Agência Internacional de Energia Atómica

A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) é uma organização intergovernamental que foi estabelecida em 1956, de acordo com uma decisão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Embora disponha de uma organização autónoma, integra administrativamente a estrutura da ONU, a cuja Assembleia Geral deve apresentar anualmente um relatório de atividades.
A AIEA tem como objetivo principal assegurar que a investigação na área da energia atómica não se destina a fins militares. Pelo contrário, visa orientar as atividades relacionadas com essa forma de energia no sentido da paz, da saúde e da prosperidade mundiais.
As suas funções podem dividir-se em duas categorias principais: a cooperação tecnológica (assistência em pesquisas e aplicações práticas de energia atómica que não se destinem a fins militares) e a salvaguarda dos materiais, serviços, equipamentos e informação da Agência.
A AIEA tem 112 países-membros, entre os quais Portugal, e é financiada através das contribuições desses países. Em cooperação com a FAO, a Agência tem conduzido programas que levaram ao eficiente uso da água e de fertilizantes na agricultura, e ao controlo ou erradicação de insetos destrutivos pela introdução de insetos estéreis. Na área da cooperação com instituições ligadas à saúde, a Agência tem promovido o uso das técnicas nucleares aplicadas à medicina, como a terapia usada em doentes cancerígenos. Por outro lado, a Agência fornece ajuda prática aos países-membros no tratamento de lixo radioativo, através de um programa criado para o efeito em 1987.
A Agência é detentora de laboratórios na Áustria e no Mónaco, onde os seus cientistas se dedicam às pesquisas. Em Trieste, na Itália, existe um centro, pertencente ao Estado italiano, onde operam em conjunto a AIEA e a UNESCO.
Depois do grave acidente da central nuclear de Chernobyl, em abril de 1986, a Agência promoveu uma série de encontros destinados a refletir sobre as implicações do sucedido e sobre formas de melhorar a resposta a situações de emergência.
Nos anos 90, uma das funções da AIEA era zelar pela segurança e bom armazenamento, ou uso, de despojos nucleares resultantes do desarmamento, de forma a evitar acidentes graves, e controlar também a segurança nas zonas de testes nucleares, levados a cabo na Ásia Central e no Pacífico.
No início do século XXI, outra das grandes preocupações da AIEA é arranjar medidas contra a ameaça de guerra nuclear terrorista.
Pelos esforços levados a cabo na manutenção da paz, e na segurança e bom uso que a energia nuclear pode oferecer, a agência recebeu, juntamente com o seu presidente, Mohamed ElBaradei, o Prémio Nobel da Paz em 2005.
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