Alec Guinness

Ator britânico, Alec Guiness nasceu a 2 de abril de 1914 no bairro londrino de Marylebone, no seio duma família extremamente humilde. Após ter concluído os seus estudos liceais, começou por ser empregado de escritório, gastando parte do seu salário para comprar bilhetes a espetáculos teatrais. Apaixonado pelo mundo teatral, decidiu tornar-se ator, arranjando os fundos necessários para aprender Arte Dramática no Fay Compton School of Acting. Aí, foi descoberto por John Gielgud que o convidou para um papel secundário na peça Hamlet (1934). Em breve, tornou-se membro residente da companhia de Gielgud, atuando em clássicos como Richard II (Ricardo II, 1937), The School for Scandal (1937), The Three Sisters (As Três Irmãs, 1937) e The Merchant of Venice (O Mercador de Veneza, 1938). A sua estreia cinematográfica cingiu-se a uma mera figuração em Evensong (A Canção de Sempre, 1934), mas, cinco anos depois, o realizador David Lean ficou impressionado com uma representação de Guiness e convidou-o para um importante papel em Great Expectations (Grandes Esperanças, 1946). A sua atuação impressionou a crítica especializada, que se renderia dois anos depois à sua personificação do vilão Fagin em Oliver Twist (As Aventuras de Oliver Twist, 1948). A sua versatilidade cómica ficou comprovada em Kind Hearts and Coronets (Oito Vidas Por um Título, 1948), onde desempenhou oito personagens diferentes, contribuindo decisivamente para o seu enorme êxito de bilheteira. Foi ainda na comédia que arrebatou a sua primeira nomeação para o Óscar de Melhor Ator, desempenhando a personagem do bancário Henry Holland em The Lavender Hill Mob (Roubei um Milhão, 1951). Mas o papel que lhe abriu as portas de Hollywoood foi, sem dúvida, o do atormentado Coronel Nicholson, um prisioneiro britânico do exército japonês no grande sucesso Bridge on the River Kwai (A Ponte do Rio Kwai, 1957). O seu poderoso desempenho dramático foi agraciado com o Óscar para Melhor Ator. Em 1959, recebeu das mãos da rainha Isabel II de Inglaterra o título de Cavaleiro do Império Britânico. Seguiu-se outra prestação exigente como um militar alcoólico em Tunes of Glory (Uma Vez, Um Herói, 1960). Voltou a trabalhar sob o comando de David Lean em épicos bem sucedidos como Lawrence of Arabia (Lawrence da Arábia, 1962), no papel de Príncipe Feisal, e Doctor Zhivago (Doutor Jivago, 1965). A sua popularidade decaiu um pouco na década de 70, altura em que Guiness procurou dedicar-se mais ao teatro e à televisão. Mas em 1977, George Lucas, após inúmeras insistências, persuadiu-o a aceitar o papel de Obi-Wan Kenobi em Star Wars (A Guerra das Estrelas, 1977). A prestação valeu-lhe mais uma nomeação para Óscar (desta vez na categoria de ator secundário) e fez crescer a sua popularidade junto das gerações mais jovens. Todavia, quando, anos mais tarde, escreveu a sua autobiografia, Guiness revelou que detestara a personagem Obi-Wan Kenobi e que a morte deste não estava contemplada no argumento original e que tal só se verificara após a sua insistência junto de Lucas. Recebeu um Óscar honorífico em 1979, como reconhecimento pela sua contribuição para o mundo da Sétima Arte. Até à sua morte, ocorrida a 5 de agosto de 2000, Guiness continuou a trabalhar esporadicamente em cinema, destacando-se as suas prestações em A Passage to India (Passagem Para a Índia, 1984) e Little Dorrit (1988), pelo qual alcançou nova nomeação para o Óscar de Melhor Ator Secundário.
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