Adolfo Caminha

Escritor brasileiro, Adolfo Ferreira Caminha nasceu a 29 de maio de 1867, em Aracati, no Ceará, Brasil.
Após a morte da mãe em 1877, Adolfo Caminha mudou-se com os irmãos para Fortaleza, onde viveu em casa de parentes. Em 1883 partiu para a casa de um tio, no Rio de Janeiro, onde se matriculou na Escola da Marinha de Guerra, da qual saiu, em 1885, como guarda-marinha. Em 1986, foi para os EUA numa viagem de instrução e um ano depois, a 16 de dezembro, foi promovido a 2.º Tenente.
Em 1888 regressou a Fortaleza e participou ativamente na vida intelectual, tornando-se membro-fundador do Centro Republicano Cearense. Em 1889, envolveu-se num grande escândalo, pois raptou a esposa de um alferes, Isabel Jataí de Paula Barros. Pressionado, demitiu-se em 1890 e partiu, com Isabel e as duas filhas, para o Rio de Janeiro, onde passou a viver e a trabalhar como funcionário público, dedicando-se também à critica literária e aos livros. Colaborou com a imprensa, como em Gazeta de Notícias, O País, Jornal do Comércio e, em 1896, fundou o semanário Nova Revista.
Quanto à sua obra, o primeiro livro, Voos Incertos, foi publicado em 1886, seguindo-se Judite e Lágrimas de um Crente (1887), A Normalista (183) - que retrata, de forma pessimista, a vida urbana, No País dos Ianques (1894), Bom Crioulo (1895) - que aborda a homossexualidade, ao contar a relação amorosa de dois marinheiros, Cartas Literárias (1895) e Tentação (1896). Uma das principais figuras do naturalismo brasileiro, Adolfo Caminha, que também utilizava o pseudónimo Félix Guanabarino, apresentou uma obra pouco apreciada na altura, por vezes escandalosa, onde focou, essencialmente, as camadas mais baixas da sociedade, os vícios humanos e os desvios sexuais. A sua literatura ganhou importância quando algumas minorias reclamaram o direito pela diferença.
Com problemas financeiros e enfraquecido pela tuberculose, Adolfo Caminha morreu, prematuramente, a 1 de janeiro de 1897, no Rio de Janeiro.
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