Alphonse de Lamartine

Poeta e político francês, nascido a 21 de outubro de 1790, em Macon, e falecido a 1 de março de 1869, em Paris, foi um dos introdutores da estética romântica em França, com a recolha de elegias Méditations poétiques (1820), a que se seguiram Nouvelles Méditations poétiques (1823), Le dernier Chant du Pèlerinage d'Harold (1825), Harmonies poétiques et religieuses (1830), Jocelyn (1836), Recueillements poétiques (1839) e Cours familier de Littérature (1856-1869), entre muitas outras obras. O lirismo lamartiniano caracteriza-se pela sentimentalidade e pela melancolia, eivadas de uma tonalidade religiosa e mística, tratando motivos como a fugacidade do tempo, o sentimento da natureza, o amor, o exílio, a condição do poeta como ser excecional. A imensa fortuna de Lamartine em Portugal faz-se sentir ao longo de todo o período romântico, desde a geração dos pré-românticos, como Filinto Elísio, a quem Lamartine dedicou um poema, até à geração de Antero de Quental, passando por Lopes de Mendonça que, em Ensaios de Crítica e de Literatura (1849) e Memórias da Literatura Contemporânea (1859), o enaltece enquanto paradigma da necessária harmonia entre prática poética e ação social. Mas são sobretudo os poetas ultrarromânticos, representados em revistas como O Trovador, O Novo Trovador, A Lira da Mocidade, Miscelânea Poética, O Bardo ou A Grinalda (nos primeiros anos da sua publicação), que mais revelam a influência dos temas e do estilo lamartinianos, frequentemente mal lidos e mal assimilados, que imitam à exaustão, cultivando um lirismo sentimental e retórico, versando de forma estereotipada motivos como o tédio existencial, a melancolia, a saudade, o amor dececionado, e as paisagens noturnas e fúnebres.
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