aguarela

A aguarela é um meio de expressão pictórica que utiliza pigmentos dissolvidos em água. O aglutinante usado nesta tinta é geralmente a goma arábica, obtida a partir de acácias. Em algumas situações é usado como medium (aglutinante) o mel, o açúcar ou outras substâncias com qualidades semelhantes.
Enquanto técnica, a aguarela apresenta uma dupla característica que determina a especificidade dos resultados expressivos e condiciona a sua execução: a rápida secagem da tinta (que impede a realização de alterações ou de retoques, impondo simultaneamente uma execução rápida e espontânea) e a sua qualidade de transparência (o que imprime à aguarela um cromatismo vivo e bastante luminoso que dilui a materialidade e a densidade próprias de outras tintas, como o óleo). As gradações cromáticas são obtidas através da maior ou menor diluição da tinta e o tom mais claro da imagem é sempre o do seu próprio suporte (o papel). Os tons mais escuros podem ser obtidos também por sobreposição de pinceladas e de cores.
Frenquentemente o papel é previamente humedecido para facilitar aplicação das tintas e potenciar o efeito translúcido, técnica que contribui igualmente para manter a tinta húmida durante mais tempo. Este processo, se por um lado elimina a possibilidade de realização de formas precisas (impedindo consequentemente a representação dos pormenores dos objetos), por outro lado, permite a mistura das tintas e a sobreposição das manchas de cor, desfazendo os seus contornos e criando um típico efeito de velatura. A aplicação da tinta é feita geralmente com pinceis grossos. As tintas à base de água eram já conhecidas pelos Egípcios desde o século II a. C. Utilizada durante a Idade Média para colorir iluminuras de manuscritos ou gravuras em madeira, só durante o Renascimento esta técnica se eleva à categoria de arte.
Albrecht Dürer (1471-1528), pintor e gravador alemão, executa um vasto conjunto de desenhos aguarelados e de aguarelas representando paisagens e animais. Muitos dos seus desenhos de temas naturais eram realizados a caneta (com grande rigor no detalhe e objetividade na representação) e posteriormente acabados com aguarela.
A partir de meados de setecentos, com o despontar do movimento romântico, a Inglaterra protagonizou o grande desenvolvimento técnico e expressivo da aguarela. Pelo seu carácter portátil e pela imediatez de secagem da tinta este meio pictórico torna-se o mais adequado para a produção de pinturas ao ar livre, sendo empregue também para a realização de registos rápidos que seriam depois desenvolvidos ou refeitos no atelier.
No período romântico, a aguarela torna-se num meio expressivo autónomo, dotado de valor estético e de qualidades expressivas, capaz de ombrear com as técnicas pictóricas tradicionais, como o óleo ou a têmpera. Muitos artisas, como John Robert Cozens (1752-1797), J. M. W. Turner (1775-1850) ou o místico William Blake (1757-1827), entre outros, utilizam-na para a representação de temas próprios do imaginário romântico, como tempestades, paisagens inóspitas ou efeitos atmosféricos. Aplicando a tinta diretamente sem desenho prévio, estes artistas levam a aguarela a um elevado grau de maturidade estética, proporcionando-lhe igualmente uma mais ampla divulgação.
Durante o século XX, esta técnica foi bastante abandonada, surgindo muito esporadicamente no contexto da obra de alguns artistas como Paul Cézanne (1839-1906), Pablo Picasso (1881-1973) ou Paul Klee (1879-1940).
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