Andrey Bely

Escritor e poeta russo, Andrey Bely nasceu em Moscovo a 26 de outubro de 1880, com o nome Boris Nikolayevich Bugayev. Filho de um proeminente professor catedrático de Matemática, estudou no Liceu Polivanov, prosseguindo como estudante de Ciências da Natureza, Filologia e Filosofia na Universidade de Moscovo, de 1899 a 1906.

Foi durante este período que iniciou a sua carreira como escritor, com a publicação, em 1902, de Simfoniya, 2-ya, Dramaticheskaya. Com receio de poder comprometer a imagem do pai, deão da Faculdade de Ciências da Universidade de Moscovo, e firme defensor da ideia de que o verdadeiro conhecimento é de ordem científica, optou por publicar utilizando o pseudónimo Andrey Bely, que manteria.
Em 1904 estreou-se como poeta, com a publicação da coletânea de poemas Zoloto v Lazuri e, em 1909, apareceu Urna, uma seleção de poemas de amor inspirados na sua aventura amorosa com a mulher do poeta e dramaturgo Aleksandr Blok. A relação adúltera gerou uma grande animosidade entre ambos os poetas, ao ponto de, por várias vezes, terem mostrado intenção de se digladiar em duelo. O ódio entre ambos amainou quando Bely se apaixonou por outra mulher, Asia Turgeneva, com que casou em 1914 e de quem se divorciou sete anos depois.

De 1903 a 1909 contribuiu largamente para o periódico Vesy, do qual saiu por alturas da publicação do seu primeiro romance, Serebryany Golub (1909), no qual conta a história de um jovem poeta e filósofo que, em busca do espiritualismo, cai nas garras de uma seita religiosa.

Entre 1910 e 1916 viveu no estrangeiro, tendo passado alguns anos em Dornach, na Suíça, onde foi discípulo do fundador da Antroposofia, Rudolf Steiner. Fruto imediato dessa experiência foi Petersburg (1916), romance repleto de símbolos e alucinações, em que descreve a então capital russa, e no qual lida com temas como o parricídio e o absurdo do detalhe face aos grandes ideais.

Durante a Guerra Civil e a Revolução Russa, Bely viveu em pobreza material, sem que, no entanto, deixasse de acolher a Revolução. A partir de 1917 foi docente em Moscovo e Petrogrado mas, em 1921, com a morte de Blok, mudou-se para Berlim, onde permaneceu alguns anos.

Regressando à União Soviética em 1923, procurou conciliar o Marxismo com as suas ideias antroposóficas. Faleceu a 8 de janeiro de 1934.

Grande parte da sua obra, caracterizada essencialmente por um experimentalismo formal, permaneceu por publicar e, de 1940 a 1965, o regime estalinista baniu-a. Muitos escritores, como Boris Pasternak, Yuri Olesha e Boris Pilnyak afirmam terem sido grandemente influenciados pelo trabalho de Bely.

Como referenciar: Andrey Bely in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-10-21 14:52:55]. Disponível na Internet: