Aida de Verdi

A ópera Aida nasceu, em 1869, de um convite de Ismail Paxá, soberano egípcio, a Verdi, para que compusesse um hino para os festejos nacionais da inauguração do canal de Suez, em pleno Egito. Inicialmente, Verdi começou por não aceitar, por recusar compor peças para fins comemorativos ou de ocasião. O soberano chegou a endereçar o mesmo convite a Gounod e a Wagner. Já a congeminar a ideia de uma ópera grandiosa Verdi acabaria por aceitar o repto de Ismail, convencido pela leitura do argumento de um grande egiptólogo da época, Auguste Mariette, que foi decisivo para convencer o compositor italiano. Mariette é tido, em algumas fontes, como o autor do libreto da Aida, a par de C. du Locle (o texto destes franceses poderá, talvez, ter inspirado Ghislanzoni, tradicionalmente referido como autor oficial do libreto da ópera). Recorde-se que o canal foi inaugurado antes da estreia da ópera, pois o convite apenas foi aceite em junho de 1870 e a composição da partitura por Verdi demorou mais que o previsto, além de que deflagrou, em 1870, na Europa, a Guerra Franco-Prussiana, um conflito que agitou o mundo e tornou perigosas viagens e deslocações ao exterior.
Ópera de carácter épico, de grande aparato cénico (à francesa, com coros, ballets, grandes cenários, atos muito longos), dividida em quatro atos e oito cenas, cantada em italiano, é uma das mais populares de Giuseppe Verdi. Exótica, cenicamente grandiosa, com grandes efeitos, plenos de dramatismo e intensidade narrativa, com grande modernidade em termos de mensagem, é um das maiores criações operáticas de todos os tempos, que afamou anda mais um dos grandes compositores daquele tempo, Verdi. A sua estreia no Egito, a par da intensidade dramática, deu ainda uma maior espetacularidade a Aida. A ópera narra o drama do amor entre uma escrava etíope chamada Aida, mas de origem nobre (e escravizada no reino faraónico) e um general egípcio chamado Radamés, comandante das forças de ocupação do país da escrava (Etiópia). Pelo meio desta paixão, surge a sua condenação pelo pai de Aida, Amonasro, rei da Etiópia, que exige também vingança pela prisão e escravatura da filha. A juntar a esta oposição de Amonasro, pai de Aida, aparece o amor de Amnéris, filha do faraó do Egito, por Radamés. O faraó tinha concedido a mão de sua filha a Radamés como prémio pela conquista da Etiópia, mas o militar, apaixonado por Aida, a princesa etíope reduzida à condição de escrava, tenta fugir para longe quer do seu país quer do da amada. Projeto falhado, pois os amantes foram descobertos na sua fuga, por sacerdotes egípcios, do culto de Ísis. Râmfis, um sumo-sacerdote egípcio, é a voz da condenação religiosa e do Egito a este amor de Aida e Radamés e à sua fuga, considerada traição à pátria por parte do jovem general. Condenado, recebeu como pena o subterramento. Amnéris clamou para que indultassem o seu amado, não correspondido, Radamés, que entretanto sofria por não mais ver o seu amor, Aida. Apesar dos pedidos de Amnéris, que apelidou os sacerdotes de "tigres sedentos de sangue", de tirânicos e cruéis, o jovem Radamés estava irreversivelmente condenado.
Aida, na última cena, ao tomar conhecimento da condenação e pena a que votaram Radamés, decide também enterrar-se viva, na sepultura onde mais tarde Radamés, na execução da sua pena, a haveria de encontrar. Juntos os dois amados, enterrados vivos, encerra-se então a bela ópera com o celebérrimo O Terra, addio.
O segundo ato, Gloria all'Egitto, espetacular e colossal tornou-se a parte mais célebre da Aida, com Ismail Paxá a adotá-lo então como hino do Egito. Ainda hoje serve para encenar ou avivar atos solenes grandiosos, espetáculos grandiosos, como aliás foi, em pleno Teatro da Ópera do Cairo, a primeira exibição desta ópera.
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