto com as velhas e deturpadas ideias românticas da sociedade. Depois virá Elliot, com valores renovados como o heroísmo, a confiança e até a religião, ou até Miller e Tennessee Williams, nos EUA, e Garcia Lorca, em Espanha, que valorizavam a realidade social e histórica nas suas obras. Em França, surgirão Anouilh, Camus e Sartre, depois do "teatro psicológico e experimental" de Jean Cocteau ou Mauriac. Os primeiros, autores existencialistas, privilegiavam a procura da personagem como sujeito de decisões morais. Pirandello, em Itália, era uma referência nesta altura, como os existencialistas Favri e Buzzati. Todavia, a maior figura do teatro do século XX foi o alemão Brecht, que procurava a "desintoxicação do Homem". Em Portugal, destaquemos, depois da Segunda Guerra Mundial, Alves Redol, Jorge de Sena ou Bernardo Santareno, entre tantos outros autores da questão social do Existencialismo. Entretanto, surgiu a Vanguarda, nos anos 50, com os ingleses Pinter, Osborne e Behan, com o seu teatro do realismo social, que teve nos franceses Beckett (irlandês, mas escrevendo em francês), Adamov e principalmente Ionesco (com o seu "teatro do absurdo") os seus maiores expoentes, que valorizaram a situação em detrimento do carácter. Tardieu, Genet e Arrabal manterão vivo este teatro de Vanguarda em finais do século XX.
Entretanto, há que referir o teatro infantil, que desde sempre existiu, da China Antiga à Inglaterra de finais do século XVI, mas que ganhará relevo com a importância que a criança adquiriu no século XIX, principalmente nos regimes comunistas, como sucedeu na ex-URSS com o célebre Teatro Infantil de Moscovo, dirigido por Natalie Satz na primeira metade do século XX. Muitas outras companhias surgiram nesse século em todo o mundo, recriando velhos clássicos como Peter Pan, Alice no País das Maravilhas e Branca de Neve, como não deixou de suceder em Portugal, onde, como no resto do mundo, surgiram autores especializados em teatro infantil.

Como referenciar este artigo:
História do teatro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2004. [Consult. 2004-10-06].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$historia-do-teatro>.

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Gil Vicente

Nascimento: c. de 1465, Guimarães (?)
Morte: 1536 (?)

Não há dados exactos quanto à data e local do nascimento de Gil Vicente. Contudo, e de acordo com Jacinto Prado Coelho, in Dicionário de Literatura, parece ter nascido em Guimarães por volta de 1465. Por outro lado, também não há dados absolutos que possam confirmar a teoria de alguns estudiosos que defendem que este Gil Vicente, "poeta dramático", seja o ourives da rainha D. Leonor, autor da célebre e riquíssima custódia de Belém. A coincidência do nome e a contemporaneidade de ambos apontam, todavia, para esta possibilidade.
Embora desde sempre tenham existido tentativas no sentido de atribuir a este autor uma grande cultura, não está comprovado que este tenha frequentado a universidade e aprendido o latim do Renascimento. Porém, pode afirmar-se que era detentor de um espírito conhecedor, dominando bem, enquanto católico e músico, a poesia litúrgica latina. Também o conhecimento do castelhano lhe franqueou as portas da cultura religiosa e profana.
A transmissão da sua obra confrontou-se com dificuldades várias. Inicialmente, os seus autos eram divulgados à medida que iam sendo escritos, em folhas soltas. Na verdade, Gil Vicente iniciou o trabalho de compilação das suas obras completas, mas, antes de morrer, apenas foi capaz de reunir algumas das folhas e manuscritos e de redigir a dedicatória ao rei D. João III. Assim, esta compilação só foi concluída e impressa, em 1561-1562, pelo seu filho Luís Vicente, já não conseguindo escapar à "mão inquisitorial" estabelecida em Portugal em 1536, ano provável da morte do autor. Na verdade, o Index de 1551 refere já sete autos vicentinos que ou foram totalmente censurados ou autorizados depois de expurgados. Em 1561-1562, quando Luís Vicente edita as obras completas de seu pai, a censura do Tribunal do Santo Ofício parece ter sido um pouco mais branda e o Index de 1564 não refere nenhuma obra vicentina. Segundo Jacinto Prado Coelho, in obra citada, "é difícil não reconhecer a influência da Rainha D. Catarina, de quem Paula Vicente, filha do poeta, era 'moça de câmara'", considerando assim que aquela terá influenciado a alteração de critérios de censura subjacente à elaboração do Index de 1564.
Apesar da alegada influência real, esta compilação de 1561-1562 parece, contudo, dever muito à autenticidade, conforme podemos concluir pela comparação feita com a única folha volante do tempo de Gil Vicente, hoje conservada. Este estudo comparativo, infelizmente, permite aferir a mutilação da obra vicentina, pois o próprio filho do poeta parece ter confessado que se lhe arrogou a missão de "purar" os textos que recolhera, fazendo cedências imperdoáveis à censura. Aliás, esta benevolência inquisitorial foi "sol de pouca dura", como provam os graves atentados feitos à obra, no Index de 1581.
Considerado o "pai" do teatro português, Gil Vicente já tivera contacto, em Portugal, com representações litúrgicas, por altura do Natal e da Páscoa, e com algum repertório cómico de "feição improvisada e não literária", como os momos aristocráticos e cortesãos, considerados como as primeiras manifestações teatrais em Portugal.
Autor de uma obra variada, que ele próprio divide em comédias, farsas e moralidades, Gil Vicente não teve apenas preocupações de realização literária. De facto, e de acordo com J. P. Coelho, in História de Literatura, na sua obra "palpita de modo espantosamente vivo a sociedade portuguesa do primeiro terço do século XVI, com as suas classes, os seus vícios, os seus impulsos intelectuais e religiosos", a qual critica através da sátira, partindo da máxima latina ridendo castigat mores.
A sua crítica é profundamente mordaz, apresentando clérigos sem vocação, escudeiros parasitas e ociosos, fidalgos corruptos e vaidosos, profissões liberais que assentam na exploração das camadas populares, alcoviteiras que actuam sem escrúpulos para defenderem os seus interesses, e até o povo humilde que, passivamente, se deixa explorar pelos cobradores e frades. Não criando personagens que correspondam a indivíduos específicos, o teatro vicentino cria antes personagens que caracteriza como tipos sociais e "que funcionam apenas como símbolo de uma classe ou de um grupo social ou profissional". Na verdade, o que mais lhe interessa são os casos sociais que melhor lhe permitem fazer a sátira de costumes.

