Algo Parecido Com isto, da Mesma Substância. Poesia reunida 1974-1992

Coletânea de 1992 que reúne todos os volumes de poesia publicados em livro, desde 1974, ou inéditos, de Manuel António Pina. Ao explicar o título da coletânea, o autor, em "Para Quê Tudo isto", afirma que a sua poesia é constituída, "na sua desnecessidade e na sua disparidade, por inseguras vozes, breves aparições de algo à beira de alguma coisa (de um precipício, acho eu)." Um dos feixes de reflexão da obra coligida em Algo Parecido Com Isto, da Mesma Substância, passa, segundo Fernando Pinto do Amaral (cf. O Mosaico Fluido. Modernidade e Pós-Modernidade na Poesia Portuguesa Mais Recente, Lisboa, Assírio e Alvim, 1991), pela obsessão em "tentar saber até que ponto o eu que escreve (ou sente) o real pode afirmar-se como um eu consciente, face a um poder que o excede e lhe traça as coordenadas desse real." A indefinição sobre o processo de existência literária ("Isto está cheio de gente/ falando ao mesmo tempo/ e alguma coisa está fora de isto falando de isto/ e tudo é sabido em algum lugar.// (Chamo-lhe Literatura porque não sei o nome de isto;)/ o escrito é uma sombra de uma sombra/ o que fala põe-o fora de si/ e de tudo o que não existe.") e sobre o estatuto do sujeito poético ("Tenho a sensação de não estar onde não estou,/ de já ter passado qualquer coisa que já se passou,/ e de ter a sensação passada de sentir-me a não estar lá,/ suspenso sobre a Literatura.") surgem na poesia de Manuel António Pina como espaço onde a tradição literária, pessoana ou outra, porque evoca as raízes da crise de identidade contemporânea, é dialeticamente recriada na reflexão sobre a prática poética.
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