Afonso IV

É no ato II da tragédia Castro que o rei D. Afonso discute com os conselheiros sobre a necessidade de matar Inês de Castro, a amante do Infante, cuja existência punha em perigo a segurança e estabilidade do reino, e, por lógica do cargo que ocupa, deveria encarnar a razão de estado. Contudo, por se sentir angustiado e consciente da injustiça que comete ao ordenar essa condenação ("Não é crueza / Matar quem não tem culpa?"), deixa essa decisão a cargo dos conselheiros. Na cena II desse ato, o conflito trágico é transferido para um conflito interior do monarca, que, num monólogo, invoca o auxílio de Deus nesse momento de decisão difícil, já que os dois caminhos entre os quais o seu livre arbítrio deve optar são incompatíveis: "Matar injustamente é grã crueza; / Socorrer o mal público é piedade." O monólogo acaba, por esse motivo, por se converter em reflexão universal sobre a dificuldade de exercer o poder, apelidando a realeza de "cativeiro" e "servidão pomposa". No ato IV, o rei, perante o pedido de súplica de Inês, acaba por perdoá-la, mas deixa a sua sorte nas mãos dos conselheiros, que não hesitarão em fazer derramar o seu sangue.
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