Bibliografia: Monólogo do Vaqueiro ou Auto da Visitação, 1502; Auto de S. Martinho, 1504; Auto da Índia, 1509; Auto Pastoril Castelhano, 1509; Auto da Fé, 1510; Auto dos Reis Magos, 1510; Auto da Sibila Cassandra, 1513; Auto dos Quatro Tempos, 1513; Auto da Exortação da Guerra, 1514; Auto da Mofina Mendes, 1515; Auto da Barca do Inferno, 1517; Auto da Barca do Purgatório, 1518; Auto da Alma, 1518; Auto da Barca da Glória, 1519; Auto da Fama, 1520; Auto Pastoril Português, 1523; Breve Sumário da História de Deus seguido do Diálogo sobre a Ressurreição, 1527; Auto da Feira, 1526; Auto das Fadas, 1527; Auto da Festa 1527 ou 1528; Auto da Lusitânia, 1532; Auto da Cananeia, 1534; Comédia de Rubena, 1521; Comédia do Viúvo, 1524; Comédia sobre a Divisa da Cidade de Coimbra, 1527; Romagem de Agravados, 1533; Floresta de Enganos, 1536; Cortes de Júpiter, 1521; Dom Duardos, 1522; Amadis de Gaula, 1523; Frágua de Amor, 1524; Templo de Apolo, 1526; Tragicomédia Pastoril da Serra da Estrela, 1527; Nau de Amores, 1527; Triunfo do Inverno, 1529; Sermão à Rainha D. Leonor; Trovas a Filipe Guilhen; Paráfrase de Salmoz; À morte de El-Rei D. Manuel; Romance à aclamação de D. João III; Pranto de Maria Parda; A Afonso Lopes Çapaio; Ao Conde de Vimioso; A El-Rei D. João III; Carta a D. João III; Epístola Dedicatória a D. João III; O velho da Horta, 1512; Quem tem Farelos?, 1515; Auto das Ciganas, 1521; Farsa de Inês Pereira, 1523; Farsa dos Físicos, 1524; O Juiz da Beira, 1525 ou 1526; Farsa dos Almocreves, 1526; O Clérigo da Beira, 1529 ou 1530

Como referenciar este artigo:
História do teatro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2004. [Consult. 2004-10-06].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$historia-do-teatro>.

William Shakespeare

Poeta e dramaturgo inglês nascido em 1564, em Stratford-Upon-Avon, e falecido em 1616. O seu aniversário é comemorado a 23 de Abril e sabe-se que foi baptizado a 26 de Abril de 1564. Stratford-Upon-Avon era então uma próspera cidade mercantil, uma das mais importantes do condado de Warwickshire. O seu pai, John Shakespeare, era um comerciante bem sucedido e membro do conselho municipal. A mãe, Mary Arden, pertencia a uma das mais notáveis famílias de Warwickshire. Shakespeare frequentou o liceu de Stratford, onde os filhos dos comerciantes da região aprendiam Grego e Latim e recebiam uma educação apropriada à classe média a que pertenciam. São conhecidos poucos factos da vida de Shakespeare entre a altura em que deixou o liceu e o seu aparecimento em Londres como actor e dramaturgo por volta de 1599. Em 1582 casou com Anne Hathaway, oito anos mais velha do que ele, e o casal teve três filhos: Suzanna (nascida em 1583), e os gémeos Hamnet e Judith (nascidos em 1585). A primeira referência a Shakespeare como actor e dramaturgo encontra-se em A Groatsworth of Wit (1592), um folheto autobiográfico da autoria do dramaturgo londrino Robert Greene, onde o escritor é acusado de plágio. Nesta altura Shakespeare era já conhecido em Londres, embora não se saiba com exactidão a data do seu aparecimento na capital. Em virtude do encerramento dos teatros londrinos entre 1592-94, Shakespeare compôs nessa época dois poemas narrativos: Venus and Adonis (publicado em 1593) e The Rape of Lucrece (publicado em 1594). No Inverno de 1594 integrou a mais importante companhia de teatro isabelina, The Lord Chamberlain's Men, onde permaneceu até ao final da sua carreira. A companhia deveu à popularidade de Shakespeare o seu lugar privilegiado entre as restantes companhias de teatro até ao encerramento dos teatros pelo Parlamento inglês em 1642. Em 1598 foi inaugurado o Globe Theatre, o teatro da companhia a que Shakespeare se associara, construído pelo actor e empresário Richard Burbage no bairro de Southwark, na margem sul do Tamisa. Depois da ascensão ao trono de Jaime I (em 1603) a companhia The Lord Chamberlain's Men passou para a tutela real, e o seu nome foi alterado para The King's Men. A passagem de Shakespeare pelos palcos associa-se a breves desempenhos: Adam na peça As You Like It e o fantasma (Ghost) em Hamlet. Depois de ter comprado algumas propriedades em Strattford, Shakespeare retirou-se para a sua terra natal em 1610, mantendo todavia o contacto com Londres. O Globe Theatre foi destruído pelo fogo no dia 23 de Junho de 1613, durante uma representação da peça Henry VIII. Além de uma colecção de sonetos e de alguns poemas épicos, Shakespeare escreveu exclusivamente para o teatro. As suas 37 peças dividem-se geralmente em três categorias: comédias, dramas históricos e tragédias. Entre os dramas históricos, género que primeiro cultivou, destacam-se Richard III (Ricardo III), Richard II (Ricardo II) e Henry IV (Henrique IV). Entre as suas comédias contam-se Love's Labour's Lost, The Comedy of Errors, The Taming of the Shrew, a comédia de intenção séria The Merchant of Venice (O Mercador de Veneza), As You Like It (Como Quiserem) e A Midsummer Night's Dream (Um Sonho de Uma Noite de Verão). A tragédia não é uma forma que pertença exclusivamente a um determinado período na evolução da obra de Shakespeare. Sob influência de Marlowe, a forma de tragédia já se encontrava nas peças que dramatizavam episódios da História inglesa. Em Romeo and Juliet (Romeu e Julieta) e Julius Caesar (Júlio César) Shakespeare combinou a perspectiva histórica com uma interpretação trágica dos conflitos humanos. O período em que Shakespeare escreveu as suas grandes tragédias iniciou-se com Hamlet, escrita entre 1600-1602, a que se seguiram Othelo, Macbeth, King Lear, Anthony and Cleopatra e Coriolanus, todas elas compostas entre 1601 e 1608. Na última fase da carreira de Shakespeare situam-se as peças de tom mais ligeiro: Cymbeline, The Winter's Tale e The Thempest. Parte das obras de Shakespeare foram publicadas durante a vida do autor, por vezes em edições pirateadas, mas só em 1623 apareceu a edição "Fólio", compilada por John Heminges e Henry Condell, dois actores que tinham trabalhado com Shakespeare. No século XVIII as peças foram publicadas por Alexander Pope (em 1725 e 1728) e Samuel Johnson (em 1765), mas só com o Romantismo se compreendeu a profundidade e extensão do génio de Shakespeare. No século XX reforçou-se a tendência para considerar a obra de Shakespeare integrada nos contextos dramáticos que a suscitaram. Embora em muitos casos seja impossível datar precisamente as peças do autor, uma cronologia aproximada revela a evolução da sua obra:

Antes de 1594: Henry VI; Richard III; Titus Andronicus; Love's Labour's Lost; The Two Gentlemen of Verona; The Comedy of Errors; The Taming of The Shrew. Entre 1594-1597: Romeo and Juliet; A Midsummer Night's Dream; Richard II; King John; The Merchant of Venice. Entre 1597-1600: Henry IV; Henry V; Much Ado About Nothing; Merry Wives of Windsor; As You Like It; Julius Caeser; Troilus and Cressida. Entre 1601-1608: Hamlet; Twelfth Night; Measure for Measure; Alls Well That Ends Well; Othello; King Lear; Macbeth; Timon of Athens; Anthony and Cleopatra; Coriolanus. Depois de 1608: Pericles; Cymbeline; The Winter's Tale; The Tempest; Henry VIII. Poemas (datas desconhecidas): Venus and Adonis; The Rape of Lucrece; Sonnets; The Phoenix and The Turtle.

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História do teatro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2004. [Consult. 2004-10-06].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$historia-do-teatro>.

