A Hansa Teutónica

Desde cedo que os mercadores europeus sentiram necessidade de se unir para mais facilmente organizarem os seus comboios de mercadorias e enfrentarem inimigos e problemas comuns. A partir de 1050 começaram a aparecer algumas associações profissionais e religiosas, cujos mais antigos regulamentos conhecidos são os da Karitet de Valenciennes (entre 1050 e 1070), embora esta associação tivesse fins mais caritativos. Com o tempo, estas associações vão ser laicizadas, passando a estar intimamente ligadas com problemas do comércio, como a segurança nas viagens, por exemplo. Mais tarde, esta questão vai ser acompanhada por outras de maior importância, tais como: fazer face à concorrência, preservar o monopólio de vendas num certo mercado local - como era o caso das guildas -, ou o tráfico com um mercado externo como sucedia com as hansas.
No século XIII, a expansão comercial alemã para o Norte era notória, sobretudo para a Inglaterra e os Países Baixos. Trata-se de uma colonização comercial, onde os grupos de mercadores estabeleciam relações com os portos britânicos e com Bruges.
As relações comerciais entre Colónia, Bremen e Londres datariam, muito provavelmente, do século XII, mas somente no século seguinte é que o mar do Norte se viu repleto de mercadores provenientes do Leste. A cidade de Colónia foi a primeira a estabelecer contactos com a Grã-Bretenha, mas foi ultrapassada pelos comerciantes de madeiras e de breu de Lubeque e por outros mercadores do Báltico. Passado algum tempo, três grupos concorrentes, aos quais a Inglaterra concedera privilégios idênticos, formam três hansas, que se reuniram numa só em 1281. Deste modo, a Hansa alemã, ou Hansa Teutónica, fundia as hansas de Colónia, de Hamburgo (1266) e de Lübeck (1267). A sua representação em Londres era dirigida por um ancião escolhido pelos mercadores e aceite pela cidade.
Os comerciantes alemães, inclusivamente os de Colónia, só tardiamente vieram a aparecer na Flandres. Apenas no último quarto do século XIII se registou, de facto, um significativo aumento do número de mercadores alemães em Bruges. Nesta cidade, os alemães viviam entre a população, uma situação mais vantajosa à verificada em Londres e Novgorod (na Rússia), onde se confinavam a "bairros" da sua nacionalidade. Em 1252 e 1253, estes comerciantes foram alvo de alguns privilégios, posteriormente confirmados, que muito contribuíram para o seu sucesso nos Países Baixos (ocorrido, principalmente, na segunda metade do século XIII).
À volta de Bruges gravitava um comércio muito rico, dado ser um ponto central do comércio hanseático, entre o Báltico e a Gasconha, no sul de França. Aqui, vendiam-se especiarias oriundas de Itália, tecidos dos Países Baixos e diversos produtos transportados pelos comerciantes hanseáticos até à Europa Central e Oriental e até Novgorod.
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