Ângela e Luísa Sigeia (ou Irmãs Sigeias)

Eruditas do século XVI, filhas do castelhano Diogo Sigeu, que viera para Portugal em 1522 e entrara ao serviço do duque de Bragança, D. Jaime, em 1530, como professor dos seus filhos. Mais tarde esteve ao serviço de D. João III, como professor da Infanta D. Catarina. Era, pois, natural que as suas filhas crescessem no meio intelectual e que cedo tomassem contacto com as línguas antigas. Ângela dominava o latim e o grego, para além do português, o castelhano e o francês. Notabilizou-se pelos seus dotes para a música. Foi dama da Infanta D. Maria. Casou em 1542 com Antão de Mello e Carrilho, de Torres Vedras. Luísa Sigeia (1530-1560) ultrapassou a fama e a erudição da irmã. Em 1542 entrou para o serviço da rainha D. Catarina, tendo auxiliado na educação da Infanta D. Maria. Em 1546, enviou ao Papa Paulo III uma carta em cinco línguas (latim, grego, hebraico, siríaco e árabe) acompanhada de um poema intitulado Syintra, à qual o papa respondeu elogiosamente. Além de inúmeras cartas deixou também o Duarum Virginum Colloquium. Em 1552, casou com o castelhano Francisco de Cuevas. Ficou conhecida por toda a Europa erudita, merecendo a admiração de príncipes e humanistas, que lhe chamavam a "Décima Russa" ou a "Minerva do seu Século". Estes factos explicam que tenha sido escrito com o seu nome o livro infame De Arcanis Amoris et Veneris. Viveu os seus últimos anos em Burgos, onde sofreu privações.
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