Sófocles

Trágico grego (496 ou 494 a. C.) nascido de pais abastados na bela povoação de Colono, nos arredores de Atenas.
Logo aos quinze anos foi encarregado de dirigir o coro que cantou o «pean» depois da vitória de Salamina.
Belo, inteligente e estimado de todos os seus concidadãos, foi nomeado em 440 a. C., juntamente com Péricles, estratego e encarregado da vigilância do tesouro da Acrópole.
Pelo seu gosto artístico e pelo equilíbrio do seu carácter pode ser considerado o Ateniense ideal. Nunca abandonou a Ática, onde morreu com 80 anos sem nunca ter estado doente.
Compôs mais de cem peças de teatro, mas até nós chegaram apenas sete: Ájax, Electra, Édipo Rei, Édito em Colono, Antígona , Traquínias e Filoctetes .
Ésquilo havia lançado as bases do género trágico. Coube a Sófocles levá-lo à perfeição, para o que contribuíram algumas inovações: a introdução em cena de um terceiro actor; o abandono da ligação das peças em trilogias, constituindo cada peça um todo; a maior extensão do diálogo, encurtando as intervenções do coro que passou a ser mero eco dos sentimentos das personagens; os cenários pintados que sugeriam o ambiente pretendido, evitando os complicados e pesados mecanismos utilizados por Ésquilo.
Mas a grande inovação de Sófocles foi ter dado força à intriga . A construção das suas peças é mais sólida, com soluções variadas e mais bem encadeadas. Com Sófocles a tragédia desce à terra e o homem torna-se o protagonista do drama.
Não é que Sófocles seja menos religioso que Ésquilo, pois das suas peças desprende-se uma moral profundamente religiosa.
Sófocles dizia: «descrevo os homens como eles deveriam ser, ao passo que Eurípides os descreve como eles são».
Este idealismo, porém, não tira às suas personagens nem a força, nem a graça, nem o sentido da realidade.
O estilo de Sófocles adapta-se com facilidade aos sentimentos expressos pelas personagens, nos coros, e no diálogo é conciso, firme, mas solto - «o Poeta da harmonia amado das Musas e das Graças» como dizia a inscrição do monumento que os Atenienses lhe dedicaram.

Como referenciar este artigo:
História do teatro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2004. [Consult. 2004-10-06].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$historia-do-teatro>.

Molière

Dramaturgo e actor francês (1622-1673), pseudónimo de Jean-Baptiste Poquelin, é considerado o melhor autor de toda a comédia francesa. Foi um dos fundadores do Illustre Théâtre em 1643. A sua primeira peça, les Précieuses ridicules (1659), alcançou um certo êxito, o que o levou a estabelecer-se em Paris. As peças mais conhecidas são: l'École des femmes (1662), le Tartuffe (1664), le Misanthrope (1666), l'Avare (1668), le Bourgeois gentilhomme (1670) e le Malade imaginaire (1673). As comédias de Molière constituem uma exposição da hipocrisia da sociedade francesa da época, o que o tornou alvo de muitas críticas.

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História do teatro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2004. [Consult. 2004-10-06].
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Plauto

De seu nome Titus Maccius Plautus, foi um importante comediógrafo do período da formação da literatura latina. Viveu entre cerca de 254 a. C. e o ano de 184 a. C.

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Commedia dell'arte

Também chamada comédia histriónica, de máscaras ou italiana, é uma comédia popular que floresceu na Itália de meados do século XVI ao início do século XIX, tendo-se alargado a outros países da Europa.
Os histriões recorriam ao uso de máscaras para caracterizarem os diversos tipos fixos de personagens e cada actor especializava-se numa personagem. Arlequim, Pedrolino (Pierrot), Polichinelo, Pantaleão, o capitão fanfarrão e o doutor contavam-se entre as principais figuras masculinas. Colombina, Isabella, Flaminia e Silvia eram as femininas.
A originalidade da commedia dell'arte residia no espaço dado à criatividade do actor, que improvisava o diálogo e lançava mão dos mais variados recursos representativos, embora dentro de um esquema de enredo e de cenário praticamente constantes. Este tipo de comédia muito popular veio a influenciar o circo, o bailado e muito do teatro moderno.

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História do teatro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2004. [Consult. 2004-10-06].
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Bertolt Brecht

