A Noite do Castelo e Os Ciúmes do Bardo

Poemas narrativos editados conjuntamente em 1836, que assinalam a adesão de Feliciano de Castilho à estética romântica, na linha do romance negro ou gótico, influenciado por Burger, Lewis, Schiller e Lamennais, onde comparecem os ingredientes habituais do género, como os cenários medievais, os motivos noturnos e fúnebres (incluindo o espetro de A Noite do Castelo), os desfechos terríficos: "Alguns dias depois, entre uns penedos,/ se encontrou a boiar, já pasto aos corvos,/ um corpo morto. Se o cantor esse era,/ ninguém pôde afirmá-lo. Alguns o creram,/ mas nem feições nem vestes lhe restavam./ Se há prova, jaz no pélago do fundo." (A Noite do Castelo). Os dois poemas, juntamente com o projetado O Eremitão da Arrábida, deveriam formar um tríptico acerca dos três desfechos da paixão: o crime, o suicídio e a loucura. No prefácio a A Noite do Castelo, o então jovem Castilho explana uma conceção subjetiva de poesia, alheada das conturbações sociais e baseada nos modelos antigos ("Tarde conheci os homens e o século: mas ainda a tempo lhes fugi atirando-me para o seio do passado, para a conversação dos que já não vivem, e depois para os meus sonhos inocentes de poesia."), relativizando de alguma forma a sua adesão ao Romantismo e professando o seu ecletismo literário, posicionamento que irá reiterar ao longo da vida: "Amo e venero os clássicos, com quem me criei: aprazem-me e maravilham-me algumas das obras românticas: aqui há porventura mais natureza, lá porventura mais arte; aqui mais ousadia, e lá mais delicadeza; lá mais esmero e lustre, e cá enfim mais desenvoltura e arrojo...".
Como referenciar: A Noite do Castelo e Os Ciúmes do Bardo in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-04-26 11:23:09]. Disponível na Internet: