Academia das Ciências de Lisboa

Instituição fundada a 24 de dezembro de 1779 com o nome de Academia Real das Ciências de Lisboa. Os seus mentores foram o duque de Lafões, D. João Carlos de Bragança e José Correia da Serra - o célebre "abade Correia da Serra" -, ambos férreos opositores do regime do marquês de Pombal. A primeira sede da Academia foi no Palácio das Necessidades, percorrendo depois outros edifícios até lhe ser entregue o Convento de Jesus em Xabregas, após a extinção das ordens religiosas (1834), onde ainda hoje se encontra a sua sede. A criação deste estabelecimento insere-se numa corrente antipombalina, claramente, contra o estudo das humanidades, que o Marquês fizera questão em manter. A Academia surge então como uma alternativa aos estudos de Coimbra, apresentando nos seus estatutos uma clara função didática mais prática voltada para as ciências e para as artes, devendo admitir em cada ano vinte e quatro alunos da classe nobre. Este ponto dos seus planos nunca chegou a ser cumprido, vocacionando-se desde o início para a investigação refletida nas grandiosas obras que publicou: as Efemérides Náuticas (65 volumes publicados entre 1788 e 1862); as Memórias da Agricultura (1788-1791); Memórias Económicas (1789-1814); os Portugaliae Monumenta Historica, onde se encontram transcritas as principais fontes para a história medieval de Portugal (1842-1860), entre muitas outras obras possui também uma notável biblioteca, com mais de 100 000 volumes dos séculos XVI ao XX, mais de 60 incunábulos e cerca de 3000 manuscritos. Atualmente a Academia prossegue a sua atividade científica tanto no campo das Ciências como das Letras, tendo cada uma destas classes vinte académicos efetivos e quarenta correspondentes, além dos associados que não têm qualquer limitação numérica.
De entre o vasto conjunto de intelectuais portugueses que foram seus membros, merecem talvez destaque especial homens como Frei Joaquim de Santa Rosa de Viterbo, Alexandre Herculano e Oliveira Martins.
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