Alberto Fujimori

Político peruano, nasceu em 1938, em Lima, filho de imigrantes japoneses. Por causa das suas feições asiáticas, é popularmente conhecido como "el Chino".
Foi professor de Engenharia e dedicou-se depois à política. Com uma campanha populista, derrotou em 1990 o escritor Mário Vargas Llosa (apontado como o candidato que representava a elite do país) nas eleições para a Presidência do Peru. Assim, sucedeu a Alan Garcia no exercício do mais alto cargo do Estado. Venceu novamente as eleições em 1995, com um expressivo resultado de 64%. Em 1996, o Congresso aprovou a possibilidade do exercício de um terceiro mandato consecutivo, medida em que se encontra o propósito óbvio de permitir a Fujimori candidatar-se novamente.
Exerceu o poder de uma forma autocrática, que os grandes problemas do país porventura explicam: Fujimori teve de enfrentar uma tentativa de golpe militar, um sistema político desacreditado, um sistema judicial corrupto e o tráfico de droga. Mas os dois maiores problemas dos seus mandatos prendiam-se com a violência (nomeadamente a provocada por terroristas e guerrilheiros como os do Sendero Luminoso e os do Tupac Amaru) e com a economia. Neste domínio, foram efetivamente graves as dificuldades herdadas dos anos anteriores. Em 1990, a inflação atingia uma taxa anual de 7650%. Cinco anos depois, a mesma taxa viu-se reduzida para 15,4%. Ao mesmo tempo, assistia-se a um crescimento real da economia - 12,9% ao ano, a mais alta taxa mundial. Estes dados, contudo, não escondem as grandes dificuldades sociais (desemprego, pobreza e outros) que afetam largas camadas da sociedade peruana. Em 1992, um período conturbado por golpes e revoltas levou a um aumento do poder de Fujimori, que foi reforçado pelo crescimento da sua popularidade após a prisão dos chefes dos dois movimentos de guerrilha, Abimael Guzmán do Sendero Luminoso e Victor Polay do Tupac Amaru.
Em 1995 é reeleito presidente, mas em 1997 a insatisfação instala-se no país, em parte devido às medidas ditaturiais de Fujimori - como a opressão à liberdade de expressão - e à grave situação política desencadeada por desentendimentos entre membros do próprio governo e as Forças Armadas.
Após dez anos na presidência, Fujimori anunciou, em 2000, a intenção de se recandidatar pela segunda vez ao cargo de presidente, o que foi visto pela oposição como um projeto arrojado e ambicioso.
Nesse mesmo ano de eleições, foi acusado de corrupção, em parte devido à sua ligação com Vladimiro Montesinos, ex-chefe dos serviços secretos peruanos envolvido numa série de escândalos. O agravamento desta situação levou Fujimori a refugiar-se no Japão e a declarar o seu afastamento definitivo do cargo. Em 2003, em território nipónico, Alberto Fujimori recusou reunir-se com o presidente da Comissão para a Verdade e Reconciliação do Peru.
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