Bertolt Brecht nasceu na Alemanha em 1898. Estudou Medicina e cumpriu o serviço militar num hospital, durante a I Guerra Mundial. É deste período que data a sua primeira peça. No após-guerra, desenvolveu uma atitude de oposição aos valores e à sociedade burguesa, exprimindo um profundo desapontamento em relação à sua geração, incluindo aqueles que se encontravam ligados a certas correntes do Modernismo. Com o compositor Kurt Weill, escreveu a célebre Die Dreigroschenoper ( A Ópera dos Três Vinténs , 1928). Com a ascensão ao poder do nacional-socialismo em 1933, Brecht partiu para o exílio, primeiro na Dinamarca e depois nos Estados Unidos da América, onde fez alguns filmes em Hollywood. Entretanto, na Alemanha era-lhe retirada a cidadania e os seus livros eram lançados à fogueira, no zelo persecutório que percorria as autoridades do país. Porém, seria justamente entre 1937 e 1941 que Brecht escreveria algumas das suas grandes peças - nomeadamente Mutter Courage und ihre Kinder ( Mãe Coragem e os seus Filhos , 1941) -, alguns dos melhores ensaios teóricos, diálogos e poemas. Em 1948, Brecht regressou a Berlim, na então República Democrática Alemã, onde se tornou director do Berliner Ensemble e onde viria a morrer em 1956.Outras peças dignas de especial referência são Leben des Galilei ( Vida de Galileu , 1943) e Der kaukasische Kreidekreis ( O Círculo de Giz Caucasiano , 1949). Brecht foi um dos grandes reformadores do teatro no século XX, desenvolvendo uma forma de drama capaz de realizar um certo tipo de intervenção social, ideologicamente marcada por um posicionamento político assumidamente de esquerda.

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História do teatro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2004. [Consult. 2004-10-06].
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auto de moralidade

Peça que permite recolher ensinamentos religiosos e outros através do recurso às alegorias.

Ex.: Auto da Alma e Auto da Feira, ambos de Gil Vicente.

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História do teatro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2004. [Consult. 2004-10-06].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$historia-do-teatro>.

Recursos Associados

"Felizmente Há Luar!", de Luís de Sttau Monteiro: o escritor e a obra

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Dossier Outubro

Assembleia da República

Órgão parlamentar, unicameral, composto por deputados eleitos por sufrágio directo, por círculos eleitorais definidos geograficamente, para mandatos de quatro anos. O número de deputados pode variar entre 180 e 230, nos termos da Constituição.
É, acima de tudo, um órgão legislativo, pois a ele cabe a função de fazer as leis. Desempenha ainda a função política de controlo (inspecção e fiscalização) dos actos do Estado, e assume-se como órgão por excelência do debate político a nível nacional. Por outro lado, compete-lhe a eleição de determinados órgãos ou de alguns membros destes: de dez juízes do Tribunal Constitucional, do Provedor de Justiça, do presidente do Conselho Económico e Social, de sete vogais do Conselho Superior da Magistratura, de cinco membros da Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS), de cinco membros do Conselho de Estado.
Para além do plenário da Assembleia, existem outros órgãos, com funções auxiliares ou de coordenação e que dispõem de uma certa autonomia e de direitos específicos. Esses órgãos são:
- a Presidência da Assembleia da República - o presidente é eleito pelos deputados e é a segunda figura do Estado português;
- a Mesa da Assembleia, que assegura a condução dos trabalhos do plenário;
- a Comissão Permanente, que é composta pelo presidente da Assembleia, por quatro vice-presidentes e por deputados indicados por todos os partidos;
- as Comissões, que desempenham tarefas de preparação e aprofundamento dos trabalhos;
- os grupos parlamentares, constituídos por deputados de um mesmo partido.

Como referenciar este artigo:
História do teatro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2004. [Consult. 2004-10-06].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$assembleia-da-republica>.

