academia

O termo academia deriva de Academos, uma personagem que vivia perto de Atenas, na zona da Ática, e que se destacou na História por contar a lenda que teria sido ele a mostrar aos irmãos de Helena (raptada por Teseu) onde ela estava escondida, quando eles se deslocaram à cidade para a resgatar. Terá ofertado um terreno perto da cidade de Atenas ao povo da cidade, no qual se plantaram doze oliveiras e foi construído um altar dedicado à deusa Atena. Neste mesmo terreno (eleito devido à proximidade de um que era propriedade de Platão), que passou a ter o nome de Academia, Platão costumava conferenciar com os seus discípulos cerca do ano de 385 a. C. O hábito permaneceu e o terreno da Academia foi passando de mestre para mestre com a obrigatoriedade de ser transmitido nas mesmas condições em que foi recebido. Este costume instituído terminou no ano de 529, por intervenção do imperador Justiniano. A congregação associativa iniciada por Platão, além de ter uma finalidade eminentemente cultural e de possuir carácter jurídico, tinha igualmente um carácter religioso, sendo dedicada às musas inspiradoras. Os temas preferidos por Platão seriam aqueles que se relacionavam com a Natureza e com o Homem. A instituição, que se sustentava por ser detentora de património próprio, passou a ser regida por um "escolarca" e a admitir mais professores a partir de certa altura. Distinguem-se na História a Antiga Academia, de Platão a Arcesilau, e a Nova, que se prolongou até depois do século V. Foi com a época renascentista e o surgir do Humanismo que o princípio da Academia tomou novo fôlego, começando a difusão em Itália e propagando-se pelos demais centros europeus para que se pudesse levar a cabo o estudo de saberes relacionados com a filosofia, a arte, a música, a pedagogia, a cultura, a história, a arqueologia, a literatura, a filologia e a ciência. Nesta altura, a forma de constituição das academias mais comum foi a de congregação de estudiosos e eruditos, apontando-se também como génese de algumas as associações formadas nos Jogos Florais. Uma das academias mais relevantes foi a Pomponiana, fundada por Pompónio Leto em Roma, em meados do século XV, e que se dedicou ao estudo da filosofia, da arte, da arqueologia, da filologia e da poesia. No mesmo século, fundava-se a Academia Platónica em Florença, com o apoio de Cosme de Médicis e onde personagens como Marsílio Ficino se dedicavam ao estudo de saberes relacionados com a cultura e a filosofia. Destacaram-se no século XVI a Academia della Crusca, em Florença, que se dedicava ao estudo da língua italiana considerada pura, a Academia Bracarense (fundada por D. Fr. Bartolomeu dos Mártires e dedicada ao estudo da filosofia, da cultura e da teologia) e a Academia Romana de Santa Cecília que se dedicou à promoção dos músicos e ao estudo da música (tornado necessário na sequência das reformas decorrentes do Concílio de Trento). No século seguinte, surgiram, entre muitas outras, a Académie Française, a Academia científica e matemática de Lincei (hoje conhecida como Pontifícia Academia das Ciências), em Roma, que contou Galileu entre os seus membros, a Royal Society em Londres, a Academia dos Generosos em Portugal (primeira conhecida neste país, posteriormente conhecida como Academia Portuguesa) e a Académie des Sciences em Paris. Já no século XVIII, instituiu-se a Academia de la Lengua, em Espanha, a Royal Academy of Arts em Inglaterra, a Academia das Ciências de Lisboa (que se dedicava ao estudo das Letras), a Academia dos Ocultos também em Portugal (com o principal promotor no marquês de Alegrete, Manuel Teles da Silva), a Academia Litúrgica Pontifícia (Santa Cruz de Coimbra), a Academia Real da História Portuguesa (com o incentivo de D. João V e atualmente conhecida como Academia Portuguesa de História) e a Academia de História Eclesiástica, em Roma, criada por iniciativa do papa Bento XIV. No século XIX a Academia de S. Tomás de Aquino aparece em Roma por intervenção do papa Leão XIII, com incidência especial no pensamento e obras do santo que lhe deu o nome, destacando-se ainda a Academia Brasileira de Letras, a Associação dos Arqueólogos Portugueses, a Academia de Belas Artes de Rio de Janeiro (Brasil), o Ateneu de Belas Artes de Lisboa e a Academia Portuense de Belas Artes, que deu origem à Escola de Belas Artes do Porto.
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