Aldina Duarte

Fadista, letrista e investigadora, Aldina Maria Miguel Duarte nasceu a 22 de julho de 1967, em Lisboa. O fado foi uma descoberta tardia. Gravou o seu primeiro álbum já em idade avançada, após um longo processo de aprendizagem.
Aldina Duarte cresceu num bairro social, em Chelas. O pai partiu para a guerra e nunca mais voltou. Foi criada pela mãe, sempre com grandes dificuldades financeiras e longe de ambientes musicais. Dedicou-se a várias atividades. Inclusive integrou o coro da banda pop, Valdez e as Piranhas Douradas, liderada por Pedro Wilson.
Aos 24 anos, entrou numa casa de fados, no Bairro Alto, e ouviu Beatriz da Conceição. Apaixonou-se pela música. E entregou-se de corpo e alma ao fado. Durante anos, ouviu dezenas de discos, decorou dezenas de letras, investigou, conversou com fadistas, reuniu reportório. Foi organizadora das Noites de Fado do Teatro da Comuna, por onde passaram grandes nomes de diferentes gerações. Durante 10 anos foi casada com o fadista Camané. Trabalhou muito a seu lado, selecionando grande parte do seu reportório e escrevendo algumas letras. Esse trabalho de recolha, de resto, foi também feito para Joana Amendoeira. E, fora do fado, escreveu letras para o álbum Diz!, de Carlos Bica e Ana Brandão. Mais tarde, trabalhou na Emi Valentim de Carvalho, tendo organizado a coletânea dedicada ao compositor Raul Ferrão e o álbum de homenagem a Alfredo Marceneiro, entre outros.
Deu o seu primeiro concerto no Centro de Paralisia Cerebral onde trabalhava. E aos poucos foi ganhando à vontade para cantar. Até que Mário Pacheco a convidou para o restaurante Clube de Fado. Insegura, chegou a interromper a carreira de fadista por considerar que não tinha talento. Mas acabou por ser convencida a voltar e passou a atuar no Sr. Vinho, na Madragoa.
Pelo caminho participações importantes: interpretou a Rua do Capelão no filme Xavier, de Manuel Mozos; cantou na peça Judite Nome de Guerra, com encenação de Germana Tânger; participou na Grande Noite (RTP), de Filipe La Féria, e integrou o elenco de Os Últimos Três Dias de Fernando Pessoa, de Antonio Tabucchi.
Em 2004, com 37 anos, gravou finalmente o seu primeiro álbum, Apenas o Amor. Um álbum bem recebido pela crítica em que escreve a grande maioria das letras. O tema mais falado foi, sem dúvida, "Ai meu amor se bastasse" (Manuela de Freitas/Fado Pedro Rodrigues). O álbum foi gravado no Restaurante Sr. Vinho e na Sala-Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II, com José Manuel Neto (guitarra) e Carlos Manuel Proença (viola).
No início de 2006, lançou o seu segundo álbum, Crua, com um formato muito original. É totalmente composto por fados tradicionais com letras de João Monge.
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