Ah-Hotep

Nome de duas rainhas do Antigo Egito na transição do Segundo Período Intermédio (c. 1780-1560 a. C., XIII à XVII dinastias) para o Império Novo (c. 1560-1070 a. C., XVIII-XX dinastia), época marcada pela expulsão dos Hicsos do Egito e sua perseguição no corredor siro-palestinense, repondo-se um governo indígena (egípcio) no reino faraónico.
A primeira Ah-hotep era filha de Senakhtenré Taa I (XVII dinastia), e esposa de Senakhtenré Taa II e mãe de Kamés (1555-1550 a. C.), da XVII dinastia, e de Ahmés (1550-1525 a. C.), que fundou a XVIII dinastia. Ah-Hotep teve um importante papel na libertação do Egito face aos Hicsos, nas guerras e perseguições, além da pacificação do Alto Egito, o que lhe valeu a simpatia e agradecimento de Ahmés, que a cumulou de honrarias e valores. Teve um papel militar excecional para uma rainha, ou esposa real, tendo sido corregente provavelmente nos primeiros anos de reinado de Ahmés, no arranque da XVIII dinastia e do Império Novo. Entre os títulos que lhe são dados no templo de Karnak, figura o de nebet ta, "senhora da terra", o que pode significar que teve um papel governativo importante no Alto Egito. O seu sarcófago foi achado no complexo tumular real de Deir el-Bahri.
Uma segunda Ah-Hotep, cujo túmulo foi descoberto em 1859, por Auguste Mariette, grande egiptólogo francês, em Dra Abu el-Naga, era provavelmente esposa de Kamés. O seu túmulo encerrava valiosos tesouros e rica decoração, mas pouco se sabe acerca desta rainha.
Aparece ainda uma outra Ah-Hotep, esposa de Amen-Hotep I (1525-1504 a. C.), 2.º faraó da XVIII dinastia, e foi mãe de Amenemhat, que faleceu ainda jovem, pelo que o sucessor de Amen-Hotep I foi Tutmés I (1504-1492 a. C.).
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