Abadia Velha de Salzedas

Frei Baltazar dos Reis, cronista cisterciense do século XVII, legou-nos uma série de apontamentos, com base em recolhas documentais, sobre a história da comunidade de Salzedas, no concelho de Tarouca. Na sua opinião ter-se-iam instalado na área da atual freguesia, num mesmo tempo e coexistindo até finais da Idade Média, duas comunidades da ordem de Cister. A primeira, junto ao Varosa, denominada Santa Maria de Salzedas, teria antecedido a segunda e ficaria a ser conhecida, depois do seu abandono, por Nossa Senhora da Abadia Velha. A outra, erguida a pouca distância, a Abadia Nova de Argeriz, jaz sob os alicerces do atual convento de Salzedas. Esta narração viria a suscitar grande polémica entre os investigadores pois a regra de S. Bernardo impedia a fundação de abadias da ordem a menos de oito léguas entre elas. Erro ou confusão do cronista, este registo veio de novo à discussão, quando em 1969, na atual quinta da Abadia Velha, situada a pouca distância de Salzedas, numa baixa fértil e aplanada, circundada de montes, apareceram os alicerces de um edifício construído em grandes silhares siglados.
O interesse demonstrado pelo arqueólogo Manuel Real, e a atenção que dispensou a este tipo de vestígios arqueológicos medievais que, na altura, não eram merecedores de investigação por parte dos arqueólogos ou dos historiadores portugueses, vir-se-ia a revelar da maior importância como ficou demonstrado com a comunicação ao III Congresso Nacional de Arqueologia, em 1973.
O autor apresenta uma planta da abadia, uma descrição pormenorizada dos edifícios anexos, a identificação da oficina e ainda uma referência cronológica da maior importância. A igreja seria composta por três naves, transepto saliente e os pilares assimétricos na base. O remate da cabeceira é constituído por três absides retangulares escalonadas. No ângulo sudeste do transepto uma escada em caracol daria acesso a um campanário ou a um segundo piso. No mesmo local, mas rasgada na parede sul, uma porta daria acesso ao claustro, que nunca foi posto a descoberto.
Esta abadia teria sido fundada no terceiro quartel do século XII, a 20 de janeiro de 1168 e manter-se-ia ocupada até, pelo menos, os finais da Idade Média.
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