Alberto Pimenta

Poeta e ensaísta, formado em Germânicas pela Universidade de Coimbra, desenvolveu a atividade de docente na Universidade de Heidelberg, entre 1960 e 1976, e na Universidade Nova de Lisboa. Herdeiro da revolução surrealista e da poesia experimental, a poesia, para Alberto Pimenta, é um ato poético, "atual/atuante", que deve ser experimentado e que tem como essência o seu carácter fundamentalmente libertário, emancipado de qualquer retórica ou géneros preestabelecidos ou de qualquer literatura oficializada pela crítica. Inconformista e iconoclasta, a sua atividade (contra)cultural recobre diversos domínios, como as obras visuais, a poesia, atos poéticos e intervenções teatrais, a teoria, a prosa, a organização de antologias e a edição de obras raras. Revelada nos anos revolucionários de 70, a obra de Alberto Pimenta opera uma sistemática e satírica provocação aos agentes de uma cultura literária institucionalizada e, de modo lato, ao convencionalismo, ao kitsch, ao moralismo burguês capitalista, provocação, aliás, corroborada por alguns atos simbólicos de que apresenta testemunho em Obra Quase Incompleta (em 31 de julho de 1977, Alberto Pimenta encerrou-se numa jaula no Jardim Zoológico de Lisboa; em 25 de maio de1991, expôs-se para venda à porta da Igreja dos Mártires; no dia 10 de junho do mesmo ano queimou publicamente o seu ensaio O Silêncio dos Poetas, entre muitos outros). O seu projeto de rutura vanguardista ultrapassa, assim, a perspetiva de defesa de uma forma estética completa, que deve integrar a palavra dita, representada, visualizada ou lida, para conter em si a noção de que a palavra literária opera uma constante transgressão, não podendo ser controlada por qualquer forma de poder, inclusivamente o crítico.
Como referenciar: Alberto Pimenta in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-12-19 13:54:54]. Disponível na Internet: