Artigos de apoio

Alexandre Pinheiro Torres
Formado em Letras pela Universidade de Coimbra, onde conviveu com o grupo de poetas que seriam coligidos em Novo Cancioneiro, foi professor do ensino secundário até ser obrigado a exilar-se, primeiro no Brasil, e, depois, em Inglaterra, onde permaneceu até ao final da vida. Professor universitário em Inglaterra, criou na Universidade de Cardiff, em 1970, a cadeira de Literatura Africana de Expressão Portuguesa e fundou o Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros. Tradutor de Hemingway e D. H. Lawrence, foi um dos doutrinários do movimento neorrealista, refletindo sobre o seu alcance e história, e editando criticamente alguns dos seus textos fundamentais, como o Novo Cancioneiro (1989). Na ficção e poesia, manteve-se fiel aos princípios desta corrente estética, defendendo uma arte que, tendendo para a inspiração autobiográfica, revista a partir de uma transfiguração picaresca ou irónica, não descura a sua componente fundamental de intervenção social. Para Serafim Ferreira, "pelo sentido denunciador das suas histórias desde a revelação de A Nau de Quixibá até ao seu último romance, passando por Tubarões e Peixe Miúdo (1986) e O Adeus às Virgens (1992), o que mais importa salientar na ficção narrativa de Pinheiro Torres é a sua visão irónica e nostálgica de revisitar outros tempos, lugares e gentes, não como forma de saber olhar de longe o que foi o seu percurso literário, mas desejar, numa prosa vernácula, castiça e vibrátil, traçar a nossa "realidade" social e humana em todos os seus planos, não com o sentido de uma pura "invenção" camiliana e antes com o "realismo" visual e literário de um Eça, que tudo sabe fixar e determinar para dar da nossa identidade um quadro sério e profundo do que afinal tem mudado tão pouco no correr dos séculos" (cf. FERREIRA, Serafim - "Alexandre Pinheiro Torres ou a História como Ficção Literária", in A Página da Educação, n.° 92, junho de 2000).
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