A Ilustre Casa de Ramires

Romance de Eça de Queirós editado em volume no ano da morte do autor, que o deixara pronto para publicação, e cujos primeiros capítulos tinham já saído em 1897, na Revista Moderna de Paris. A ação decorre na província, entre a aldeia de Santa Ireneia, a Vila-Clara e a cidade de Oliveira, espaço onde se movimenta o protagonista, Gonçalo Mendes Ramires, que, crendo-se "o mais genuíno e antigo fidalgo de Portugal" e predestinado a "restaurar em Portugal o romance histórico", se divide entre o desejo de escrever um romance sobre o seu antepassado Tructesindo Mendes Ramires, alferes-mor de D. Sancho I, e a ambição política. A Ilustre Casa de Ramires, para além de satirizar os processos de construção do romance histórico, questiona a relação do Portugal do século XIX com as suas memórias históricas e as suas responsabilidades presentes (lembremo-nos que Eça escreve no tempo do Ultimato inglês, em 1890, e da primeira tentativa falhada de instauração da República, em 1891). Como bem resume a personagem João Gouveia, Gonçalo Ramires, com "a generosidade, o desleixo, a constante trapalhada nos negócios", "a esperança constante nalgum milagre", "a desconfiança terrível de si mesmo, que o acobarda, o encolhe", "aquela antiguidade de raça", "aquele arranque para a África", incarna o Portugal contemporâneo de Eça, dilacerado entre o passado glorioso e a miséria presente.
Como referenciar: A Ilustre Casa de Ramires in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-11-16 15:58:17]. Disponível na Internet: