Adães Bermudes

Arquiteto e professor português, Arnaldo Redondo Adães Bermudes nasceu a 1 de outubro de 1864, no Porto.
Filhos de pais galegos estabelecidos no Porto, iniciou o curso de Arquitetura na Academia Portuense de Belas-Artes, concluindo-o na Escola de Belas-Artes de Lisboa. Em seguida, através de uma bolsa, aperfeiçoou os seus estudos, durante cinco anos, em Paris, com o arquiteto Paul Blondel (1847-1897).
Em 1894, regressou a Lisboa e iniciou uma carreira de sucesso, chegando a receber, nesse mesmo ano, a 2.ª medalha na Exposição do Grémio Artístico de Lisboa. Posteriormente, veio a receber outros prémios pelos trabalhos realizados. Na função pública, Adães Bermudes exerceu vários cargos: adjunto na Direção-Geral de Instrução Pública (1899), ficando responsável por projetos de construção de estabelecimentos escolares; diretor das Construções Escolares da Direção-Geral do Ministério do Reino (1901-1906); secretário da Comissão de Estudo das Construções nas Regiões Sísmicas (1909), vogal do Conselho de Arte e Arqueologia (1911); vogal do Conselho Superior de Instrução Pública (1911), secretário da Comissão dos Monumentos Nacionais (1911); chefe da 3.ª Repartição da Direção-Geral de Belas-Artes do Ministério da Instrução Pública (1926); diretor dos Monumentos Nacionais no Ministério do Comércio e Comunicações (1929-1933), entre outras funções.
Como docente, lecionou as disciplinas de Construção e Resistência dos Materiais, de Geometria Descritiva e Perspetiva na Escola de Belas-Artes de Lisboa (1917-1933). Na atividade política, foi presidente interino da Câmara Municipal de Lisboa e senador independente na sessão legislativa de 1918-1919.
Bermudes, nos seus trabalhos, utilizou não só influências dos estilos Manuelino e Barroco, como também elementos decorativos de Arte Nova e elementos modernos de design. Na arquitetura escolar, realizou: o projeto modelo para a construção de 184 escolas (1902-1912); a Escola Central Primária de Santa Cruz, em Coimbra (1905-1907); o Instituto Superior de Agronomia de Lisboa, na Tapada da Ajuda (1910); a Escola Normal de Lisboa, em Benfica (1913, atual Escola Superior de Educação de Lisboa).
Desenvolveu também projetos de carácter público, social e religioso: hospitais, em Covilhã e Oleiros; agências do Banco de Portugal, em Coimbra, Viseu, Bragança, Faro, Évora; cadeias, em Anadia e Sintra; igrejas, como a de Espinho e de Amorim; o Hotel Astória, em Coimbra; o Cemitério do Alto S. João, em Lisboa; o palacete do Conde de Agrolongo, à Lapa (Lisboa), entre outros.
Concretizou ainda diversas atividades de conservação e restauro de monumentos nacionais, como o Palácio de Sintra, de Mafra e de Queluz, a igreja do Mosteiro dos Jerónimos, o Museu Nacional de Arte Antiga e vários outros trabalhos.
O arquiteto colaborou para revistas e jornais, nos quais apelou para a importância dos arquitetos para uma eficiente modernização e, segundo os seus ideais maçónicos e republicanos, para uma melhoria da qualidade de vida das cidades e das populações. Participou com várias sociedades artísticas e profissionais, nacionais e estrangeiras, tais como a Associação dos Arquitetos Civis e Arqueólogos Portugueses, Sociedade dos Arquitetos Portugueses, Academia Nacional de Belas-Artes, Royal Institut of Brithish Architects, Sociedade dos Arquitetos da Argentina e do Uruguai, entre outras instituições.
Adães Bermudes faleceu a 18 de fevereiro de 1948, em Paiões, em Sintra.
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