Afonso Ribeiro

Autor pioneiro do movimento neorrealista, Afonso Ribeiro colaborou com publicações onde este movimento estético se gerou como Altitude e Sol Nascente. Este papel de precursor desenvolveu-se tanto na polémica contra presencistas, nas páginas de publicações como Sol Nascente, quer na recensão a romancistas brasileiros cujo modelo narrativo influenciaria a emergência da prosa neorrealista, quer ainda no domínio da ficção, sendo os dois últimos contos incluídos em Ilusão da Morte (1938) considerados por Alexandre Pinheiro Torres (O Movimento Neorrealista em Portugal na sua Primeira Fase, Lisboa, 1977, p. 72) como uma das primeiras realizações da nova corrente. Professor primário em zonas rurais, o contacto com as desigualdades sociais e com as carências das classes desfavorecidas inspira uma prosa atenta à verosimilhança da fala das personagens, aos seus problemas e escravidões. Reclamando desde os seus primeiros escritos a falsidade de qualquer visão idílica sobre o homem do campo, denuncia a miséria moral de proprietários e trabalhadores, proclamando a necessidade de olhar para o mundo rural com olhos diferentes dos que tinham habituado o leitor a ver na ficção campestre o casticismo, a vida sadia ou a sobrevivência de valores decaídos: "Falar do homem do campo, do trabalhador da terra e esquecer as suas angústias inconfessadas, seus músculos doridos, seu olhar triste - da tristeza horrível que nada aguarda, nada! - parece-me feio embuste" (Ribeiro, Afonso cit. in TORRES, Alexandre Pinheiro - O Movimento Neorrealista em Portugal na sua Primeira Fase, Lisboa, 1977, p. 73).
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