Akutagawa Ryunosuke

Escritor japonês, Akutagawa Ryunosuke nasceu a 1 de março de 1892, em Tóquio. Oriundo de uma família desde há gerações implantada no shitamachi, um bairro da cidade de Tóquio reputado pela sua cultura dos valores tradicionais, era filho de um comerciante, que não se achou capaz de o educar, já que a mãe havia enlouquecido pouco após o parto. Foi adotado pelo seu tio, Michiaki Akutagawa, cujo apelido tomaria como seu nome.
Ingressou em 1913 na Universidade de Tóquio, acabando por obter o seu diploma em Língua e Literatura Inglesas com uma tese sobre William Morris. Ainda no âmbito da universidade, fundou, em parceria com dois amigos, uma revista literária, a Shin Shicho, na qual começou a publicar os contos que escrevia, grandemente encorajado pelo romancista Natsume Soseki, que se deixou impressionar pelo conto Rashomon (1915, O Portão de Rasho).
Akutagawa passou depois a desempenhar as funções de editor na imprensa e, embora tivesse recusado convites para lecionar nas universidades de Tóquio e de Quioto, viu-se forçado a ensinar Inglês para poder sustentar a sua família. Ganharia uma certa notoriedade com o conto Hana (1916, O Nariz), em que relatava as dificuldades que um monge budista sentia ao ter que viver com o seu nariz descomunal. Seguiram-se, entre outros contos, Aki (1920, O outono), Gengaku Sanbo (1927, A Casa de Gengaku) e Aru Ahö No Issho (1927, A Vida De Um Tolo). O autor tinha começado uma fase bastante prolífica em 1921, na mesma época em que visitara a China. Escreveu mais de cento e cinquenta contos, os quais passaram gradualmente do desenrolar da vida no Japão ancestral, sob uma perspetiva psicológica contemporânea, a um realismo que descreve os meandros estagnados da mente humana e chega à profecia social.
No romance Kappa, que publicou em 1927, falava de míticas criaturas aquáticas da tradição popular japonesa, os kappa, descrevendo a história de um interno de um manicómio de visita ao país onde estas habitam.
Sofrendo de alucinações, Akutagawa decidiu cometer suicídio, com trinta e cinco anos de idade. Deixou uma carta destinada a "um tal velho amigo", em que confessou ser a única maneira de alcançar a paz, já que se encontrava pronto, depois de ter vivido mais, amado mais e compreendido mais do que os outros.
Morreu assim, pelas suas próprias mãos, a 24 de julho de 1927.
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