Jogos Paraolímpicos

Os Jogos Paraolímpicos, destinados a atletas com diversas deficiências físicas e motoras, tiveram início em 1960, com a realização do primeiro evento do género em Roma, começando a partir de então a realizar-se a par dos Jogos Olímpicos, coincidindo quase sempre com a cidade e país organizadores e com um intervalo de pelo menos duas semanas. Mas a ideia que preside à sua realização tinha já alguns anos. De facto, em 1948, Sir Ludwig Guttmann organizara já uma competição desportiva para veteranos da Segunda Guerra Mundial com lesões na espinal medula, na localidade de Stoke Mandeville, na Inglaterra. Quatro anos depois, atletas com limitações físicas provenientes dos países baixos juntaram-se a este grupo inglês, dando assim início ao movimento internacional conhecido como Jogos Paraolímpicos. Os primeiros assim propriamente ditos, com carácter organizado a nível de federações e envolvendo modalidades diversas foram realizados em Roma. Acompanham desde então o Ciclo Olímpico, tendo apenas não sido realizados em 1968 (México) e 1980 (Moscovo), por circunstâncias relacionadas com logística, boicotes políticos e ausência de intenções concretas de organização por parte dos países que organizavam as respectivas Olimpíadas. Nos casos - Munique, 1972; Montreal, 1976; Los Angeles, 1984 - realizaram-se em cidades vizinhas (Heidelberg, 1972; Toronto, 1976; Nova Iorque, 1984). Desde Seul 88 (Verão) e Albertville 92 (Inverno), tem coincidido sempre os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos em termos de cidade organizadora. O Comité Olímpico Internacional (COI), com sede em Lausana, Suíça, e o Comité Paraolímpico Internacional (CPI), sediado em Bona, Alemanha, decidiram que esta correspondência de cidades entre ambos os Jogos (e também tanto nos de Verão como de Inverno) se deveria manter, por uma questão de facilidades e de aproveitamento de tecnologia e logística.
Só em Toronto, Canadá, em 1976, é que se assistiu à integração nos Jogos de outros grupos de deficiências, reforçando assim a ideia da junção de vários tipos de incapacidades físicas e motrizes e não somente das resultantes de lesões na espinal medula. Neste quadro de diversificação e desenvolvimento do espírito paraolímpico, também se realizaram pela primeira vez os Jogos Paraolímpicos de Inverno, desta feita na Suécia.
Actualmente, os Paraolímpicos constituem um grupo de atletas pertencentes a seis diferentes categorias de incapacidades: tetra/paraplégicos, amputados, paralisia cerebral, invisuais, mental, "les autres". Os dois primeiros grupos são por vezes reunidos em um só, o que faz com que se fale em cinco grupos, como se passa em Portugal. Mas a ênfase, hoje em dia, é dada mais às prestações e resultados obtidos pelos atletas do que propriamente à deficiência em causa, ou ao esforço de superação da mesma. Há alguma polémica relativamente a certos atletas e respectivas deficiências, consideradas nesses casos pouco, ou nada limitadoras, ou numa percentagem que os exclui das categorias paralímpicas.
No entanto, o número de atletas em Jogos Paraolímpicos de Verão tem vindo sempre a aumentar: de 400 em Roma, em 1960, atingiram-se os 3195 em Atlanta, tendo sido superada a cifra de 4000 em Sidney. Em Sidney 2000, na Austrália, as modalidades paraolímpicas foram 18, duas mais que na edição anterior em Atlanta, pois assistiu-se à introdução de duas modalidades tanto do agrado dos australianos: o râguebi de cadeira de rodas e a vela. Das outras modalidades, e para além da nova que é o râguebi, são exclusivamente paralímpicas apenas o boccia e o goalball.
Relativamente à participação portuguesa nos Jogos Paraolímpicos, a primeira registou-se em Heidelberg 72, com 9 atletas, unicamente para basquetebol em cadeira de rodas, nos grupos de tetra/paraplégicos e amputados, não se tendo obtido qualquer medalha (a única vez até hoje). Em Nova Iorque 84, depois de um interregno de 12 anos, foram 15 atletas (paralisia cerebral), para boccia, atletismo, ciclismo e ténis de mesa, que trouxeram 14 medalhas. Em Seul 88, 13 atletas para atletismo e boccia, apenas do grupo de paralisia cerebral, conquistaram 12 medalhas. Barcelona 92 registou uma participação com mais do dobro de atletas em relação a Seul 88, com 28 atletas, de todos os grupos menos "Mental", para atletismo, boccia, futebol e natação (9 medalhas). Em Atlanta 96, estiveram 35 atletas portugueses, nas mesmas modalidades de Barcelona, agora de todos os grupos, tendo sido conquistadas 14 medalhas. Em Sidney 2000, com um record de presenças de 53 atletas, em todos os grupos e agora com mais modalidades (às anteriores, acrescentar basquetebol, ténis de mesa e ciclismo), foram conquistadas 15 medalhas. Apenas não participaram atletas paraolímpicos portugueses nas seguintes 11 modalidades: esgrima, equitação, goalball, judo, halterofilismo, râguebi, ténis, tiro, tiro com arco, vela e voleibol. Assim, em 11 dias de provas, os 53 atletas portugueses conquistaram 15 medalhas (bem como nove quartos lugares), ficando em 26.º lugar entre 68 países participantes, atrás da Nova Zelândia (17) e Brasil (22). A Austrália venceu em número de medalhas (149), seguida da Grã-Bretanha (131) e da Espanha (107). As medalhas portuguesas foram assim distribuídas: 6 de ouro, 5 de prata e 4 de bronze. Por modalidades, ao atletismo coube a fatia maior, 11 (5 de ouro, 3 de prata e 3 de bronze), seguido do boccia com 3 (1 medalha de cada tipo) e da natação, com uma medalha de prata. Há a registar ainda 4 records paralímpicos (todos no atletismo) e de um nacional (na natação, 50 m costas, S3, por Susana Barroso, com 1,05.53 min).
Na XII edição dos Jogos Paraolímpicos, que decorreu em Atenas entre 17 e 28 de Setembro de 2004, participaram cerca de 4000 atletas de 146 países. Portugal conseguiu 12 medalhas (duas de ouro, cinco de prata e cinco de bronze), tendo sido o boccia e a natação as modalidades mais bem sucedidas. No ranking dos medalhados ficou em 34.º lugar, enquanto que a China obteve o 1.º lugar, com 141 medalhas, seguida da Austrália, com 100.

