Ângelo de Lima

Filho do poeta romântico Pedro de Lima, frequentou o Colégio Militar, em Lisboa, de onde foi expulso, e a Academia de Belas Artes do Porto. Após o seu regresso de África, para onde partira numa expedição militar, começa a apresentar alguns distúrbios psíquicos que conduziriam ao seu internamento, entre 1894 e 1898, no Hospital Conde Ferreira. Continuando a sua atividade poética e artística, será internado de novo, em 1901, em Rilhafoles, onde permanecerá grande parte da sua vida. Acolhido pela primeira geração modernista, a sua poesia seria revelada pelo Orpheu, que edita um conjunto poético do autor, no número 2. Muitos dos processos que conferem à sua poesia uma expressão inusitada, como o uso de termos raros, a utilização de vocábulos anómalos e a rutura com a ordem sintática da frase, apresentam analogias com estratégias das poéticas simbolista e modernista. Por isso, para Fernando Guimarães, que organizou, em 1971, a primeira edição da sua obra completa, "A poesia de Ângelo de Lima, mesmo quando parece ser presa fácil da doença mental a que o seu autor sucumbiu, põe-nos, afinal, um problema de legibilidade que não é essencialmente diferente do que diz respeito a qualquer texto literário..." (cf. GUIMARÃES, Fernando - introdução a Poesias Completas de Ângelo de Lima, Assírio e Alvim, 1991, p. 15).
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