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História do teatro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2004. [Consult. 2004-10-06].
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Implantação da República

A República Portuguesa foi proclamada em Lisboa a 5 de Outubro de 1910. Nesse dia foi organizado um governo provisório, que tomou o controlo da administração do país, chefiado por Teófilo Braga, um dos teorizadores do movimento republicano nacional. Iniciava-se um processo que culminou na implantação de um regime republicano, que definitivamente afastou a monarquia.
Este governo, pelos decretos de 14 de Março, 5, 20 e 28 de Abril de 1911, impôs as novas regras da eleição dos deputados da Assembleia Constituinte, reunida pela primeira vez a 19 de Junho desse ano, numa sessão onde foi sancionada a revolução republicana; foi abolido o direito da monarquia; e foi decretada uma república democrática, que veio a ser dotada de uma nova Constituição, ainda em 1911.
A implantação da República é resultante de um longo processo de mutação política, social e mental, onde merecem um lugar de destaque os defensores da ideologia republicana, que conduziram à formação do Partido Republicano Português (PRP), no final do século XIX.
O Ultimato inglês, de 11 de Janeiro de 1890, e a atitude da monarquia portuguesa perante este acto precipitaram o desenvolvimento deste partido no nosso país. De 3 de Abril de 1876, quando foi eleito o Directório Republicano Democrático, até 1890, altura em que se sentia a reacção contra o Ultimato e a crítica da posição da monarquia, a oposição ao regime monárquico era heterogénea e desorganizada. Contudo a "massa eleitoral" deste partido conseguiu uma representação no Parlamento em 1879, apesar de pouco significativa, numa altura em que a oposição ao regime era partilhada nomeadamente com os socialistas, também eles pouco influentes entre a população.
Em 1890, o partido surgiu quase do vazio, para um ano depois do Ultimato publicar um manifesto, elaborado pelo Directório, em que colaboraram: Azevedo e Silva; Bernardino Pinheiro; Francisco Homem Cristo; Jacinto Nunes; Manuel de Arriaga e Teófilo Braga. Este manifesto saiu a 11 de Janeiro de 1891, umas semanas antes da tentativa falhada de implantar a República de 31 de Janeiro.
Após o desaire desta tentativa, o partido enfrentou grandes dificuldades; no entanto, a 13 de Outubro de 1878, fora eleito o primeiro representante republicano, o deputado José Joaquim Rodrigues de Freitas.
Os representantes republicanos, no primeiro período da sessão legislativa de 1884, eram José Elias Garcia e Manuel de Arriaga. No segundo período foi a vez de Elias Garcia e Zéfimo Consiglieri Pedroso. Estes dois últimos estiveram também nas sessões de 1885 a 1889.
Para o primeiro período da sessão legislativa de 1890 foram eleitos os deputados Rodrigues de Freitas e José Maria Latino Coelho, e para o segundo período dessa sessão Bernardino Pereira Pinheiro, Elias Garcia, Latino Coelho e Manuel de Arriaga.
Na sessão de 1891, ano em que faleceram Elias Garcia (22 de Abril) e Latino Coelho (29 de Agosto) pontificavam os quatro deputados da sessão anterior; na de 1892 foram Bernardino Pinheiro, Manuel de Arriaga e Eduardo de Abreu; na de 1893 Eduardo Abreu, Francisco Teixeira de Queirós e José Jacinto Nunes; e passado um ano, em 1894, o mesmo Eduardo de Abreu e Francisco Gomes da Silva. Desta data e até 1900 não houve mais representação republicana. Nesta fase, em que esteve afastado do Parlamento, o partido empenhou-se na sua organização interna.
Nos últimos quinze anos de vida da monarquia portuguesa o Directório do Porto e o P.R.P., apesar de algumas divergências, trabalharam em conjunto. Na cidade do Porto o periódico A Voz Pública desempenhou um papel importante em prol da propagação dos ideais republicanos, tal como os de Duarte Leite, lente da Academia Politécnica. Em Lisboa circulavam O Mundo, desde 1900, e A Luta, desde 1906.
Após um período de grande repressão, o movimento republicano entrou de novo na corrida das legislativas em 1900, conseguindo quatro deputados: Afonso Costa, Alexandre Braga, António José de Almeida e João Meneses.
Nas eleições de 5 de Abril de 1908, a última legislativa na vigência da monarquia, foram eleitos, além dos quatro deputados das eleições transactas, Estêvão Vasconcelos, José Maria de Moura Barata e Manuel de Brito Camacho. A implantação do republicanismo entre o eleitorado crescia de forma evidente.
Nas eleições de 28 de Agosto de 1910 o partido teve um resultado arrasador, elegendo dez deputados por Lisboa. E a 5 de Outubro desse ano era proclamada a República Portuguesa.

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Paula Rego

Pintora portuguesa radicada em Inglaterra, Paula Figueroa Rego nasceu a 26 de Janeiro de 1935, em Lisboa. Formou-se na Slade School of Art e, nos inícios dos anos 60 do século XX, foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. A sua primeira aparição perante o público lisboeta deu-se em 1961, na II Exposição da Gulbenkian, tendo o seu trabalho sido bem acolhido pela crítica. O surrealismo e o expressionismo influenciaram estes primeiros desenhos e colagens. Passou pelo movimento da pop art inglesa, conservando, contudo, uma temática muito pessoal. A leitura dos romances de Henry Miller marcou igualmente o seu percurso, ao abordar temas do imaginário erótico feminino. Em 1965 produziu vários trabalhos relacionados com acontecimentos chocantes da vida política ibérica - Cães de Barcelona, Gorgon, Retrato de Grimau, Manifesto por uma causa perdida, temática já anunciada em 1961 com Salazar a vomitar a Pátria. Faz uma leitura pessoal de outras obras de arte e das suas memórias, integradas em processos narrativos em que o mundo da infância aparece como um lugar lúdico de perversidade e algum humorismo. Esta "narratividade" acentua-se nos anos 80. Nos anos 90, assume a orientação figurativa de raiz temática portuguesa ou atinge ainda uma dimensão universal abordando a condição feminina (Série de mulher-cão, Marborough Gallery, 1992). Paula Rego nunca se desligou da vida artística portuguesa, expondo regularmente entre nós, mas também noutros países, como aconteceu, por exemplo, nas cidades de Amesterdão, Paris, Lima e Bruxelas. Também já representou o Reino Unido em certames como a Bienal de S. Paulo. Em Maio de 1997, no Centro Cultural de Belém, foi inaugurada uma importante exposição retrospectiva da sua obra, com 136 trabalhos, cobrindo trinta e seis anos de carreira, e, em Outubro de 2004, o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, acolheu uma selecção da obra de Paula Rego, produzida desde 1997. Nesta mostra, de cerca de 150 obras, a artista apresentou, pela primeira vez, os desenhos preparatórios de algumas da suas pinturas, destacando a importância do desenho no seu trabalho.
Em 2001, foi publicado, numa edição limitada, numerada e assinada, o livro As Meninas, uma obra conjunta da artista e de Agustina Bessa-Luís.
Ao longo da sua carreira tem sido distinguida com vário prémios, como: Prémio Soquil (1971); TWSA Touring Exhibition, Newlyn Arts Centre, Penzance (1984); Prémio Benetton/Amadeo de Souza-Cardoso, Casa de Serralves, Porto (1987); Prémio Turner 89, Londres (1989); Prémio Bordalo da Casa da Imprensa 1997, Lisboa (1998); Prémio AICA'97, Lisboa (1998); Prémio de Consagração Celpa/Vieira da Silva (2001).

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Cats (musical)

Célebre musical britânico, concebido e composto por Andrew Lloyd Webber a partir da obra poética de T.S. Eliot intitulada Old Possum's Book of Practical Cats (de 1939).
O espectáculo estreou a 11 de Maio de 1981 no New London Theatre, no West End de Londres, com as interpretações de Elaine Page (que substituiu Judi Dench à última hora), Brian Blessed, Paul Nicholas, Wayne Sleep, Sarah Brightman (transformada anos depois em cantora famosa) e Bonnie Langford, entre outros. Foi produzido por Cameron Mackintosh e pela The Really Useful Theatre Company Limited, encenado por Trevor Nunn e coreografado por Gillian Lynne. Ficaria em cena até ao dia 11 de Maio de 2002, exactamente 21 anos depois da sua estreia, o que constitui um recorde mundial, com 8949 representações consecutivas.
A 7 de Outubro de 1982, estreou-se a produção de Cats na Broadway, no Winter Garden Theatre, conseguindo também aqui um recorde de 18 anos em cena.

A história começa no silêncio da meia-noite. De repente, irrompe música e luz revelando um beco onde o lixo se amontoa. Por momentos, vislumbra-se um furtivo gato a correr. Aos poucos, um por um, os gatos vão aparecendo na sua noite anual de celebração, demonstrando as suas habilidades numa fusão de poesia e dança. Inicialmente, mostram-se relutantes em partilhar o seu mundo secreto com a audiência humana, mas depois acedem a abrir-se. Começam por explicar que os gatos possuem três nomes diferentes: aquele que é usado diariamente pelos seus donos, um mais digno e um outro secreto. Victoria, uma jovem e inocente gata branca, inicia uma dança a solo. Entretanto, Munkunstrap, um grande gato cinzento que é também o narrador do espectáculo, explica que eles - os Jellicle Cats - esperam pelo seu líder, o sábio Deuteronomy, que escolherá qual deles irá no presente ano viajar até Heavyside Layer para renascer para uma outra vida. A partir daqui, cada um dos gatos conta a sua história a partir de números musicais, esperando ser o escolhido para tão especial desígnio: Jennyanydots, Rum Tum Tugger, Grizabella, Ansparagus, Skimbleshanks, Rumpleteazer, Mungojerrie, entre outros.
Da peça que redefiniu o musical moderno, o tema musical mais conhecido é "Memory", imortalizado primeiro por Elaine Page e depois por Barbra Streisand.
O seu esmagador sucesso internacional pode avaliar-se pelos números: visto por mais de 50 milhões de pessoas em mais de 300 cidades de todo o Mundo e representado em 11 línguas.
A 6 de Outubro de 2004, o lendário espectáculo chegou a Portugal, estreando no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

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História do teatro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2004. [Consult. 2004-10-06].
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